Posted by : Dento Feb 8, 2018


No pé do Farol Cintilante, Ethan, Amy, Forrest, Jasmine, Ana, Ampharos e muitos cidadãos da Cidade de Olivine olhavam para o caixão branco onde jazia o corpo de Amphy. Um silêncio absoluto tomava conta do ambiente. Parecia até mesmo que o mar, em sinal de respeito, chorava com o barulho de suas águas que tocava a areia da praia e levava para longe toda a dor que prevalecia ali. Uma flor havia sido colocada sobre a tampa do caixão. Jasmim, a flor favorita de Amphy. Como o nome da Mestra escudeira e que cuidou dele até o fim de sua vida.

Era por volta do meio-dia quando o caixão desceu para o buraco cavado embaixo do Farol. Amphy foi enterrado onde havia passado sua vida: Na praia, ao lado do lugar em que amava estar, o Farol, onde guiava as vidas que vinham e que passavam, que coletaram e que trouxeram memórias que influenciaram, de uma forma ou de outra, todos os ventos litorâneos da cidade. Ele estava feliz.

Ethan tocou no ombro dos amigos.

— Vamos pessoal. Nossa estadia em Olivine se encerra por aqui.

Amy e Forrest se entreolharam. Jasmine, que estava próxima ao jazigo onde Amphy havia acabado de ser enterrado se virou e viu Ethan começando a se afastar da orla da praia. O garoto se dirigia para o Centro Pokémon. Os amigos então despediram-se da Líder de Ginásio e seguiram o garoto.

Em silêncio, os três fizeram o caminho de volta e entraram pela recepção do Centro Pokémon. Subiram as escadas até o segundo andar e entraram em seu quarto. Ethan dirigiu-se até a sua cama e deitou-se de costas para o teto. Forrest aproximou-se do amigo.

— Ethan, nós vamos passar no mercado para comprar novos suprimentos pra seguirmos viagem. Você quer ir com a gente?
— Acho que não, cara... Pode ir. Eu vou ficar por aqui mesmo. — Respondeu o garoto sem encarar o amigo.
— Você precisa de alguma coisa? PokéBolas, poções, medicamento...? — Perguntou Amy, que, sem querer demonstrar, queria fazer Ethan sair daquele estado de qualquer jeito possível.
— Não, Amy. Obrigado. Estou bem. Vejo vocês depois. — Disse Ethan fechando os olhos e encerrando o assunto por ali.

Os dois se entreolharam e, suspirando pesado, retiraram-se do quarto.

— Eu fico muito triste pelo o que aconteceu com o Amphy... Mas estou começando a me preocupar muito com o Ethan. — Comentou Amy para Forrest em um tom de voz preocupado.
— Eu também... E o pior de tudo é que eu nunca vi ele tão isolado desse jeito... É como se ele próprio tivesse perdido alguém.
— Mas ele não conhecia o Amphy antes de chegarmos até Olivine, né?
— Creio que não.
— Então por que será que ele se sente tão triste?

Forrest deu de ombros.

A dupla saiu pela porta do Centro Pokémon e, caminhando lentamente, dirigiram-se até o centro da cidade. Entre uma esquina e outra, eles perceberam que alguns rapazes uniformizados colavam em algumas paredes pôsteres coloridos com uma foto e letras garrafais. Foi chegando perto que Forrest soltou uma exclamação alta.

— Eu não acredito! — Disse o moreno em completo estado de êxtase.

ATENÇÃO, SENHORAS E SENHORES!
Os organizadores da BATALHA DA FRONTEIRA anunciam na próxima semana na Cidade de Ecruteak um evento para todos os treinadores interessados em saber dos desafios da próxima temporada do campeonato. Compareçam no centro da cidade e participem! O evento contará com a ilustre presença das Cérebros de Fronteira, diretamente vindos da região de Sinnoh: Argenta e Dahlia! Não percam! É às 15h!”.

— O que foi? — Perguntou Amy.
— É a Argenta, cara! Ela é meu ídolo! E vai estar em Ecruteak! — Exclamou Forrest tirando o mapa de dentro da mochila. — Vamos ter que voltar por Ecruteak pra seguir viagem... Nossa próxima parada é a Cidade de Mahogany. É perfeito!

Amy olhava com indiferença para o amigo, que quase dava cambalhotas de felicidade.

— Ok. E o que essa Argenta tem de tão especial?
— Você não a conhece? Ela é simplesmente uma das mais poderosas treinadoras do mundo! Ela faz parte dos treinadores de elite da Batalha da Fronteira!
— Batalha da Fronteira? O que é isso?
— É um desafio a treinadores Pokémon mais poderosos até que os Líderes de Ginásio... E você precisa ser realmente bom pra poder enfrentar todos eles! É um grande evento em Hoenn e Sinnoh. Cada região tem seus membros. Argenta, por exemplo, luta em Sinnoh junto com outros quatro Cérebros. Hoenn tem sete.
— Se existem tantos Cérebros, por que é que você admira tanto essa aí?
— Tá brincando? Ela defende os Pokémon tipo Pedra e Terra! Ela não é brincadeira, cara. O sonho dos grandes treinadores é conhecê-la!
— Treinadores de elite, é? — Amy refletiu por alguns segundos. — Interessante.
Os dois retomaram a caminhada. E enquanto conversavam sobre a Batalha da Fronteira, logo passaram em frente ao Ginásio local.  Uma imensa construção onde grandes placas de metal se fundiam umas nas outras e painéis solares transformavam a luz do Sol em energia natural. Um prédio de alvenaria erguido majestosamente acima do Ginásio deixava menos bruta a construção. Os vidros das janelas estavam todos fechados com cortinas brancas. Nas grandes portas de aço maciço que davam de entrada e saída do local, um simples aviso, impresso com tinta preta em um papel sulfite: “Fechado por Luto”.

Amy e Forrest sentiram um soco no estômago. As imagens do velório de Amphy ainda estavam tatuadas nos olhos dos dois que, mesmo que ainda não tivessem sentido o impacto que Ethan e Jasmine sentiram, continuavam a ficar tristes com o acontecido.

Os dois aceleraram o passo e em poucos minutos deixaram totalmente o Ginásio para trás.

O grande prédio azul e sua fachada majestosa próximo ao porto de Olivine logo saudou Amy e Forrest. Ao entrarem pelas portas automáticas, os corredores largos convidavam-nos às enormes prateleiras, divididas por setores, onde eles poderiam encontrar facilmente o que precisavam. Havia uma placa em cada corredor e um subtítulo que indicava quais tipos de produtos havia nele. Amy e Forrest logo se dividiram. Enquanto Forrest pegava medicamentos e suprimentos para eles e os Pokémon, como Poções e Cura-Paralisias, Amy focava em comprar PokéBolas e Repelentes.

O PokéMart também oferecia a venda de diversos tipos de alimentos, tanto ração para Pokémon quanto comida para humanos, como frutas, verduras e legumes frescos, além de grãos como arroz e feijão e alimentos como pão e leite. Os preços baratos e acessíveis de itens essenciais faziam com que os treinadores e viajantes pudessem sustentar-se em uma jornada Pokémon tranquilamente.

Após passarem no caixa, os dois saíram da loja segurando um par de sacolas em cada mão. Conferiram a nota fiscal, os itens que compraram e o troco devolvido e seguiram de volta para o Centro Pokémon.

A tarde ensolarada passava aos poucos. Amy e Forrest caminhavam tranquilamente pela orla da praia enquanto sentiam a brisa fresca que soprava do mar aliviar o calor do sol litorâneo. Mas os dois não reclamavam. O clima de Olivine era tão bom que eles poderiam ficar mais tempo, se não tivessem Ethan para viajar de cidade em cidade para pegar as insígnias locais.

Perdidos em devaneios e rindo de possibilidades, a dupla logo se deu conta que havia chegado ao Centro Pokémon. Subiram para a suíte e encontraram Ethan dormindo profundamente, na mesma posição em que estava quando eles deixaram o quarto quando saíram. Na ponta dos pés, colocaram as sacolas sobre a cama e se retiraram novamente, deixando o amigo descansar. Os jovens voltaram a descer as escadas e a passar pelo saguão do Centro Pokémon, retirando-se do local.

Os dois caminharam até a praça que ficava defronte ao hospital e ocuparam dois bancos que haviam por lá. Observando o mar e as pessoas e Pokémon que brincavam na praia, eles se deixaram relaxar por um instante. O lugar era realmente relaxante e os dois se sentiam livres, quase como se, por um instante, estivessem longe de seus problemas. Deixaram o tempo fluir devagar e, vez em quando, se encaravam em silêncio, aproveitando a brisa e a amizade que existia entre os dois.

