Posted by : Dento Sep 5, 2019





A fumaça que saía da ponta do cigarro que Archer tragava formava desenhos de linhas sem formas na curta duração de sua existência antes de o vento o apagar para sempre e levar o cheiro da nicotina para alguns metros adiante. Ele permanecia calado, sem se importar direito sobre onde ele estava naquele momento ou com o terno, outrora perfeitamente alinhado, agora sujo, rasgado e chamuscado. Apesar do sol já ter nascido, ele não se sentia disposto para o novo dia. 

Vez em quando, olhava de relance para Beliel, que agora mantinha os olhos vendados por um pano branco. Perdera sua visão na última batalha. Simples assim, fácil como tomar doce de criança. O Pokémon, no entanto, parecia não reclamar de forma alguma. Ainda atrapalhava-se de ter de usar seus demais instintos, como olfato e audição, mas jamais saia do lado de seu mestre. 

A cada tragada no cigarro, Archer suspirava. 

— Um Pokémon cego. O que eu vou fazer com um Pokémon cego? 

Beliel não esboçara nenhuma reação, apesar de estar próximo de seu mestre e obviamente ter ouvido o desabafo, sua missão de vida era protegê-lo. Mesmo sem a visão, ele continuaria a dar sua vida no lugar de Archer se preciso fosse. 

Archer deu a última tragada no cigarro e jogou o resto do filtro fora. Colocou as duas mãos dentro do bolso e sentiu um pedaço de papel no lado direito. Retirou-o e o olhou, era um pedaço de embrulho que Archer desfez cuidadosamente, logo notando que dentro dele havia um pedaço de garra; a garra do maldito Dragonite de Lance. O homem ficou alguns segundos encarando aquele pedaço de presa refletindo e pensando se o jogaria fora. 

Giovanni havia morrido. Seu Pokémon estava cego. A Equipe Rocket, cada vez mais, se aproximava do seu fim trágico. Muitos questionamentos passavam pela cabeça de Archer, que voltou a embrulhar o pedaço de unha e guardá-lo no bolso. 

Beliel o seguiu quando ouviu os passos de seu mestre se afastarem dele. 

*** 

O monitor mostrava frequências reguladas de batimento cardíaco através de bips sonoros. Entubado, Pryce não aparentava melhoras. Seu estado clínico se agravava devido à idade do homem, já idoso, e os graves ferimentos que ganhou no corpo pela explosão na noite anterior. O Líder de Ginásio arrebentou sua coluna no violento impacto contra o chão. 

Uma bela moça loira jazia de pé ao lado da cama onde Pryce se encontrava. Seus cabelos, perfeitamente arrumados em um rabo de cavalo preso com uma presilha que tinha o formato de uma Butterfree na cor azul, era apenas um mero detalhe comparado à extrema beleza da jovem que, mesmo com os olhos inchados de quem chorou por muito tempo, ainda realçavam a jovialidade de seu rosto. Ela não devia ter mais que vinte anos e olhava para o enfermo com um enorme pesar. Ao seu lado, Katherine que, talvez pela primeira vez em sua vida, não esboçava nenhuma reação de ódio ou desprezo ao olhar para o homem. 

As respirações das duas mulheres se misturavam aos bips sonoros que saíam do monitor. 

— Se esse homem não fosse tão teimoso... — murmurou Katherine, num sussurro indignado. 
— Você conhece bem o vovô, vó... Ele só fez o que acreditava ser correto. 
— Ele quase se matou por causa dessa cidade idiota, Julia! — exclamou Katherine para a jovem, que a olhou pedindo silêncio. 
— Não se exalte, vovó, há outros pacientes nos quartos ao lado. 
— Eu vou tomar uma água. 

Katherine saiu do quarto apressada deixando Júlia sozinha com o velho Pryce. Alguns minutos se passaram quando a porta abriu-se novamente, revelando Vivian Chevalier entrando de uma forma mais cautelosa do que de costume. A garota estava visivelmente abatida, olhava arregalada para a cama onde Pryce descansava e não pôde evitar que lágrimas escorressem de seu rosto. 

— Ju-chan... Por que isso tinha que acontecer com o vovô...? 

Julia levantou-se e dirigiu-se até Vivian, dando-a um abraço com ternura. Ela amava a garota como se fosse sua irmã. Afagou os cabelos de Vivian e conseguiu dar um sorriso meigo, como sempre fazia. 

— Ele vai ficar bem.  
— Você promete? — perguntou Vivian. 

A resposta veio de forma tão inocente quanto aquela pergunta. 

— Eu prometo. — O sorriso permanecia em seu rosto. 

As duas se abraçaram, depositando todas as esperanças que tinham no amor que compartilhavam uma pela outra. 

