Capítulo 10




Após uma intensa batalha Pokémon no Ginásio de Azalea, Ethan, Amy e Forrest agora seguem rumo à Cidade de Goldenrod. No entanto, uma emboscada os aguardava.

— Cara, minhas insígnias são tão brilhantes! — Suspirou Ethan olhando para os emblemas com os olhos brilhando.
— Realmente você fez por merecer. Fiquei sabendo que o Líder do Ginásio de Goldenrod é um treinador extraordinário e que muitos treinadores não conseguem a Insígnia do Ginásio... Mas eu não sei por quê. — Disse Forrest também encarando as insígnias.
— Não me amedronte... — Disse Ethan ainda encarando as insígnias.

Ethan e Forrest continuavam a admirar as Insígnias enquanto caminhavam. Porém, algo chamou a atenção de Amy. E não era o brilho daqueles dois emblemas quase minúsculos. Silver estava aguardando na saída da cidade.

Amy parou abruptamente.

— Que foi, Amy? — Perguntou Ethan.
— Nada... Eh... Garotos, teria como vocês retornarem ao Centro Pokémon? É que eu esqueci uma das minhas... PokéBolas lá. E eu tenho vergonha de voltar sozinha... — Disse Amy rápido.
— Ah, cara! Sério que temos que voltar? — Disse Ethan com uma expressão chateada e deprimida.
— Por favor... Eu espero vocês aqui. Acho que deixei no quarto. — Disse ela.
— Está bem, nós vamos. Espere aqui, ok? — Disse Forrest.
— Certo. — Concordou a garota.

Ethan e Forrest retornavam para o Centro Pokémon. Quando teve certeza de que eles já estavam longe, Amy dirigiu-se até Silver.

— Você de novo?
— Não pensou que eu fosse te esquecer, não é? — Disse Silver com um sorriso sarcástico.
— Preferia que esquecesse. — Disse Amy sacando uma PokéBola da bolsa.
— Ui... Você quer pegar pesado? Hehehe... — Silver também sacou uma PokéBola.
— Há quanto tempo eu não chuto a sua bunda, Silver?
— Caso se refira ao tempo em que eu não te mostro como sou soberano como treinador, já faz uns... Sete anos.
— Caraca, tudo isso? Estou precisando me aquecer. Dewgong! — Disse Amy lançando sua PokéBola.

Um Pokémon parecido com uma foca branca com um chifre na testa saíra da esfera que Amy lançou. Parecia feliz em ser batalhar, já que fazia muito tempo que não confrontava algum inimigo.



— Dewgong? Heh. Tempo que não o via. Sendo assim... — Silver guardou a PokéBola e estalou os dedos. — Eles resolvem.

Os capangas da Equipe Rocket saíram de todos os cantos da rota e cercaram Amy. Finalmente ela estava encurralada.

— Cara, vocês não mudam? Dewgong, Ice Beam! — Disse Amy para o Pokémon.
— Charizard, Flamethrower! — Uma voz do céu exclamou.

Um jato de fogo desceu do céu e espantou os capangas da Equipe Rocket. Ao olhar para cima, Amy viu um Charizard com alguém montado em suas costas. Ao pousar no chão, os membros da Equipe Rocket deram um suspiro de susto.

O boné e a jaqueta vermelhos com detalhes em branco eram os mesmos de três anos atrás. As calças jeans e os tênis que usava estavam meio surrados. O olhar infantil não existia mais. O adolescente Red, da Cidade de Pallet em Kanto, outrora Mestre Pokémon, estava em Johto. Naquela rota, mais especificamente. E era o único, depois de Giovanni, que colocava medo nos capangas Rockets.



— Eu finalmente encontrei você, Silver. Está maior do que a última vez que eu te vi... E olha que isso foi no Poço Slowpoke. — Disse Red.
— O que você quer?
— Que vocês deixem Johto e Kanto em paz.
— Desculpa, Red, mas não dá. Temos planos e vamos executá-los aqui.
— Não se eu chutar o traseiro de vocês antes.
— Cara, “chutar o traseiro”? Isso aqui virou desenho animado da década de 60? — Perguntou Amy olhando incrédula para Red.
— De você eu cuido depois, Rocket.
— Eu não sou mais uma agente dessa equipe de derrotados e fracassados. Eu sou diva, então vou brilhar bem longe deles.
— “Ex-agente”, é? Cuido de você depois. Flamethrower!

Charizard fez brasas saírem da boca e fazer alguns dos agentes da Equipe Rocket correrem amendrontados.

Ice Beam! — Gritou Amy para Dewgong.

O Pokémon de Amy soltou um raio de gelo em direção a Charizard que teve as asas congeladas.
— Mas o que você está fazendo?! — Berrou Red.
— Nunca interfira na minha batalha. Mesmo se você for um metido sumido que se autoproclamou Mestre Pokémon. — Disse Amy.
— Você está nos ajudando, Amy? Sabia que você não iria nos abandonar... — Silver gargalhou alto.
— Cala a boca. Quem vai ferrar vocês sou eu. Gyarados, Hyper Beam! — Amy lançou outra PokéBola.

Uma serpente azul e amarela revelou-se. Parecia muito nervosa. Lançou um raio da boca que fez uma densa nuvem de poeira subir.