— O que você vai fazer quando terminar essa jornada? — Perguntou Forrest para Amy, depois de alguns instantes sem trocar palavras com a amiga.

A garota pareceu refletir por um tempo antes de abrir a boca e deixar as palavras tomarem forma.

— Eu não sei... Eu apenas estou fugindo da Equipe Rocket e impedindo que eles capturem a mim e a PokéBola GS.
— Tá. Mas e depois que você acabar com eles? O que você pretende fazer?
— Eu não sei nem se alguém como eu teria alguma coisa pra fazer. — A garota sorriu sem graça.
— Como assim, “alguém como você”?
— Forrest, olha pra mim. Eu sou uma ex-agente da maior organização criminosa do mundo. A última coisa que eu posso fazer é viver a vida como alguém normal.

Forrest pensou um pouco. Aquilo realmente fazia sentido.

— Mas e você? O que vai fazer? — Perguntou Amy.
— Bem, eu pretendo assumir o Ginásio de Pewter... Mas eu ainda não sei como.
— E o que é preciso pra ser Líder de um Ginásio?
— Bem, precisamos fazer provas práticas e teóricas, além de manter sempre um bom ranking na Liga Pokémon... Os Ginásios devem ser um desafio para o treinador. E meu irmão sim é um grande desafio a se enfrentar... — Os olhos de Forrest brilharam.
— É por isso que você utiliza Pokémon do Tipo Pedra? Exceto por bons Pokémon do Tipo Água, eles não são tão fáceis assim de derrubar.
— Exatamente! Eu sempre me inspirei no Brock... Mas agora que estamos falando sobre isso... Eu não sei exatamente como estou me esforçando... Eu analiso bem as batalhas, mas eu não tenho uma prática tão boa. — O moreno sacou a PokéBola de Rocky. — E desde que Rocky veio parar nas minhas mãos, eu não treinei com ele ainda...

Amy olhou para o amigo e suspirou.

— Acho que todos nós temos que lidar logo com nossos problemas...

Forrest começou a rir.

— O que foi? — Perguntou a garota sem entender.
— De nós dois, o único que progrediu consideravelmente desde que começamos a viajar juntos foi o Ethan. Eu tenho certeza de que ele, mesmo sendo mais novo que nós dois, consegue derrotar a gente fácil.

Amy acompanhou a risada do amigo.

— É verdade. Mas não deixa ele ficar sabendo, se não, ele não vai parar de se gabar.

Os dois caíram na gargalhada. Era realmente engraçado imaginar que os mais experientes do grupo tinham deixado o novato imaturo ficar mais poderoso que eles.

Entre os prédios e quiosques que ficavam próximos à praia de Olivine, um local em especial chamava a atenção. Ele era construído em alvenaria com as tintas alaranjadas já gastas pelo tempo. Com mesas e cadeiras organizadas do lado de fora da calçada debaixo de um toldo listrado em vermelho e branco, as portas abertas convidavam a todos os que passavam a entrar e se aconchegar no ambiente, que produzia um aroma de café maravilhoso que atravessava a rua, pegava carona no vento e chegava até a praia. Forrest e Amy ao perceberem aquele cheiro, sentiram seus estômagos clamarem sonoramente pelo sabor daquele perfume. Os dois então apressaram-se e se deixaram conduzir pelo cheiro, que levava diretamente ao Olivine Café.

Por dentro, mesas e cadeiras de madeira dispostas uma ao lado da outra davam ao local um toque simplista. O chão de piso laminado contrastava com o teto charmoso de madeira, onde lamparinas iluminavam o local. Luminárias alaranjadas davam o retoque final no ambiente bucólico, deixando o local bem iluminado. Não havia nada ali que remetesse ao ambiente litorâneo da cidade, e isso era esquisito para os visitantes de primeira viagem, já que, como ponto turístico, Olivine costumava ter diversos elementos paradisíacos, como lojinhas de trajes para banhos e quiosques para venda de guarda-sol.


Do lado esquerdo do estabelecimento, um bar elegante. Com diversos tipos de bebidas nos armários de vidro na parede, logo atrás do balcão em “L”, as variações coloridas dos líquidos alcoólicos davam um charme a mais. Perdida em pensamentos e com uma xícara de cappuccino mal tocada, Jasmine estava sentada em uma das mesas do pequeno Café, enrolando no dedo uma das mechas de seu cabelo castanho. A dupla aproximou-se com calma e, com um sorriso, cumprimentou a jovem.

— Oi, Jasmine.

A garota tomou um susto. Como se tivessem jogado um balde de água fria em sua prisão de pensamentos, ela despertou do transe e, quase desorientada, passou a mão em seu vestido azul-bebê para tirar os farelos de croissant e sorriu nervosa para os dois.

— Ah, olá, meninos! Tudo bem com vocês? Me desculpem, eu estava distraída aqui.
— Não tem problema. A gente veio visitar esse local, não sabíamos que você estava aqui. — Disse Amy.
— Ah! Está tudo bem. Esse lugar é ótimo, eu sempre veio aqui pra esfriar a cabeça. Por favor, sentem-se, sentem-se! — Jasmine levantou-se eufórica e fez Amy e Forrest aconchegarem-se nas cadeiras vazias disponíveis na mesa de madeira.
— Onde está o Ethan?
— Quando o deixamos no Centro Pokémon, ele estava dormindo... Achamos que ele merecia descansar. Ele ficou a noite inteira acordado, não foi? — Disse Forrest.
— É verdade... Eu mesmo ainda não fui dormir. Por isso eu estava tomando esse café. — Sorriu a jovem sem graça.

Um garçom aproximou-se do grupo. Ele vestia um avental branco na cintura por cima colete preto abotoado por cima de uma camisa branca e uma calça social. Segurando na mão esquerda uma bandeja e com um pano de prato branco esticado em seu braço ele questionou àquele trio o que eles iriam pedir.

Enquanto os pedidos eram preparados na cozinha, os três comentavam sobre Ethan.

— Ele veio pra Olivine pra disputar contra mim a Insígnia Mineral, né? — Jasmine colocou o cotovelo direito na mesa de madeira e apoiou a cabeça na palma de sua mão. — Nesses últimos dias, eu me esqueci completamente de me preparar para batalhas... Meu atestado de licença-saúde da Liga Pokémon vai acabar daqui a dois dias... Ai, que dor de cabeça...

Amy e Forrest se entreolharam.

— Eu imagino que deve estar sendo uma barra pra você mesmo... — Disse Amy.
— O Ethan está se sentindo bastante culpado também... Ele acha que Amphy morreu porque ele foi inútil na hora que você tentava socorrê-lo. — Comentou Forrest.

Jasmine olhou incrédula para os dois.

— Como assim? Ele me ajudou bastante! A culpa do Amphy ter... — ela engoliu a palavra e fechou os punhos com força antes de prosseguir. — ...morrido não foi culpa de ninguém... Aconteceu.
— Nós sabemos... A gente ficou triste pelo o ocorrido, mas não esperávamos que ele fosse ficar tão abalado. Quando ele chegou hoje de manhã no nosso quarto no Centro Pokémon, nos assustamos com o desespero dele. Foi algo muito pesado de se ver. — Disse Amy.

Jasmine encarava a mesa, reflexiva. O garçom trouxe os pedidos, distribuiu entre o grupo, e se retirou enquanto eles agradeciam.

— Eu não posso deixar que o Ethan se lamente desse jeito... Será que tem algo que eu consigo fazer pra mudar esse pensamento dele?
— Bem, eu creio que é algo que só você e ele podem resolver. Vocês se aproximaram muito nessas últimas horas, não é? — Perguntou Forrest.
— É verdade... Mas se nós pudermos ajudar em alguma coisa, faríamos com o maior prazer. — Prontificou-se Amy.

Jasmine pensava enquanto dava pequenos goles em seu café. A cada pensamento que tinha, ela enrolava cada vez mais uma das mechas de seu cabelo com o dedo, que começava a cair encaracolado. Sua têmpora pulsava desenfreadamente. Gotículas de suor brotavam em sua testa. Até que um esboço de luz começou a ser elaborado em sua mente.

— Bem, eu tenho uma ideia. — Disse ela de repente. — Está na hora de seguir em frente.
— O que você vai fazer? — Perguntou Forrest.
— Amphy viverá eternamente dentro de mim. E acho que dentro de Ethan também. Então eu e ele precisamos nos libertar daquilo que nos deixa triste. — Jasmine sorriu docemente.

Amy e Forrest se encararam sem entender nada.

— Este é o plano. — A jovem começou então a compartilhar suas ideias com os amigos.