— Você também acha que a vó e o  vão parar de brigar um dia? 

Julia gargalhou de forma abafada enquanto se retirava do quarto do hospital, conduzindo Vivian consigo. 

— Eu acho que é uma forma que os dois têm de mostrar que se amam. 
— É uma forma estranha de demonstrar isso, não acha? 
— A vó e o  se tratam assim desde que se conhecem, Vivi. E mesmo com a história de um traiu o outro, eles nunca se largaram. Na verdade, eu acho que é só vaidade dos dois, ninguém traiu ninguém. Eles só se amam brigando. 
— Por que acha isso? 
— Essa história tem quarenta anos. Nem o  e nem a vó se casaram com outras pessoas durante todo esse tempo. Eles vivem em cidades diferentes, mas a vó sempre dá um jeito de fazer ele ir pra Azalea de vez em quando. As pessoas têm maneiras esquisitas de amar. Quando for mais velha, você vai entender isso. Afinal, você também vai arrumar um namorado. 

Vivian fez uma cara de nojo. 

— Eu hein? Pra agir que nem o  e a vó? Tô fora, Ju-chan! Eu sou auto-suficiente! Seja lá o que isso signifique.  

*** 

As águas calmas do Lago dos Magikarp tocavam as margens da Rota 43. A imprensa agora chamava o grande lago de “Lago da Fúria” devido os acontecimentos de uma semana atrás e que ainda causava burburinho na cidade inteira. Forrest e seu irmão Brock permaneciam sentados encarando o céu azul que insistia em brilhar, apesar do vento indicar a vinda de uma possível tempestade mais tarde. Brock ficou sabendo de tudo o que aconteceu até então sobre a jornada do irmão, ouvindo atentamente cada detalhe. Do encontro com Ethan e Amy à batalha contra Argenta, nada foi esquecido. 

— Vejo que você cresceu bastante desde que saiu em jornada, tenho até medo de você já ter habilidade o bastante pra assumir o Ginásio de Pewter em meu lugar — comentou Brock, rindo. 

Forrest devolveu o sorriso. 

— Bem que eu queria, mano, mas sei não. Eu ainda tenho muito o que evoluir. Minha meta agora virou derrotar a Argenta. Só assim eu serei capaz de assumir o Ginásio, vou treinar duro até o dia da minha revanche. 

Brock afagou os cabelos do mais novo. 

— Fico feliz em saber que você evoluiu como treinador. Você não é mais aquele pirralho que me importunava por uma batalha, você está fazendo as próprias e isso é muito bom. Só tenho de lhe desejar boa sorte. Conte comigo para o que precisar. 
— Obrigado, mano. 

A tarde continuava a chegar serena como as águas que tocavam as margens da Rota 43. Brock e Forrest continuavam a trocar sorrisos, orgulhosos um pelo outro. 

*** 

Outro flash. Era provavelmente o centésimo que Lance via em menos de um minuto e não diminuía sua tensão, pelo contrário.  As mãos estavam estendidas sobre a bancada e sua respiração ofegante era captada pelas dezenas de microfones que havia em sua frente. Também sentados, os demais integrantes da Elite 4, todos reunidos encarando uma massa de repórteres dentro do Ginásio de Mahogany, onde uma coletiva de imprensa estava sendo feita. O campeão estava no meio, entre os demais quatro treinadores, e era ele o responsável por anunciar as notícias que todos ansiavam. 

— Boa tarde. Solicitamos esta coletiva para informar sobre o acontecido na última madrugada na Cidade de Mahogany. A inteligência da polícia juntamente com os esforços da Elite 4, Líderes de Ginásio e alguns treinadores excepcionais já estava de olho nas movimentações da organização criminosa denominada “Equipe Rocket”, acompanhando de perto cada planejamento de seus planos. Graças a isso, nós descobrimos seu quartel-general subterrâneo que eles usavam com base de operações aqui nessa cidade. A explosão que interditou boa parte da entrada para a Rota 44 foi de uma armadilha plantada pelos Rockets, que autodestruíram sua base e, infelizmente, acabou atingindo Pryce, o Líder de Ginásio que nos prestava apoio. Seu estado é grave e ele está sob tratamento médico. A Liga Pokémon está fazendo tudo o possível para que o melhor tratamento seja utilizado para que logo a cidade possa ter seu amado líder de volta à ativa. 

Um falatório começou a se estender. Vários repórteres faziam perguntas simultaneamente, até que Koga apontou para um deles. 

— A explosão atingiu a Equipe Rocket? Seus integrantes estão mortos? 
— Alguns capangas acabaram morrendo na explosão, sim, mas seus executivos fugiram. A explosão acabou por impedir que a Equipe Rocket continue a utilizar seus equipamentos e tecnologias, mas não estamos medindo esforços para caçar e prender todos os integrantes desta facção — respondeu o ninja. 