***

Já anoitecia na Cidade de Olivine. O céu azul havia escurecido e o grandioso sol de primavera havia se posto no horizonte. A lua nova reinava soberana com a companhia de centenas de milhares de estrelas espalhadas ao seu redor. O Farol Cintilante brilhava forte e conduzia os navios e barcos que chegavam e deixavam o porto. Talvez naquele instante ninguém percebesse, mas enquanto o tempo passava, as coisas passavam a ter sentido e a tomar novos rumos.

No quarto escuro do Centro Pokémon, a única luz no ambiente vinha do lado de fora. Com a janela aberta, as luzes da cidade e o brilho do farol iluminavam o pouco que conseguiam alcançar. Ethan abriu os olhos. Continuava deitado de barriga pra baixo, com o rosto voltado para o quarto. Passou as mãos nos olhos e observou o local, percebendo que estava sozinho — exceto pela companhia de duas sacolas com o logo do PokéMart em cima da cama de onde Amy dormiu nos últimos dias. O garoto, brigando com todos os músculos do seu corpo que pareciam força-lo a continuar deitado, sentou-se na cama, esfregou os olhos mais uma vez e espreguiçou-se com um grande bocejo. Após sua consciência aos poucos ter sido retomada, o garoto percebeu um bilhete deixado ao lado do criado-mudo de sua cama, com seu nome escrito em uma bela caligrafia em um papel perfumado.

“Quando acordar, por favor, me encontre no Farol Cintilante.
Tenho algo para você.
Beijos,
Jasmine.”

Ethan saltou da cama. Aquele contato inesperado o fez arrumar o boné na cabeça, pegar sua mochila e sair em disparada para fora do quarto, descendo as escadas como um foguete e saindo do Centro Pokémon feito um furacão. Ele não sabia nem que horas eram, mas pelo fluxo grande de pessoas que passeavam pelas calçadas da cidade e pela praia ainda relativamente cheia, com certeza ainda não era tarde da noite. Ethan desviou de pessoas e postes e em poucos minutos chegou ao Farol Cintilante. Olhou para o alto e viu o imenso farol quase tocando a lua. Sentiu seu coração bater na garganta e olhou para onde Amphy havia sido enterrado — a poucos metros dali. Viu pessoas que continuavam a prestar homenagens, trazendo flores e velas até o túmulo do Pokémon e fechou os punhos. Sua respiração ficou pesada e uma angústia aguda rasgava seu coração.

— Ethan? Jasmine está te esperando.

A voz de Ana surpreendeu o garoto. Ethan olhou para a jovem, sentada em sua cadeira atrás do balcão de recepção, e viu que os olhos azuis da garota refletiam um misterioso semblante de curiosidade. O choque dos dois olhares se gladiando como dois guerreiros em meio a uma batalha entre a vida e a morte era algo só presenciado pelos dois. Há poucas horas atrás, apenas o jovem garoto e a devota assistente foram testemunhas dos últimos instantes de vida do Pokémon mais querido e importante de Jasmine. E bem que eles gostariam de saber o motivo do destino dos dois terem se cruzado. Afinal, fora ela que os recebeu quando Ethan chegou na cidade procurando seu desafio de Ginásio e soube que Amphy estava doente, indo oferecer ajuda. Fora ela que o recebeu quando ele voltou de Cianwood com o remédio na mochila. E é ela, agora, quem o recebe mais uma vez, despertando-o de seu transe e o convidando-meio-que-o-intimando a ir ver Jasmine mais uma vez.

Mas como Ethan poderia encarar Jasmine após o que aconteceu? Como ele poderia falar com a pessoa que confiou a ele a cura de seu Pokémon? Como ele poderia ouvir de novo a voz que desabafou a ele toda a dor que um coração aflito poderia suportar?

Ele olhou para Ana e, fazendo um sinal negativo coma cabeça, deu um passo para trás.

— Jasmine está te esperando. — Ana repetiu mais uma vez, de uma maneira mais agressiva. Ela levantou de sua cadeira e o encarava cada vez mais intensamente, quase como se pudesse ler a mente do garoto, que continuava apreensivo a entrar no farol.

Com a segunda resposta negativa do garoto, a recepcionista saiu de seu posto e caminhou lentamente na direção de Ethan. E a cada passo que ela dava, ele dava dois para trás. Quando ela cruzou as portas e viu que Ethan já se encontrava a metros de distância dela, Ana gritou.

— A culpa não foi sua!

As pupilas de Ethan dilataram. Foi como se uma lâmina de gelo atravessasse sua garganta. Aquelas palavras o fizeram tremer como nunca antes ele pensou que poderia. Sua boca entre aberta o auxiliavam a puxar a maior quantidade de ar que ele podia pegar, mas seus pulmões pareciam feitos de cimento, de tão pesados que o garoto os sentia. Paralisado, ele não pode mexer-se para fugir quando Ana, a passos lentos, aproximou-se dele.

— A culpa não foi sua... Não foi nossa... Não foi... Por favor, eu não quero que você se torture como eu já estou fazendo... — A voz de Ana sumiu. Embargou-se com as lágrimas que escorriam por seus olhos e que ela lutava para não escaparem. — Por favor... A senhorita Jasmine está te esperando. Não a deixe esperando...

Ethan contraiu os lábios. Lentamente, foi erguendo a mão direita em direção ao rosto de Ana, que por mais que chorasse baixinho, não deixava de fazer contato visual com o garoto. Quando os dedos dele alcançaram o rosto dela, seus dedos foram atingidos pela mão esquerda da recepcionista. O movimento inesperado fez o garoto segurar a própria mão e senti-la arder pelo tapa recebido. Ana continuava encarando-o com o olhar azul que agora trazia um peso severo. 

O garoto olhou para cima novamente. Da grande janela panorâmica, era possível ver uma sombra de curvas femininas olhando para baixo, em sua direção. Ele respirou fundo, fechou os olhos por alguns minutos e tentou apagar de sua cabeça o sentimento de medo que tomava conta de seu coração. Ele tinha, pelo menos uma vez em sua vida, enfrentar seu medo, seu luto e entregar-se de corpo e alma ao seu purgatório e aceitar o seu destino, por pior que fosse.

Pela primeira vez então, ele acenou afirmativamente com a cabeça. Ana então deu passagem ao garoto que se dirigia a entrada do Farol Cintilante para seu encontro com Jasmine como uma alma perdida encarando o Mundo Reverso para ser julgada por Giratina.

Estranhamente, não havia ninguém lá dentro. Após confirmar olhando ao redor de que estava sozinho, Ethan seguiu para o elevador e, com seu dedo trêmulo, apertou o botão que levava até o último andar. Os segundos passavam devagar, o elevador parecia sentir o nervosismo do garoto e, só de pirraça, parecia adiar cada vez mais a sua chegada até o último andar. Sua respiração ficava cada vez mais pesada devido a ansiedade e o nervosismo. A sensação de que ele iria sufocar a qualquer segundo era terrível.

Finalmente, após segundos que pareciam uma eternidade, as portas do elevador se abriram. Novamente, Ethan encarou as enormes janelas panorâmicas e de cada detalhe daquela sala, onde Jasmine passava seus dias.  Assim que o garoto passou pela porta, Ampharos levantou-se de sua cama dentro da grande máquina de espelhos que produzia a luz do farol e encarou Ethan atentamente.

— É bom ver que você voltou. — Disse Jasmine encarando o rapaz, que tremia de nervoso. — Parece que temos alguns assuntos pendentes.

Ethan hesitou.

— Temos?

Jasmine fechou os punhos com força.

— Sim, nós temos. Você me deve satisfações.

As pupilas de Ethan dilataram. Seu coração parou por um segundo. Sua respiração falhou. Seus pensamentos fluíam de forma desenfreada em sua cabeça. Ele perdeu o controle do corpo.

— Eu... Eu...
— Você realmente iria embora sem sua batalha de Ginásio? Por quê?

O garoto caiu de joelhos. E chorou. Chorou de soluçar.

— Eu sou um inútil, Jasmine! Eu não mereço a sua insígnia! Eu não mereço ser um treinador!

Jasmine observava Ethan chorando e nada fez para conter as lágrimas do menino. Apenas o olhava com desprezo.

— Por minha causa, o Amphy morreu. Se eu tivesse me apressado, se eu tivesse corrido, eu sei que talvez houvesse uma chance do Amphy estar vivo ainda...

As lágrimas corriam incontrolavelmente pelo rosto do garoto. Durante cinco minutos, tudo o que se ouviu foram os soluços de Ethan.

Quando ele ergueu o rosto, viu Jasmine o encarando sem nenhum tipo de dó.