Mais um falatório. Lance apontou para uma segunda repórter. 

— Tivemos acesso à informação de que uma das pessoas suspeitas de matar Giovanni em Ecruteak já foi integrante da Equipe Rocket. Seu nome é Amanda Green e ela está trabalhando com Red Fire. Isso procede? Onde ela se encontra? Houve algum tipo de retaliação? Onde está o senhor Red no momento? 

Lance pigarreou e hesitou alguns instantes antes de responder. 

— Amanda Green é uma treinadora infiltrada habilmente treinada que nos auxiliou nessa caçada aos Rockets. Sua atual localização é um segredo de Estado devido à ameaça que pode vir a receber dos executivos foragidos da Equipe Rocket. Não podemos informar sua relação com Red Fire, mas ele também está do nosso lado, como vocês devem saber. A única retaliação que nós queremos evitar é justamente da Equipe Rocket. A polícia e os treinadores que auxiliam a Elite 4 e o governo estão tomando o maior cuidado para que a população não corra riscos. 

Outro falatório. Mas não se soube qual foi a próxima pergunta feita. Um silêncio repentino calou imediatamente todas as vozes que estavam presentes no Ginásio. 

Amy permanecia segurando o controle do televisor na mão olhando para a tela preta que agora nada exibia. Apesar do silêncio do quarto do Centro Pokémon em que estava hospedada, um turbilhão de pensamentos barulhentos tirava sua concentração e a faziam respirar de forma descompassada. 

— Você não está pensando em cometer nenhuma loucura, não é? — perguntou Red, a única companhia de Amy naquele instante, sentado em uma das poltronas no quarto, olhando atentamente para a garota. 
— Eu não confio em você e em ninguém mais. Você sabia o tempo todo dessa história do Giovanni ser meu pai e nunca passou pela sua cabeça me deixar informada sobre esse pequeno detalhe. Melhor continuar se fazendo de desentendido e sumir da minha frente. 

Red coçou a sobrancelha direita com o dedo anelar e respirou fundo. 

— Se você se olhasse no espelho agora, veria o motivo de eu não ter te contado. Você está perdendo o controle, Amy. Às vezes eu tenho a impressão de que aquelas ondas de rádio que a Equipe Rocket usava para controlar os Pokémon afeta o temperamento dos humanos também. 
— Não é hora pra piadas! — Amy arremessou o controle na direção de Red, atingindo-o no rosto. — Peça pra Arceus nunca te permitir passar anos da sua vida acreditando em uma realidade de mentira. Não me analise, não tenha qualquer impressão sobre mim e não tente adivinhar o que se passa pela minha cabeça! 

Red levantou-se com ignorância e partiu para cima da garota, segurando-a pelo pulso. 

— Eu perdi mais nisso tudo do que você, AmandaVocê perdeu uma vida inteira e eu perdi a minha vida. A Equipe Rocket me causou muito mais do que apenas frustrações. Você ainda tem a chance de recomeçar, então, por favor, pela dignidade que ainda deve sobrar em você, tome alguma atitude e — 

Amy não deixou o garoto terminar o sermão. Deu-lhe um soco no rosto tão forte que a visão de Red escureceu. 

— Isso foi por você ter me visto pelada e sendo humilhada. E por ser um babaca. Não me venha dar lição de moral, sua única motivação está protegida longe daqui. Eu perdi a minha vida e sequer sei onde vou recomeçar tudo isso. Me deixa em paz! 

A garota virou as costas e saiu do quarto. Red não tentou impedi-la, apesar de este ser seu dever. A raiva era tanta que ordem nenhuma de Lance o faria cogitar impedir que Amy se matasse se assim ela quisesse. 

Pela janela do quarto que dava para o corredor, Ethan viu Amy passar como um furacão em direção à escadaria que dava para o andar inferior do Centro Pokémon. O garoto se apressou em abrir a porta. 

— Ei, Amy! Aonde é que você vai? 

Amy aparou abruptamente e apontou para o garoto com o dedo indicador. A feição séria assustou o garoto. 

 Eu tenho uma pergunta pra te fazer. Quem você ama de verdade, a Amy fugitiva da Equipe Rocket ou a assassina trambiqueira que assassinou o próprio pai? 

Ethan engoliu em seco. 

— Q-quê?! Como assim, que história é essa?! 

Amy abaixou a mão e virou-se de costas. 

— Defina melhor as suas prioridades pra saber pelo que você luta. 

A garota saiu correndo enquanto Ethan permaneceu estático. 

— Você é um idiota, cara. — Ethan ouviu Red dizer antes de fechar a porta do quarto. 