— Se você quer alcançar a Liga Pokémon, você tem que ser forte. E não me refiro à força exterior. Não me refiro a um time de Pokémon extraordinário. Me refiro ao seu coração.

Ethan olhou para ela. Ela ainda se encontrava parada o encarando.

Ele então levantou-se, e enxugou o máximo possível suas lágrimas, abaixando os braços e fechando os punhos em seguida.

— Ótimo. Já temos um começo. — E pela primeira vez, ela sorriu. — Você terá direito a três Pokémon, valendo a Insígnia Mineral e um passo a mais na rota rumo à Liga Pokémon.

Jasmine afastou-se alguns passos, aumentando a distância entre ela e o garoto.

— Este é o meu escolhido. Magnemite!



A Líder de Ginásio liberou seu Pokémon da PokéBola. Magnemite era uma forma de vida robótica que tinha um corpo de metal cinza e esférico com imãs em cada lado de seu corpo e um único olho grande. Possuía três parafusos em seu corpo: Dois abaixo do corpo, próximo ao olho, e o outro, maior, em cima da cabeça, que se assemelhava a uma antena. Ethan sacou sua PokéDex e apontou para a criatura.

— “Magnemite, um Pokémon Magnético. É atraído por ondas eletromagnéticas. Pode se aproximar dos Treinadores Pokémon se eles estiverem usando seu PokéGear. Os imãs nas laterais do seu corpo geram energia antigravidade para mantê-lo no ar”.

Após passar a manga da camiseta no rosto para secar as lágrimas, Ethan, hesitando, sacou uma PokéBola também. Deu alguns passos para trás e, sem dizer nada, liberou seu Pokémon.

Quilava pisou no chão de madeira e olhou para seu treinador. O garoto devolveu o olhar. O Pokémon encarou seu oponente e preparou-se para o duelo.

Thunderbolt! — Exclamou Jasmine.

Os imãs de Magnemite produziram uma enorme corrente elétrica, que foi disparada na direção de Quilava, o atingindo.

Ethan soltou uma exclamação. Quilava soltou um grito de dor, mas aguentou firme e olhou para seu treinador, pedindo-lhe uma ordem de movimento.

— Você está certa... Eu não posso fraquejar. Pelo menos não agora. Quilava, Flame Wheel!

Quilava pareceu suspirar de alívio ao ouvir a voz de seu treinador. Enrolou-se em chamas ao redor do corpo e saiu em disparada em direção ao alvo, atingindo-o em um golpe super-efetivo.

Ampharos soltou uma exclamação. Jasmine sorriu.

— É muito bom ver isso. Agora eu posso começar a levar a sério. Magnemite, Sonic Boom!
— Evasiva com Quick Attack!

Ondas sônicas saíram dos imãs de Magnemite em direção à Quilava, que disparou em velocidade e desviou do golpe. A velocidade do Pokémon de Ethan era muito maior do que a do pequeno Pokémon elétrico de Jasmine.

— Avance! Flame Wheel de novo! — Exclamou Ethan.

Quilava voltou a inflamar seu corpo e disparou na direção de Magnemite. O Farol, por maior que fosse, não era como um campo de batalha. As coisas eram mais compactas. E com a velocidade de Quilava, o Pokémon de Jasmine não tinha por onde desviar, recebendo assim o ataque de fogo do oponente, caindo ao chão com danos severos.
— Magnemite! — Exclamou Jasmine.

Ethan começava a ficar tenso. Ele já havia participado de outras batalhas antes... Mas por que essa parecia ser a mais difícil de toda a sua vida?

— Calma, garoto. — A voz da Líder de Ginásio pareceu tirar Ethan do transe repentino. — Você é um bom treinador. Concentre-se! Mantenha seu foco! Me enxergue como oponente, não como amiga. Magnemite, Supersonic!

Magnemite ergueu-se. Girando seus parafusos, emitiu um som alto, agudo e estridente que incomodou até mesmo Ethan, que levou suas mãos aos ouvidos. Quilava começou a ficar tonto. Sua visão embaçou. Sua cabeça rodava, parecia que ele havia perdido a noção básica das coisas ao seu redor.

— Quilava! — Chamava Ethan.

Seu Pokémon chacoalhou a cabeça tentando se livrar da tontura, tentando concentrar-se apenas na voz de seu mestre. Mas quanto mais ele tentava se livrar da confusão, mais parecia que ele estava confuso. Quilava correu em direção a uma das paredes do Farol Cintilante e bateu propositalmente sua cabeça no concreto, na tentativa desesperada de cessar a tontura.

Thunderbolt! — Ordenou Jasmine.

Magnemite novamente produziu poderosos raios elétricos e atirou em direção de Quilava, atingindo-o em cheio. O Pokémon de Ethan sentiu cada poro do seu corpo se imobilizar devido a corrente elétrica, ao mesmo tempo que a confusão em sua cabeça parecia se intensificar.

— Quilava! — Exclamou Ethan.

Do chão, Quilava sentiu uma força sobrenatural em seu coração. Ele sabia que seu mestre precisava dele. E não seria agora que ele o deixaria na mão.

Reunindo todas as forças que haviam dentro dele, ele ergueu-se e encarou Ethan, assegurando ao garoto que tudo estava bem.

— Seu Quilava é bastante resistente... Mesmo que Magnemite seja fraco contra ataques do Tipo Fogo, fico feliz em saber que causamos bastante estrago em seu Pokémon. — Comentou Jasmine ao garoto.
— Quilava foi o primeiro Pokémon com quem eu tive a primeira luta na vida. E não vai ser agora que a gente vai cair. Ember!

Quilava mirou e disparou de sua boca brasas poderosas em cima de Magnemite, que veio ao chão.

— Finalize com Flame Wheel!
Quilava mais uma vez inflamou seu corpo e girou em direção ao oponente caído. Mas a tontura o fez tropeçar e dar de cara no chão.

— Quilava!
— Aproveite a chance, Magnemite! Thunderbolt!

Os imãs de Magnemite voltaram a brilhar e a conduzir energia elétrica que foi quase que imediatamente disparada na direção do oponente. Ágil, Quilava rolou para o lado direito, esquivando do ataque. Encarou Magnemite, voltou a envolver seu corpo em chamas e disparou para cima do Pokémon de Jasmine, atingindo-o e nocauteando-o.

— Você conseguiu, Quilava! — Comemorou Ethan. — Conseguiu mesmo!
— Muito bem, parece que a confiança entre vocês se intensificou. — Sorriu Jasmine recolhendo Magnemite para a PokéBola. — Meu primeiro Pokémon foi derrotado, mas não acho que esse aqui será tão fácil.

No lugar de Magnemite, surgiu um Pokémon imponente e prateado com um longo pescoço, pernas e cauda feitos totalmente de metal. Seus olhos amarelos encararam Ethan e Quilava, causando um leve arrepio nos dois, intensificado quando ele apontou ameaçadoramente para eles seu bico pontiagudo com vários dentes afiados e eriçou sua crista triangular em sua cabeça.



— “Skarmory, um Pokémon Pássaro de Armadura. Suas asas resistentes parecem pesadas, mas elas são na verdade vazias e leves, permitindo voar livremente pelo céu. Depois de aninhar em arbustos de amora, as asas de seus filhotes crescem resistentes contra arranhões de espinhos.” — informou a PokéDex de Ethan.

Skarmory soltou um berro agudo. Jasmine sorriu de forma ameaçadora.

— Muito bem, Quilava, Flame Wheel!
— Isso não vai funcionar de novo. Steel Wing!

Ethan e Quilava se surpreenderam quando Skarmory abriu suas asas poderosas e alçou um voo rasante com suas asas brilhantes, que atingiram Quilava e o nocautearam imediatamente.

— O quê?! — Exclamou Ethan, incrédulo.
— Eu avisei que não seria fácil passar por ele. — Disse Jasmine, de forma bastante séria, como se estivesse estudando cada reação de Ethan.

O garoto fechou os punhos com força e rangeu os dentes. Um turbilhão de pensamentos começou a brotar em sua cabeça. Quilava era, sem dúvidas, sua melhor chance contra Pokémon do tipo Metálico. Qual Pokémon ele escolheria agora? Qual teria a melhor chance contra Skarmory?

Ampharos levantou-se de sua cama, abriu o cilindro, passou por Jasmine e Skarmory, seguindo em direção a Ethan. Encarou seu treinador e logo em seguida, virou-se de costas para encarar os oponentes.

— Ampharos... Você quer lutar? — Questionou Ethan, já imaginando a resposta óbvia.

A Pokémon confirmou com a cabeça, sem desviar os olhos de Skarmory.

— Bem, Ampharos ainda é seu Pokémon. Você pode usá-la na batalha. — Comentou Jasmine.

Ethan refletiu por alguns segundos. Seria um teste para a superação da morte de Amphy? Afinal, como ele, sua Ampharos também sofreu a perda, talvez de uma forma ainda mais poderosa que ele. Talvez fosse a oportunidade dos dois de superarem juntos e seguir em frente.

— Ok, Ampharos... Vamos nessa. Vamos juntos. Eu acho que preciso muito mais de você agora do que você de mim... — Sussurrou Ethan para o Pokémon, que, sem querer, deixou escapar uma lágrima dos olhos.

Jasmine sentiu um soco no estômago. Ela respirou fundo e afastou da mente qualquer fantasma do luto que pudesse tentar tomar conta dela. Ela fechou os punhos, e aguardou os oponentes se movimentarem.

— Comece com ThunderShock!
— Desvie, Skarmory!

Diversas faíscas amarelas começaram a surgir ao redor dos ouvidos de Ampharos, como se fosse uma ignição. Um poderoso raio foi disparado em direção à Skarmory, que abriu suas poderosas asas metálicas e desviou do golpe.

— Ele é muito rápido! — Exclamou Ethan.
— Skarmory tem desvantagens em batalhas contra Pokémon elétricos. E contra Ampharos, eu não tenho muitos ataques efetivos. Então, eu tento ganhar na velocidade. Agora, Skarmory, Spikes!

A ave blindada, de suas asas, arremessou no chão pedaços afiados de aço que espalharam-se por todos os lugares e apontavam ameaçadoramente para Ampharos, que encolheu-se de medo.

— Eu odeio armadilhas... Ampharos não poderá se mover muito num campo minado assim... — Disse Ethan sério, examinando o chão ao redor.

Jasmine sorriu.

— Acho que estou começando a colocar você contra a parede.

Ampharos olhou para Ethan de forma aflita, como se buscasse socorro para sair dali sem se machucar.

— Se não podemos nos mexer, precisamos atacar de longe. Charge!

Das orelhas de Ampharos, uma carga de energia começou a ser produzida. Mas, diferente de ThunderShock, esta não fora arremessada em Skarmory. Pelo contrário, pareceu ser absorvida pelo Pokémon de Ethan enquanto faíscas amarelas rondavam seu corpo.

— Já que você já fez seu movimento... Skarmory, Night Slash!

Uma das afiadas asas de Skarmory brilhou num tom púrpuro. Ágil, Ethan não conseguiu ver direito o Pokémon de Jasmine disparar feito um relâmpago e atingir de forma precisa o peito de Ampharos, que foi derrubada em cima dos pequenos pedaços afiados de metal outrora arremessados.

— Ampharos! — Berrou Ethan ao mesmo tempo que seu Pokémon gritava de dor.
— Reaja, garoto! — Bradou Jasmine.

Ampharos ergueu-se do solo. Com algumas feridas e cortes causadas tanto pelo ataque de Skarmory quanto pela perfuração dos pedaços de metal espalhados pelo chão, o Pokémon não iria cair tão fácil assim.

— Ampharos, você está bem?! — Perguntou Ethan, com um tom de preocupação perturbador na voz.

Seu Pokémon acenou afirmativamente com a cabeça.

Night Slash de novo! — Ordenou Jasmine.
ThunderShock! — Gritou Ethan.

Skarmory veio rasante. Ampharos carregou uma poderosa energia e disparou para cima do oponente, que paralisou ao receber o choque super-efetivo e caiu com velocidade no chão.

— Skarmory! — Exclamou Jasmine.
— Vamos diminuir a velocidade dele! Cotton Spore!

Ampharos materializou grandes bolas de algodão e as arremessou em Skarmory. As bolas felpudas grudaram nas asas da ave prateada, em seu corpo e principalmente em sua cauda. Voar agora não seria tarefa fácil.
— Você ainda pode com ela, Skarmory! Night Slash de novo!
— Evasiva, Ampharos!

O Pokémon ergueu-se do chão, abriu suas enormes asas e partiu para cima de Ampharos. Mas, estranhamente, a grande velocidade estava diminuindo. As bolas de algodão se aglomeravam no corpo de Skarmory, tornando-o mais pesado. Fora que suas asas não tinham mais estabilidade no voo. Ao aproximar-se, viu Ampharos saltar e pular sobre suas costas.

Air Slash!
ThunderPunch!

Skarmory saiu voando pelo ambiente com Ampharos em suas costas, tentando atingi-lo com as asas afiadas e voando de ponta cabeça para derrubá-lo. No entanto, o Pokémon de Ethan agarrou-se ao pescoço do oponente e com a pata direita socou-lhe o dorso, derrubando-lhe mais uma vez no chão.

— Finalize com ThunderShock!

As orelhas de Ampharos começaram a acumular energia elétrica. Raios e relâmpagos saíram de seu corpo e foram em direção à Skarmory. O grande corpo de metal da ave era condutor mais do que o suficiente para a grande carga elétrica que o atingiu. Ele não aguentou o impacto e ficou ali mesmo, no chão, completamente nocauteado.

— Isso aí! — Comemorou o garoto, vibrando.
— Essa luta foi incrível. — Suspirou Jasmine, recolhendo seu Pokémon. — Skarmory não é um oponente fácil de se derrubar. Muito bem, eis o meu último Pokémon.

Quando a Líder do Ginásio liberou seu terceiro Pokémon, Ethan percebeu que subestimou a luta inteira o tamanho do lugar em que ele estava. Steelix, indomável, urrou, trincando a janela panorâmica do topo do Farol. Um Pokémon com seus possíveis cinco metros ou mais de altura vertical encarando o pequeno Ethan e seu Ampharos com seus ameaçadores olhos vermelhos.

— Este Steelix é a minha paixão. Eu o treinei desde que ele era um Onix. Depois que ele evoluiu, me inspirou a me tornar uma treinadora dos Pokémon tipo Metálico. Ele é seu último desafio nesta cidade. — Disse Jasmine.

Ethan encarou a poderosa serpente e precisou de alguns segundos para decidir o que fazer.

— Retorne, Ampharos. Você lutou muito bem. Preciso conhecer melhor as estratégias desse Steelix e eu não posso perder você por enquanto.

Ampharos concordou com a cabeça e caminhou para o lado de Ethan. O garoto sacou uma PokéBola.

— Sand, eu escolho você! — E arremessou a cápsula, liberando seu velho amigo.

Sandshrew espreguiçou-se e encarou seu mestre. Com um sorriso valente, olhou no fundo dos olhos de Ethan e o garoto sentiu confiança novamente. Sentimento esse que havia sumido de dentro dele nas últimas horas e que o preenchia como água quente em seu interior frio e depressivo.

— Steelix, Iron Tail!

A serpente de ferro ergueu sua poderosa cauda e atingiu Sandshrew na cara, sem piedade. O pequeno Pokémon, no entanto, tinha consciência de que, apesar da experiência e força de seu oponente, um gigante de ferro não poderia derrubar um rato do deserto.

— Sand, Rollout!

Sandshrew girou rapidamente ao redor do próprio corpo e partiu em direção à Steelix com velocidade. Porém, o rato do deserto logo percebeu que também não surtia efeito no gigante de ferro.

— Isso que eu chamo de luta equilibrada... Ninguém está em vantagem. Golpes do tipo Terra não funcionam em Steelix, muito menos os golpes elétricos. Nem Sandshrew, nem Ampharos podem ajudar você nesse momento. — Comentou Jasmine, com um sorriso sapeca ao ver a cara de Ethan, que transpirava tentando pensar numa maneira de controlar a batalha.
— Que falta me faz o Lava aqui... — Lamentou o menino.
— Steelix, Sandstorm!

Steelix rugiu. Lá fora, na praia, os grãos de areia começaram a se juntar e formar um redemoinho de areia que foi ficando cada vez maior. A tempestade de areia foi se intensificando e subindo cada vez mais pela estrutura do farol, invadindo a sala onde a batalha acontecia pela janela panorâmica, terminando de quebrar de vez os vidros que impediam os ventos da maresia de entrar ali. O ambiente rapidamente começou a se encher de areia e a visibilidade foi diminuindo cada vez mais.

— Sand, você consegue ver onde está o Steelix? — Gritou Ethan para o Pokémon.
Sand! — Respondeu afirmativo.
— Ótimo. Swift, agora!

Sandshrew encarou seu grande oponente e lançou contra ele centenas de estrelas douradas que não causaram nem cócegas em Steelix.

— Está na hora, Steelix. Rock Throw! — Pediu Jasmine.

O poderoso Pokémon bateu sua cauda no chão e fez as paredes tremerem. As grandes pedras que faziam parte da estrutura do Farol Cintilante começaram a cair em cima de Sandshrew. O chão começou a tremer.