Ethan correu avançando em direção à saída do Centro Pokémon quando ouviu a Enfermeira Joy chamar seu nome. 

— Senhor Ethan, seus Pokémon já estão em perfeito estado de saúde! — sorriu a enfermeira colocando uma bandeja com seis PokéBolas em cima do balcão. 

O garoto não parou de correr. Olhou para a enfermeira e, antes de sair pelas portas automáticas, soltou uma frase que a deixou constrangida. 

— Eu não tenho tempo pra isso agora! 

Sua voz ecoando pela recepção foi o último rastro que sobrou de Ethan. Ao sair para o lado de fora, viu Amy montada em sua Pidgeot e desaparecendo pelo céu. 

*** 


Amy sentia um gélido vento soprando por todos os lados. No cume da enorme montanha que fazia de morada a Cidade de Mahogany e os limites da Rota 44, uma caverna dava as boas vindas para a treinadora, que hesitava na decisão de entrar ou não em seus domínios. A garota via neve e imaginou que dentro da caverna fazia muito frio — muito mais frio do que ela imaginou um dia. 

A Caverna de Gelo era famosa por ter morando dentro de si Pokémon do tipo Gelo que, devido aos seus poderes, tornavam a temperatura da caverna mais baixa do que o natural. Todos os treinadores que ali passavam carregavam consigo um casaco para suportar as baixas temperaturas, mas Amy sequer havia pensado em trazer um consigo e havia-se a certeza de que era proposital. A garota tirou seu chapéu da cabeça e junto à sua bolsa, onde todas as suas PokéBolas se encontravam, o depositou gentilmente no chão. Sentiu a espinha tremer quando sentiu o vento frio tocar seu rosto, mas prosseguiu seu caminho para dentro da caverna. 

A cada passo que dava, mais um frio lancinante parecia cortar a pele de Amy como uma faca afiada. Ela apertava os braços e espirrava cada vez mais forte. Seu hálito formava uma nuvem de calor e se dissipava da boca através do ar. A menina tremia por inteiro, mas ela já não sabia se era pelo frio ou pelo medo que assombrava a sua cabeça. 

Ariana tinha razão. Ela havia cometido o crime imperdoável de matar o próprio pai. Por mais que negasse veementemente sua ligação com os Rockets, ela agora era pior do que eles e havia uma ligação de sangue com eles. Talvez Amy não fosse mais tão digna assim de continuar vivendo. 

Uma falha no chão congelado fez Amy tropeçar e cair de quatro, instintivamente jogando as duas mãos no chão para amortecer a queda. Seu corpo avançou alguns centímetros à frente e uma forte dor na mão — que ela não sabia se era devido ao frio, apesar de pouco se importar — a fez gemer baixinho. Ao olhar para as mãos, sangue. O gelo manchado, a pele rasgada, tudo fazia parte de uma imensa fragilidade que só agora ela percebia que tinha. Do que adiantava ter passado anos fingindo ser forte, invencível, se agora ela se encontrava acuada, sem saber o que fazer? 

Esse era o ponto: Sua vida havia sido uma mentira. Ela não podia confiar em mais ninguém, todos mentiam pra ela e agora chegou ao ponto de ela mesma ser uma grande mentira de si própria. Havia chegado a hora de acabar com aquilo tudo. 

Ela não sentia mais seus membros que estavam dormentes, mas continuava a caminhar sem rumo dentro da caverna fria. Quanto mais a garota avançava, mais sua visão ficava turva. Os espirros ficavam cada vez mais constantes e fortes, seus lábios estavam numa coloração azulada e sua pele ficava cada vez mais pálida. Amy lentamente caminhava em direção a um buraco no chão onde havia água líquida ao fundo. Ela perdera completamente a sensibilidade dos dedos e também a vontade de viver. 

A garota olhou para o seu reflexo na água e não se reconheceu. Sentou-se na borda do buraco e ali permaneceu por alguns segundos. Treinadores Pokémon convencionais desviariam facilmente daquele buraco no meio do caminho, mas ela parecia querer pular nele e terminar ali seu sofrimento de uma vida inteira.  

 Amy! — berrou a voz de Ethan, correndo até a garota. 

Ela olhou para trás e o viu aproximar-se com pressa em sua direção. Ela tremia em um misto de adrenalina e frio que dominava seu corpo por inteiro.  

Ethan a abraçou e o calor do corpo do garoto guerreou contra o frio que dominava o corpo dela. Amy ruborizou, mas imediatamente tentou se soltar dos braços do rapaz, que não a libertava. 

— Pelo amor de deus, Amy, eu te amo! Não faz isso comigo! 