— Jasmine, o que é que você tá fazendo?! — Perguntou Ethan, assustado.
— Não perca seu foco, Ethan! Venha com tudo! — As lágrimas escorriam no rosto da jovem. Ethan percebeu sua voz embargada. Ampharos, ao lado do treinador, ligou a luz em sua cauda. Ethan enxergou a silhueta da Líder de Ginásio como se estivesse cercada por uma aura de energia. Ela estava linda.

O garoto sentiu Ampharos puxar o tecido de sua camiseta. Ao olhar, viu que sua Pokémon chorava também. No entanto, ela sorria. E o encontro do olhar dos dois aqueceu o coração do menino.

— Muito bem então... Acho que tá na hora de descer o nível. Sand, Dig! — A voz de Ethan saiu poderosa, como se nunca na vida ele tivesse falado daquela forma antes. Como se sua voz tivesse sido enclausurada, presa em algum lugar desconhecido dentro dele mesmo. E as lágrimas que escorriam também de seus olhos não eram de tristeza, mas de alegria. Uma alegria que ele não sabia de onde vinha. Só sabia que era boa.

Sandshrew mergulhou no piso de madeira e cavou um buraco. Rachaduras começaram a se encontrar. A estrutura do local começou a se abalar e a tremer. Instantes depois, o chão desabou. Ethan, Jasmine, o grande Steelix e Sandshrew caíam em velocidade em direção ao térreo, onde estava a recepção vazia.

Steelix mergulhou para salvar sua treinadora. Ethan só viu uma enorme bola de luz o envolver.

Era o fim?

Quando o garoto abriu os olhos, viu que Sandshrew estava diferente. Tinha um focinho estreito, olhos azuis em forma de amêndoa e uma cauda grossa. Suas costas estavam cobertas de grossos espinhos afiados e castanhos que eram formados a partir de sua pele dura e seca e havia duas grandes garras nas patas e nos pés.



— Você... Evoluiu?! — Perguntou o garoto incrédulo, sacando a PokéDex do bolso do short.
“Sandslash, um Pokémon Rato. É a forma evoluída de Sandshrew. Na tentativa de se esconder, ele correrá na velocidade máxima para criar uma tempestade de poeira para se camuflar. Se ele escavar em um ritmo frenético, pode arrancar seus espinhos e suas garras. Eles crescem de volta em um dia.” — Informou o aparelho.
— Sua luta comigo ainda não acabou, Ethan. Recomponha-se! Steelix, Screech! — Exclamou Jasmine.

O imenso Pokémon ergueu-se em meio aos escombros e lançou um urro agudo, que desestabilizou Sandslash, que levou as garras aos ouvidos para tentar amenizar o impacto.

Rock Throw! — Ordenou Jasmine.

Steelix bateu sua cauda nos grandes entulhos de pedra ao redor e os arremessou na direção de Sandslash, que foi atingido e voou para uma das paredes próximas.

Para se livrar da armadilha de pedras, o Pokémon de Ethan fez brilhar suas garras e rasgou as pedras como se elas fossem feitas de papel. Correu então para a frente de seu treinador e se colocou novamente a encarar o enorme Steelix enquanto Ethan consultava a PokéDex.

— Esse é o Crush Claw? Caramba... Golpe novo! Mas eu não posso me distrair... Sandslash, use o Dig!

Sandslash mergulhou no piso e o destruiu enquanto cavava um buraco por debaixo da terra com suas poderosas — e novas — garras.

— Fique atento a qualquer movimento, Steelix! — Exclamou Jasmine.

Steelix colocou sua cauda no chão e começou a sentir as vibrações embaixo da terra. Quando sentiu a aproximação do oponente, olhou para sua treinadora.

Iron Tail! — Ela gritou.

Sandslash surgiu por debaixo e Steelix fez o movimento oposto com sua cauda, atingindo o Pokémon de Ethan, levando-o ao chão.

— Não desiste não! Dig de novo! — Ordenou Ethan.
— Quebre tudo com Iron Tail! — Disse Jasmine em seguida.

Sandslash mergulhou novamente. Steelix arremessou a poderosa cauda em direção ao chão quebrando-o o que restava dele. No entanto, Sandslash surgiu majestoso e atingiu a grande serpente de ferro.

— Finalize! Dig! — Berrou Ethan.

Sandslash saltou e colocou suas garras perfurantes na frente de seu corpo. Girando, entrou no chão. Ele então afundou-se no concreto e cavou alguns bons metros rumo ao subterrâneo da Cidade de Olivine. Virou seu corpo e agilmente fez o caminho oposto.

Steelix sentiu quando o oponente perfurou o chão. A força fez com que a enorme serpente fosse jogada para cima e caísse violentamente no chão graças à força da gravidade.

— Steelix! — Chamou Jasmine.

Quando a poeira abaixou, Steelix jazia no chão, inconsciente.

Ethan nem pode comemorar. O abalo causado pelo último golpe de Sandslash fez o que restava da estrutura do Farol Cintilante ceder. Só deu tempo de Ethan e Jasmine recolherem seus Pokémon à PokéBola e correrem junto com Ampharos para fora. Eles nem olharam para trás quando sentiram o farol vir abaixo completamente.

Metros à frente, Ethan e Jasmine olharam para onde se localizava o porto. Não existia mais nada. A única coisa, inexplicavelmente, que jazia intacta era o túmulo onde Amphy descansava.

— Bem, como Líder do Ginásio de Olivine, eu concedo a você, Ethan, a Insígnia Mineral. — Do bolso do casaquinho branco que vestia em cima do vestido azul, Jasmine retirou um emblema octógono de cor metálica.

Mas Ethan hesitou em pegar.

— Eu acho que não posso aceitar... — Disse o garoto.
— Por quê? Eu reconheço sua vitória contra mim.
— Mas... E o Farol? Por quê? — Questionou o garoto sem entender nada.

Jasmine sorriu.

— Foi a melhor forma que eu encontrei de recomeçarmos a vida. O antigo farol foi por muitos anos lar do Amphy... E já que ele não está mais aqui, e já que eu e você nos encontramos nele por causa do Amphy... Nada mais justo do que enterrarmos nossa tristeza junto com ele.

Ethan arregalou os olhos.

— É a nossa promessa. Nós vamos recomeçar, junto com o Farol Cintilante. Prometa pra mim que em hipótese alguma você vai se culpar por isso de novo. Que você nunca vai desistir de viver seus sonhos. Porque quando você prometer, eu também assim farei. — As lágrimas começaram a correr novamente pelo rosto de Jasmine.

Ethan então pegou a Insígnia das mãos da Líder de Ginásio e a abraçou apertado.

— Eu prometo, Jasmine. Eu prometo. — E começou a chorar também.

Aproximando-se devagar, Amy, Forrest e Ana apenas observavam em silêncio a cena, acompanhados da lua e das estrelas. Principalmente uma que brilhava demasiadamente forte no céu aquela noite.



“Se um veleiro repousasse na palma da minha mão,
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre rumo ao meu coração.
Meu coração,
A calma de um mar que guarda tamanhos segredos
De versos naufragados e sem tempo

Rimas, de ventos e velas,
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando contra o cais.”

(Porto Solidão, Ginko/Zeca Bahia)



TO BE CONTINUED...









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    1. Okay, agora é a hora do comentário de verdade

      '' — É por isso que você utiliza Pokémon do Tipo Pedra? Exceto por bons Pokémon do Tipo Água, eles não são tão fáceis assim de derrubar. ''

      E lutadores..., e grama..., e terra..., e metal..., cinco fraquezas, empatado com o tipo grama como o tipo com mais fraquezas, Amy só não queria partir o coração do Forrest (Pelo menos Pedra é um dos melhores tipos ofensivos)

      Okay, Jasmine x Ethan atual shipp de AeJ, os sentimentos desses dois estão numa sincronia tão grande, pena que a Jasmine provavelmente será jogada no limbo dos personagens secundários (Ou será que não?)

      E caramba, o Ethan já está com 6 insignias em 40 episódios, eu sei que o motivo disso é que os ginásios de Johto são próximos, por causa que depois ainda tinha a região de Kanto, mas o menino está crescendo com velocidade (E traumas)

      A evolução do Sandshrew teve um ótimo time, numa das lutas mais importantes do Ethan, sendo ele um dos mais importantes pokémons do mesmo (Mesmo ele não sabendo disso, Gold seu salafrário)

      E é isso, melhor retorno impossível, luta de ginásio, desenvolvimento de personagens, a ideia de derrubar o farol, no caso, inovar a história do jogo para fazer algo importante na narrativa e é isso, até a próxima





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    2. Yo, Donnel!

      Você conhece os personagens melhor que eu! Amy às vezes se permite ser um doce de pessoa e evita magoar os amigos. Só às vezes. Hahaha.

      Comentei com o Sigert que não tive intenção de fazer Ethan e Jasmine shippáveis. Tem certas coisas que a gente inventa que não dá certo, não funciona. Ver que a química dos dois personagens funciona tão bem, e que Jasmine foi aceita tão bem por vocês, leitores, me deixa feliz e satisfeito. Como todos os personagens secundários, eles, hora ou outra acabam aparecendo. Claro que estamos quase fechando o arco da Jasmine na nossa história, mas nunca descartei possíveis retornos dos personagens que já apareceram, seja Líderes de Ginásio, rivais ou personagens que não se sabe muito bem sobre quem são eles (como Sunny, a então treinadora do Nidoran do Ethan). Tomara que a Jasmine volte. Será que a Amy pode desenvolver algum tipo de ciúme? Não me pareceu que elas se veem como rivais. Mas nenhuma das duas também pareceram demonstrar algum tipo de crush ou paixão pelo jovem Ethan... Vamos ter que esperar pelos próximos capítulos. Também estou ansioso!

      Seis insígnias! Não tem muito o que enrolar, né? Juro que eu tento! Mas a história flui tão naturalmente que ela mal dá brechas pra escrever fillers e atrasar as batalhas de Ginásio. Mas, é como você disse: As cidades de Johto são bem próximas. Kanto pode não aparecer aqui (porque é a região da Star), mas em 40 capítulos avançamos um bocado. Será que teremos pano pra manga o suficiente pra mais 40? Tomara que sim! Mesmo que AeJ não esteja programada atualmente pra chegar nos 100 capítulos na história principal (como o AeS), mas vamos tentando levá-la da melhor maneira possível, tentando sempre evitar que AeJ termine no capítulo 50! Kkkkk.

      A evolução de um Pokémon é sempre difícil de se escrever. Principalmente quando é o caso do Sand, um Pokémon que está com o Ethan desde o começo da história. Então você tentar sempre não forçar uma evolução, tentar nem fazer ele evoluir cedo demais e nem tarde demais, é um desafio. Me alivia saber que a evolução dele (e também do Ethan) fluiu naturalmente na história e veio em ótimo momento!

      Fico feliz por todo o feedback e por você sempre estar presente por aqui. Muito obrigado, por tudo! Espero que você continue acompanhando o AeJ, ainda tem muita história pra contar! :)

      See ya!

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  2. Começar com o enterro do Amphy. Pesado... Mas eu não poderia perder esse capítulo por nada!

    Devo dizer, ótima conversa entre Forrest e Amy discutindo o que fazer no fim da jornada. Minha experiência com Sinnoh diz que nossos personagens discutem isso em algum momento, como se eles conversassem conosco: "Ei, o que acha que vai rolar quando tudo isso terminar?" É um desabafo, sabe? Uma cena que fala muito sobre seu desenvolvimento como escritor do Aventuras em Johto. O que vai acontecer quando terminar?
    Inclusive, é engraçado perceber como Ethan os ultrapassou como treinador, mas não significa que ele tenha amadurecido mais, tanto que tivemos um capítulo inteiro para explorar essa fraqueza.

    Fico feliz que a Jasmine tenha tido tantos momentos fora da batalha. Nunca fui um grande fã de ginásio (mas ainda são infinitamente superior aos contests kk), para mim nada supera um bom diálogo num café e foi exatamente isso que você fez, obrigado! kkkkkk Ela é uma das minhas figuras favoritas em Johto e você deu cada minuto de atenção possível para torná-la um grande desafio.

    A cena entre Ethan e a recepcionista foi muito poderosa, mais do que eu esperaria para uma personagem secundária. Como comecei a acompanhar Johto do zero, pude perceber com mais clareza esses personagens que não se espera nada deles e de repente se destacam Você percebe que o protagonista é forte quando ele pode contracenar com qualquer personagem e a cena fica boa. Você caprichou em cada descrição aqui, obrigado por essa cena impactante, Ana!

    Falou do coração, agora Jasmine pegou pesado kkk Sabe, sempre preferi batalhas de ginásio em lugares inesperados, sem aquelas apresentações e todo blá blá blá de começo de batalha. Eu achei que você tivesse escolhido o farol como um mero cenário porque gostava do ambiente, mas não percebi sua intenção até o fim. O encontro do Luke com o Volker em Sinnoh no farol terminou em briga, Luke jogou a insígnia fora porque a achava indigno de tê-la, ver Ethan recusar sua insígnia exatamente num farol também significou muito para mim.

    Essa luta começou sem trilha sonora, mas aos poucos tornou-se eletrizante, mesclando a tristeza e o luto da partida de Amphy com o avanço de Ethan e seu time como protagonista e treinador. A destruição do farol foi uma linda lição, porque no fim não podemos parar a vida após uma perda, mas nos apoiaremos nos alicerces de nosso passado para continuar seguindo. Meus parabéns, você entrou na marca dos 40 capítulos com grande mérito!

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    1. Yo, Canas!

      Amy e Forrest. Acho engraçado que a gente sempre se pergunta o que vai acontecer no fim da história. Será que seremos abduzidos por alienígenas? Enfrentaremos o Dia do Juízo Final? O Apocalipse? Existe vida após a morte? Acho que são perguntas fundamentais para a existência da humanidade, seja ela ficcional ou não, porque dá um sentido em tudo o que fazemos, afinal das contas.

      É interessante notar como AeJ tem esse tipo de coisa... Personagens como Amy e Forrest, que tem objetivos bem diferentes, mas que acabam se complementando. E acho bastante produtivo eles se tocarem de que muito tempo se passou e quase nada da parte deles foi feito... Agora resta saber se eles vão tomar coragem de sair da zona de conforto deles.

      Jasmine: Fico feliz de ter feito dela uma personagem assim. Afinal, foi em A Gym's Leader Life que a gente aprendeu que Líderes de Ginásio não são aquelas máquinas prontas para desafios 24 por dia. Trazer humanidade pra esses personagens é um desafio, e imaginar que o trabalho é bem feito me deixa satisfeito. Melhor ainda é criar uma batalha de Ginásio que acontece um pouco fora das regras. Isso quebra conceitos e acaba surpreendendo mais, né?

      Ah, a Ana... Jamais poderia deixar ela de fora desse arco. Mesmo que seja apenas uma recepcionista, ela tem sua cota de crédito no desenvolvimento desse arco, né? Ela mostrou a que veio e aparentemente fluiu muito bem na história, até ganhou um elogio seu!

      Como comentei com o Sigert, às vezes "descer o nível" é necessário. Batalhas de Ginásio são um ponto importante dentro de qualquer universo Pokémon que envolva batalhas. E fugir dos padrões, como você falou, é algo legal, porque me desafia. E se desafiar é arriscado, você acaba surpreendendo os leitores que cada vez mais vão querer mais inovações. Em seis batalhas de Ginásio, fazer uma batalha dessas que, é uma batalha de sentimentos e, além da insígnia, Ethan ganha amadurecimento. E não é fácil amadurecer, né? Acho que a sua colocação sobre o Farol Cintilante resume muito bem tudo isso. E que bom que isso ficou claro.

      Só tenho a agradecer você pelo apoio até hoje. Espero que eu sempre consiga estar te surpreendendo, assim como você sempre fez comigo! =)

      See ya!

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  3. Yooooo Dento,Quanto tempo cara,fazia um ano que não tinha capítulo do AeJ (sim estou fazendo piada de ano novo em fevereiro)
    Okay,esse episódio não foi tão triste quanto o episódio passado já que esse era como uma aceitação do Ethan sobre a morte que não foi culpa dele,mas ainda é muito triste ver o enterro e eles tentando seguir em frente em uma batalha que é muito mais do que uma simples batalha por uma insígnia
    Tivemos o momento da Ana que foi surpreendente acho que ninguém esperava que ela tivesse uma participação importante nesse capítulo,mas ainda assim ela mostrou que não é porque um personagem está ali,mas não tem tanto destaque,ela não pode se desenvolver e mostrar que também é importante pra história
    E vamos a batalha,e que batalha foi essa cara?Foi ótima,teve evolução,teve sentimento,teve ginásio destruído,durante a batalha eu tava tipo,eles tem algum problema e não percebem que estão destruindo o ginásio pouco a pouco primeiro foi só alguns vidros,depois começaram a cavar e depois mandaram um Steelix dentro do farol,um Steelix no farol,tem alguma chance de não dar errado?Mas depois é revelado que eles realmente não se importavam de destruir o ginásio,porque o ginásio era algo que os prendia ao passado,que poético,poético e insano já que eles destruíram o ginásio com eles dentro dele,mas não foi só destruição tivemos também evolução,que eu já esperava porque todo mundo já evoluiu e o sand fica ali sem evoluir tadinho
    Acho que é isso talvez eu tenha esquecido de comentar algo talvez,talvez eu não comentei o shipp de jasmine e ethan de propósito já que eu acho que eles são mais amigos do que um shipp talvez
    Ótimo capítulo cara,parabéns pelos 40 capítulos,parece que foi ontem que estávamos no capítulo um com tudo começando no AeJ

    See Ya!