Ela paralisou. As lágrimas que escorriam no rosto dele causavam uma sensação de ardência no rosto quase congelado dela. 

— E-Ethan... — balbuciou. 
— Eu amo você desde a primeira vez que eu te vi. Eu sou um idiota, eu sei que você sabe disso, mas é por você que eu luto. É por você que eu saí em jornada, não me interessa as insígnias, não me interessa a Liga Pokémon, Amy! Você é a razão e o motivo da minha existência, eu amo você e não importa o seu passado, eu sei que você não é o monstro que está pensando que é... Por favor não desiste de mim, não desista de você mesma!  

Cada palavra dita por Ethan era acompanhada por lamentos chorosos de desespero. Amy não conseguia tirar os olhos do garoto. Todos os seus pensamentos ruins desapareciam, como se fossem dissipados pela poderosa luz que só Ethan emitia dentro dela. 

Dessa vez, foi ele quem tomou a atitude de beijar a boca fria da menina, outra vez fragilmente dependente dele. E como num sopro de vida, ela sentiu seu coração gritar pela primeira vez por viver. Ela não tinha forças para poder se esquivar, mas ela não queria. 

Ethan se mostrou outra vez o salvador que Amy tanto precisou durante toda a sua vida. 

*** 

Os bips do monitor cardíaco indicavam uma melhor frequência de batimentos que o coração de Amy fazia. Ela acordou no quarto do hospital do Centro Pokémon, na cidade de Mahogany e deixou sua consciência tomar conta de sua cabeça. Sentia-se sonolenta, efeito dos medicamentos que ela tomou para reverter o quadro grave de hipotermia, mas sentiu que alguém lhe observava. 

Passou os olhos pelo cômodo lentamente e notou a presença de Ethan. 

— Eu realmente achei que fosse perder você de vez. 

Ela sorriu de forma carinhosa e pediu para que ele se aproximasse. 

— Olha, eu não sei se você se lembra do que aconteceu na Caverna de Gelo, mas... 
— Eu não me lembro de muita coisa, mas eu lembro o bastante. 

O garoto corou.  

— Do que você se lembra? 
— Me lembro de você se mostrando presente quando eu mais precisei. Dessa vez, de verdade... Quando você disse aquelas coisas pra mim, você falava sério? 

Ethan hesitou por um momento, buscando alguma coisa na memória. 

— Amy, eu vou ser honesto com você... Eu sempre achei você bonita, mas desde que você me beijou aquele dia, eu... Fiquei com isso na minha cabeça. Eu não quero que você suma de novo, eu realmente gosto de você, mas eu vou entender se por acaso você não se sentir da mesma forma que eu. 

Ela esticou a mão e pegou a dele. 

— Eu não acredito que eu precisei quase morrer pra você notar que eu te amo, seu tosco. 

Ethan, mais vermelho do que um pimentão, ergueu as duas sobrancelhas e arregalou os olhos. Sentiu-se como se tivesse levado um soco na boca do estômago. 
— Então quer dizer que você... 
— Sim. 

Ethan começou a sorrir, mas se interrompeu ao ver que Amy fora tomada por uma expressão de tristeza. 

— O que foi? Eu falei algo de errado? 
— Não... Na verdade, o problema sou eu. Eu ainda não sei o que será de mim agora. Toda essa história da Equipe Rocket, do Giovanni... Eu sei que um dia, eu vou pagar esse pecado. 

Ethan apertou firmemente a mão de Amy. 

— Amy, você nunca esteve sozinha, você nunca lutou sozinha e não vai ser agora que irá. Me permita proteger você e te ajudar a superar tudo isso. 

Amy encarou o garoto com ternura. 

— Eu nunca achei que veria você, um garoto folgado e preguiçoso, falar desse jeito tão convicto. Se você morrer tentando me proteger, eu nunca vou te perdoar, entendido? 
— Então já pode ir começando a pegar raiva, porque eu não te garanto nada. 

Os dois riram. Ethan afagou os cabelos da garota e aproximou-se devagar na direção de seu rosto e a viu fechar os olhos. O monitor cardíaco ligado à Amy começou a apitar mais forte quando os lábios se selaram em um beijo que, de forma definitiva, selava o grande amor que nenhum dos dois adolescentes conhecia, mas que enfim haviam encontrado. 


TO BE CONTINUED...



{ 9 comentários... read them below or Comment }

  1. Oi Dento, bonita a novela! Veio importada do México? Televisa vai te cobrar, viu?

    Pois bem, temos aqui mais um exemplo de porque tua Johto é linda, e é por cenas assim. O desfecho desse episódio com os Rockets, que mostra um pouco inclusive do passado de alguns personagens de Aventuras em Sinnoh ( Beliel ).

    Vamos ter ali a aparição de Julia, que talez nem tantos se lembrem, mas fez marcar presença numa conversa ali com sua avó e posteriormente com a prima mais jovem, e explicando um pouco do relacionamento controverso dos anciãos da família para a garota, que parece não gostar da ideia.

    É legal ver ali a conversa entre os irmãos Forrest e Brock sobre os eventos que ocorreram com o mais novo, e o reconhecimento que o mais velho dá para este em relação ao crescimento do mais novo. Temos ali uma coletiva de imprensa pra explicar os fatos, organizada pela Elite Four, que vai dizer de leve ali algumas verdades, e algumas inverdades também, em minha opinião.

    Mas aí chegamos no ponto mais importante do capítulo, que é a Amy se mostrando revoltada com toda uma situação relacionada direta e intimamente a ela e isso ocasionando uma breve fuga dela para uma caverna congelante. Menino Ethan, que teve uma conversa rápida e confusa com essa meio que durante o processo de fuga da jovem vai atrás dessa e, na gélida caverna, declara seu amor para a garota que naquele momento já estava num estado fisicamente fragilizado por causa da temperatura extremamente baixa do lugar.

    O final do capítulo se define por Amy acordar ali no Centro Pokémon e confirmar ali com Ethan o que um sente pelo outro, fazendo com que ambos saibam que tem com quem contar.

    Acho que é isso, Dento. Mais um bom capítulo de sua parte, e mais uma boa madrugada de leitura para mim.

    Valeu e falou, mano!

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    1. Yo, Napo!

      É, eu acho que gosto de roteiros meio novelescos. HEAUHEAUHEAUHAE

      Fico feliz que você goste de AeJ. Eu sempre procuro fazer o meu melhor a cada novo capítulo que eu escrevo e se, pra surpreender, eu vou ter de fazer interligação com as outras histórias da Aliança, que assim seja! AEHAUEHUEAHAEUH Mas que bom que isso chamou a atenção. Afinal, tem que ser algo que faça sentido, que remeta à lembranças que estão guardadas dentro da gente. Beliel e Seth são dois personagens marcantes de AeS, fico feliz por ter conseguido incluí-los em AeJ e eles terem funcionado dessa forma.

      Depois de anos sumida, sim, temos Julia novamente dando as caras na Aliança Aventuras. Ela, como personagem secundária importante em Aventuras no Desconhecido, precisava de uma reintrodução, e aqui está. Mesmo que seja em um momento triste, acredito que tenha sido necessário realocá-la em nosso universo novamente. Espero que ela possa aparecer por aqui assim que possível...

      Sim! Finalmente Forrest está progredindo (já não era sem tempo, não é mesmo?). E temos até o Brock dando seu aval. Tomara que o Forrest consiga logo mostrar os frutos de seu treinamento de forma completa ao lado de Amy e Ethan em batalhas futuras.

      Bem, quando existem eventos que ameaçam destruir cidades, claramente a imprensa faz questão de noticiar. Mesmo Lance sendo sincero, a gente tá vendo que tem muita coisa meio escondida por aí... O que será?

      Apesar de Amy estar lutando contra seus fantasmas interiores, FINALMENTE TIVEMOS NOSSO SHIPP! (Pelo menos, os que são Ethamy, afinal, você é Team Ethair e Ethamine HEAUHEAUAEHUAEH). Espero que, pelo menos com esse casal, as coisas tenham acontecido de uma maneira leve, sem forçação de barra... Afinal, depois de 54 capítulos, não é possível que eu iria segurar mais. HEAUHAEUAHEUAHEAUH

      Espero que continue se surpreendendo!

      See ya!

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  2. QUE CAPÍTULO MANINHO
    TEVE ETHAMY
    AMY SUICIDEGIRL
    ESSA JÚLIA QUE EU NÃO LEMBRO OU NÃO CONHEÇO
    E ETHAMY É REAL, ME SEGURA

    Vamos por partes pq se não eu me perco :v

    Temos referências a AeS, benino Beliel, tadinho do dog, você diz que eu sou fura olho mas o verdadeiro fura olho é o Seth.

    E os executivos viveram, então é certeza que eles voltam depois, talvez faltando umas partes né, a explosão foi bem grande e talz.

    E o Red é um otário, além de otário é um inútil, ele só tinha uma tarefa, nem isso ele faz certo, FAZ DE NOVO FAZ DIREITO, mas felizmente a Amy recebe toda minha vontade e acerta um belo de um soco no Red, que cena linda.