    Ps:Ethan já tem 6 insígnias,eu já disse que parece que foi ontem que ele tava começando a jornada dele?

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    1. Yo, meu grande amigo Dark!

      Fico feliz por mais uma vez você estar presente aqui.

      Feliz ano novo! Acabou o carnaval, então agora o ano tá começando no Brasil mesmo. Hahahaha

      Pois é, esse capítulo ainda mantém a essência do anterior. O desenvolvimento dos personagens continua valendo e acredito que eu não poderia perder o fio da meada, como dizem. Então, eu gosto muito desse capítulo, porque ainda que seja uma sequência, continuação do 39, ele por si só fecha um plot próprio: A depressão de Ethan sobre a morte de Amphy. E espero que eu tenha conseguido passar isso. Bem, como eu sei que você sempre é sincero, está mais do que comprovado com esse seu comentário que eu cumpri o objetivo. =D

      Todos os personagens voltam! Eu nunca (ou quase nunca) esqueço deles. Principalmente personagens assim, como a Ana, que pode surpreender como ela fez. Quando a gente trabalha com histórias conhecidas, como a de Pokémon, e faz algo baseado em um jogo que todo mundo já jogou e conhece de cabo a rabo, a gente acaba ficando limitado, porque todo mundo já fez tudo. Então, a gente tenta inovar da melhor maneira possível. E a minha é exatamente essa, tentar surpreender com o relacionamento entre os personagens, assim o leitor é pego de surpresa.

      Que batalha inusitada, né? Com certeza é minha favorita. Eu não podia deixar de fazer algo ao mesmo nível do arco inteiro. E, como brinquei com o Shadow, o negócio foi DESCER O NÍVEL nessa batalha. Nada é por acaso em AeJ. Nem as rachaduras. kkkkkkk

      FINALMENTE A EVOLUÇÃO DO SAND! Eu tava morrendo de ansiedade pra que isso acontecesse logo! É se aproximando da Liga Pokémon que a evolução e o crescimento do time de Pokémon do Ethan começa a aparecer. Johto é uma história curta (grande parte do desenvolvimento dela está em Kanto também, mas não teremos essa parte aqui), eu não consigo fazer capítulos de treinamento e etc. Não que capítulos assim não sejam importantes, mas podem ser tediosos. Prefiro focar em desenvolver os personagens (Pokémon inclusive) e nesse meio tempo tentar acertar esse defeito.

      Que bom que você conseguiu pegar a essência por trás de Ethan e Jasmine. Eu tava quase apanhando! kkkk Mas eu imaginei isso mesmo pra eles... Nem sempre o amor significa algo passional. E fico feliz por abordar esse tipo de coisa. Todavia, eu continuo amando esses dois demais. ♥

      Bom te ver, como sempre! Não suma, assim como eu também não sumi. kkkk

      See ya, man!

      PS: Celebi levou você para o futuro. Essa é a verdade, Ethan ainda nem saiu de New Bark!

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  4. Masterpiece!

    Cara, o que foi que aconteceu aqui? Que batalha! Poucas vezes vi uma batalha de ginásio tão impactante. O significado por trás a tornava um desafio muito mais difícil para o Ethan, e para a própria Jasmine!

    Ampharos batalhando ao lado de Ethan, quanto tempo levamos discutindo isso? Mas como eu suspeitava, ficou épico! Cara, eu não sei descrever a batalha em si de outra forma, porque já conversamos tanto sobre que qualquer coisa que eu diga aqui será repetido. Mas as cenas foram fortes, agressivas, deu pra sentir que todos ali estavam no limite!

    No fim das contas, é como se Ethan e Jasmine tivessem renascido. AEJ nunca mais será a mesma depois do que ocorreu em Olivine. Mas isso tem seu lado bom, claro! Mal posso esperar para o que vem pela frente.

    No mais, um último ponto a comentar:

    VOCÊ DERRUBOU A P**** DE UM FAROL!

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    1. Yo Shadow!

      Eu AMO batalhas de ginásio. Eu sempre me esforço pra fazer uma batalha diferente da outra. Mas essa foi bastante especial, ela fugiu totalmente dos padrões. Mesmo que o Ethan ande coletando as insígnias, eu jamais poderia fazer, durante a construção do personagem, que isso se tornasse o objetivo de vida dele. A luta contra Jasmine já vem sendo adiada a tempos, desde o Capítulo 32. E agora, após a morte de Amphy, como fazer ela batalhar? Não tem como! Eu precisei refletir muito pra poder escrever esse capítulo, confesso. E eu fico feliz que eu tenha feito essa batalha de uma forma natural, que não tenha dado a impressão de que Jasmine estava pouco se importando com a morte de seu Pokémon favorito, afinal, seu trabalho de Líder de Ginásio é mais importante. Usar essa batalha como motivação pros dois foi algo que apareceu enquanto eu escrevia. Bem que eu queria poder te dizer de inspirações que tive pra fazer, mas os próprios personagens resolveram que assim seria e respeitei seus desejos e vontades. Como autor, imagino que você também tenha momentos assim, então espero que você me compreenda como ninguém nesse sentido.

      Ampharos e Ethan, juntos, foi a melhor forma de dizer adeus aos laços tristes que emendavam os dois e uma nova forma de recomeçar, juntos, a vida. Darem-se uma chance de crescerem juntos com a dor e tirar as melhores coisas dali. Flaaffy não teve momentos épicos com o Ethan desde que foi capturada (já pensando nesse propósito), então foi uma forma pessoal de me redimir e dizer que o papel dela é importante, e realçar os laços dela com o Ethan foi fundamental até pra eu mesmo poder terminar de contar essa história da melhor forma possível. Afinal, essa história tão triste, no fim das contas, pode ter sim um final feliz.

      E Ethan e Jasmine eu já não tenho o que falar deles. De verdade, foi uma das químicas que surgiram assim, de repente. Quando eu vi, os leitores estavam debatendo sobre o futuro dos dois sem eu querer que fosse o objetivo. Eles se tornaram dois queridos pra mim, e eu não imagino AeJ sem eles. Mesmo que ela seja uma personagem que está ali para testar o poder de Ethan, incentivá-lo a subir ainda mais a escada da Liga Pokémon, ela fez bem mais que isso: Ela transformou ele completamente, de corpo, alma e coração, e podemos dizer que existe o Ethan pré- e pós-Jasmine. E é muito bonito e muito legal quando alguém faz isso pelo outro. O amor entre eles, por mais que não tenha nenhum tipo de atração, como é a moda, acaba sendo puro, acaba fazendo com que a ligação deles seja realmente muito forte. E se Amy e Forrest tem um grande lugar no coração do nosso herói, a Jasmine com certeza tem uma outra porcentagem muito grande a partir de agora.

      Eu, sinceramente, espero não ter decepcionado você em nada nesse arco, que é um dos meus favoritos da história. E ver que você se empolga de falar dele é uma coisa que já me causa sorrisos e me faz suspirar, com aquele alívio de dever cumprido!

      Ah, e é claro, como toda boa história, A GENTE DEVE DESCER SEMPRE O NÍVEL! Mesmo se for o que sustenta um farol de vários anos, importante para o porto da cidade. Acontece, eu acho. HEUHEAUEAHUAEHEUEAH


      See ya!

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  5. Dento, gostei do capítulo, mas não teve beijo, nem tocada de piano! Zonas sobre a última, foi mal.

    Cara, gostei bastante da batalha, foi bem "ágil" o modo como você escreveu a descrição das cenas, trazendo movimento a esse capítulo.

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    1. Yo, Sir!

      O capítulo não teve espaço pra cenas românticas, me desculpe por isso. Mas, pelo menos tentei caprichar na batalha e em todos os significados dela, principalmente nos motivos que a levaram para ser assim. Fico muito feliz que eu tenha conseguido fazer isso de uma forma natural, sem ter forçado a barra em qualquer sentido. Espero continuar com o bom trabalho nas próximas batalhas!

      Espero que continue curtindo!

      See ya!

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