    E tem o Pryce, coitado tá quase falecendo e vão ficar falando de chifre trocado há mais de 40 anos, esse pessoal não ajuda não haushsuahaushs

    E temos a Amy...tentando se matar...quando tudo começou a ficar tão pesado... ;-;

    E aí chega o Ethan, pra salvar nosso dia, salvar nossa Amy, TEM DECLARAÇÃO, TEM BEIJO, AGORA EU ENTENDI PQ TU DISSE PRA EU LER, PQ ISSO AQUI É ETHAMY SE TORNANDO REAL, MEUS PREDICTS NÃO FALHAM(só as vezes mas quando falha nós seguimos em frente)

    E termina com eles no hospital, muito fofinhos por sinal :3

    Acho que é isto.

    See Ya

    Ps: ETHAMY É REAL NO MEU KOKORO E AGORA EM AEJ

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    1. Yo, Grovy!

      SIM! TEMOS MUITOS ACONTECIMENTOS ROLANDO POR AQUI!!!

      Mas, respondendo sua pergunta, Julia era a protagonista do Aventuras nas Ilhas Laranja. Mas, como ANIL ainda faz parte de nossa linha do tempo, vamos ter que representá-la, não é mesmo? Até porque, ela é personagem secundária importante no Aventuras no Desconhecido em Sinnoh... Precisamos representar pras novas gerações certos personagens. Kkkkk

      TIMELINE DA ALIANÇA CONFIRMED! Beliel continua sempre fiel ao seu mestre... Aos poucos, as peças do quebra-cabeça vão se encaixando. QUAL SERÁ A ORDEM DAS FICS???

      Ah, os executivos são os vilões, né? O Ethan a gente mata, enquanto os vilões... Ah, vamos deixando, não é? Kkkkk

      Todo dia um Grovy revoltado com o Red. Imagino o quanto vc considera a Amy sua heroína agora. Kkkkk Mas ele mereceu, tava metendo o louco demais.

      Se as coisas estão ruins pro Pryce... Pra Amy nem se fala. Imagina todo o fardo que ela tá colocando nos ombros dela... Será que nós aguentaríamos? Tentar tirar a própria vida é um ato de desespero... Mas ainda bem que o Ethan chegou a tempo para impedir e tornar real o grande conto de fadas que é o Aventuras em Johto.

      Espero que você continue se surpreendendo e torcendo por ETHAMY!

      See ya!

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  3. Boas companheiro!

    Este capítulo é como um after de toda a explosão e acontecimentos intensos dos últimos capítulos. Rapidamente vemos diferentes núcleos de personagens a lidar com todos os acontecimentos passados e achei isso super interessante! Vamos por partes.

    A Team Rocket parece que está finalmente quebrada mas, aparentemente, os seus executivos ainda andam por aí à solta, por isso, eu acredito que muito coisa ainda possa acontecer. Agora é só esperar para ver que maluquices esses doidos irão inventar desta vez!

    Coitado do Pryce, ficou com a coluna rebentada por causa da explosão e está à beira de morte... MEU DEUS DENTO! Tinha que ser tão radical com esse avô de gelo? :( Eu espero que ele fique bem e estou curioso para ver como vai ser resolvida a situação do seu ginásio também.

    Vemos igualmente Forrest com o seu irmão Brock. O mais novo conta todas as suas peripécias até então e, apesar do mais velho reconhecer o seu crescimento e valor, Forrest admite ainda não estar pronto para assumir o controlo do ginásio. A isso é que eu chamo crescimento!

    Depois vemos a conferência de imprensa da Elite 4, onde Lance dá a cara e fala por todos. Gostei dessa cena mais "política", sabe? Onde se fala de "segredos de Estado" e "aliados"... essas cenas são sempre muito intrigantes e cheias de um certo suspense que eu continuo a adorar. Mas não percam muito tempo nessa conferência porque a Team Rocket ainda anda por aí à solta à espera de ser capturada!

    E chegamos, finalmente, à verdadeira protagonista deste e dos últimos capítulos, E ATÉ MESMO DA HISTÓRIA TODA! AMY! A minha princesinha sente-se traída, confusa e não se reconhece a ela mesma. Confesso que não me imagino no lugar dela e toda esta situação é bastante dramática, mas, felizmente, a nossa Amy tem um Ethan na sua vida. Mesmo que ela se isole nessa caverna gelada, ou se tente até mesmo suicidar, Ethan está lá para segurar a sua mão, acalmá-la e despertar o amor e a vida que ainda existe dentro dela. Amei muito essa cena no hospital onde os dois assumiram finalmente o que sentem e deram finalmente o passo necessário. Espero que esta relação seja saudável, a Amy precisa de um descanso e não de um namoro tóxico ou conturbado!

    Amo cada vez mais a história de Johto, o Dento está a fazer um excelente trabalho! Continue!

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    1. Yo, Angie!

      AeJ se encontra em uma sequência de acontecimentos em que, se piscar, já era! As coisas não param, as consequências vão se acumulando enquanto perguntas vão sendo cada vez mais frequentes... Por que não existe sossego em Johto pelo menos uma vez???

      Ah, a poderosa organização criminosa que age nas sombras e que há três anos fora derrotada por um garoto de doze anos... Seria o destino deles serem derrotados agora também? Com os executivos a solta, talvez, só talvez, o sossego ainda não seja uma garantia...

      VEJAM SÓ, QUASE MATARAM O VELHO PRYCE! Não coloque a culpa em mim, culpe os Rockets! Agora no hospital é torcermos pela sua recuperação... Mas acredito que as consequências do acidente serão piores do que apenas deixar uma cicatriz em seu corpo...

      Sim! Olha nosso menino Forrest crescendo! Quem diria que a maturidade iria chegar né? Depois de tanto ser xingado, é bom ver que o personagem está novamente de volta aos eixos! Kkkkk

      Por mais que a imprensa investigue, o lema é sempre NEGAR TUDO! O Lance não entregaria de mão beijada todas as informações sobre os Rockets, né? Ou será que ele entregaria...? Imagina, uma emissora de TV revelar a localização dos Rockets ou o próximo passo da Elite? Eles estão sendo vigiados bem de pertinho!

      SIM! Amy cada vez mais se provando a verdadeira protagonista da história. Mesmo com tantos problemas, ela continua tentando resolver sozinha... Se o Ethan não existisse na vida dela, talvez ela nem estaria aqui nesse Capítulo. Mas tenho certeza de que o Ethan depende muito mais da Amy do que ela dele. Mas, de vez em quando, ele se prova um cara que tá no lugar certo, na hora certa. Os impulsos dele agem na hora que se é mais necessário. E que bom, né? Mas isso ainda deve ser o calcanhar de Aquiles dele...

      Espero que você continue se surpreendendo! Obrigado por gostar tanto do Aventuras em Johto!


      See ya!

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  4. Depois de todos aqueles brainstorms e aquela preparação de terreno para esse show de explosões em Mahogany, finalmente o desfecho de tudo. É incrível ver que cada pequeno detalhe que você planejou há anos finalmente está sendo colocado na história. Essa sua sequência de metas sendo cumpridas é algo digno de se orgulhar.

    E como você soube transmitir muito bem essa atmosfera que ficou em Mahogany após o clímax do arco. Temos aquele momento de calmaria, mas ainda com os vestígios de toda aquela confusão martelando na cabeça das pessoas. Amy atordoada, Lance tendo que lidar com a pressão da imprensa, a família do Pryce naquela apreensão, sem saber o que vai acontecer com o líder... Acho que o único que realmente saiu lucrando com isso foi o Forrest, que finalmente parece ter conquistado o reconhecimento de Brock. E merecidamente, claro.

    Então temos um Houndoom cego e o Archer segurando um recipiente do DNA do Dragonite do Lance... Tantos filledigoreferências! Essa história ainda vai dar muito o que falar.

    No mais eu só queria dizer que MEU SHIPP É CANON! CHUPA! Eles crescem tão rápido :')

    Até a próxima! õ/

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    1. Yo, Shadow!

      Sim! Depois de tanto seu ouvido esquentar após horas e mais horas de calls em tantas madrugadas, finalmente a gente vê AeJ chegando em seu ápice. Fico muito feliz de ter você comigo nesses momentos não me deixando derrubar a peteca (até porque, se acontecer, vai ser socão na cara...).

      Sim... A cada novo dia, as coisas vão se transformando em uma bola de neve. A bagunça vai sendo um monstro avassalador que vai devorando a sanidade dos nossos personagens, confiar não é uma opção... Exceto pelo Forrest (pero no mucho...), nossos personagens precisam fazer as pazes com a sanidade, porque ela está cada vez mais se esvaindo... A Amy mesmo é um grande exemplo de como as coisas estão complicadas, não só pra ela, mas pra todos aqueles que de alguma forma estão ao redor. Como você lidaria com isso no lugar dela?

      SIM, OLHA A TIMELINE DA ALIANÇA AÍ! E você quase achando inútil as (até então) 89 páginas do nosso documento maravilhoso. AUAHAUAHAUAHAU

      Sim! Agora resta saber se esse namoro vai durar. Ainda tenho traumas referentes a LUKE X DAWN não superados...

      Espero que você continue se surpreendendo!

      See ya!

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  5. CARA QUE CAP SENSACIONAL!
    Eu adorei como ele foi mais centrado nos pensamemtos da Amy, e não na ação pura. E temos ETHAMY!
    Agora as coisas tão normais de novo e o trio pode voltar as suas aventuras (ou será que não?)

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