— Amy, você está do lado do Red? — Perguntou Silver incrédulo.
— Quantas vezes eu tenho que dizer? Eu não estou do lado de ninguém! E caso não se lembre, o Red me derrotou há três anos... E então eu tenho treinado para conseguir mostrar pra ele que eu sou uma treinadora melhor do que eu era.
— E pra isso, você teve que congelar as asas do meu Charizard? — Zombou Red. — Flare Blitz!

As chamas de Charizard começaram a arder mais forte. Seu corpo começou a arder em chamas. E assim que cessara, o gelo nas suas asas havia sido evaporado.

Amy o olhava com desprezo.

— Gyarados, Hydro Pump!

O Pokémon lançou um forte jato de água de sua boca que arremessou os capangas da Equipe Rocket — incluindo Silver — para longe.

— Silver, se não quer sair machucado, suma daqui. — Falou Amy ameaçadoramente.

Silver sorriu.

— Se não você vai fazer o quê?

Amy mantinha-se séria. Porém, um ódio incomum subia por seus poros. Fechava os punhos com força.

— Gyarados. — Disse ela apontando para Silver.

O Pokémon Dragão começou a carregar um golpe. Red identificou-o rapidamente.

Dragon Rage? — Sussurrou o garoto.
— Você não teria coragem. — Silver levantou-se.
— Duvida?
— Amy, volte para a Equipe Rocket, devolva a PokéBola GS e tudo voltará a ser como era antes... — Silver dava um passo a cada palavra que dizia.
— Gyarados. — Disse Amy.

Gyarados disparou o Dragon Rage que saiu em formato de esfera de sua boca. A esfera aproximava-se cada vez mais de Silver que apenas dava um sorriso sarcástico e aguardava parado.

Dragon Pulse! — Gritou Red.

Charizard invocou uma onda roxa de sua boca que saiu em direção ao ataque de Gyarados. Ao colidirem, uma explosão fez os ataques se espatifarem. Silver permaneceu intacto, apenas observando.

— Salvo pelo gongo... — Sorriu sarcástico.
— Eu já disse pra não interferir em minhas batalhas. Hydro Pump!

Red pôs a mão no bolso.

Flash Cannon! — Red lançou uma PokéBola.

Um brilho prateado saiu em direção ao ataque de Gyarados arremessando-o para os lados. Um Pokémon parecido com uma tartaruga gigante que tinha dois canhões, sendo um em cada lado do casco marrom que tinha, havia protegido Charizard do ataque direto. Era Blastoise.

— Muito lenta. — Disse Red.
— Um ataque como Flash Cannon demora um pouco para carregar... — Disse Silver.
— Blastoise aprendeu a carregar usando a energia da luz da liberação da PokéBola. Então, isso faz com que esse ataque carregue três vezes mais rápido.
— Como esperado de você. — Disse Silver. — Vamos embora, rapazes. Não tem nada para fazer aqui.
— Vai fugir, idiota? Chamou pra briga e vai arregar? — Provocou Amy.
— Não estou fugindo. Não temos condições de enfrentar o Red. Mas, não se preocupem. Da próxima vez, ele não vai ter tanta sorte. — Falou Silver.
— Espere! — Disse Red correndo até o ruivo.
— Adeus. — Silver jogou no chão uma bomba de fumaça. Assim que ela desapareceu, Red encontrou-se sozinho. Silver e a Equipe Rocket não encontravam-se mais ali. Amy aproveitara-se da situação e fugira também. Encontrava-se em um galho alto de uma das árvores do bosque atrás da rota onde Red estava agora observando tudo.

Eu não vou desistir de encontrar a Equipe Rocket. E a Amy... Eu não duvido nada de que ela está muito mais forte desde que nos enfrentamos há três anos... — Pensava Red. — Blastoise. Charizard. Hora de treinar.

Red retornou Blastoise para a PokéBola e montou nas costas de Charizard, que partiu voando para os céus da vasta Região de Johto rumo a algum lugar desconhecido para treinamento.

— Como se não bastasse a Equipe Rocket, agora o Red voltou e vai pegar no meu pé... Ah, como é difícil ser bonita... — Suspirou Amy que desceu da árvore e fez o caminho para o Centro Pokémon de Azalea.

Ethan e Forrest continuavam procurando pela “PokéBola perdida” de Amy, mas sem sucesso.

— Cara, na boa? Eu não acho nada... PokéBola nenhuma... — Disse Ethan cansado.
— É melhor voltarmos e dizer que não encontramos. — Disse Forrest cedendo também.

Amy entrara dentro do quarto.

— Amy! — Exclamou Ethan.
— Olá. — Disse ela com um sorriso.
— O que está fazendo aqui? — Perguntou Forrest surpreso.
— Ah, é que eu vim falar que a PokéBola não está aí. Eu achei dentro da bolsa. — Falou Amy.

Ethan e Forrest ficaram surpresos.

— Mas o quê?! A gente procurou esse tempo todo pra nada? — Perguntou Ethan.
— Ah, desculpem, meninos... Eu não queria fazer vocês de idiotas... — Disse Amy com um olhar triste enquanto na sua mente, pensava maliciosamente algo como “Mentira, queria fazer vocês de idiota sim”.
— Não tem problema. Acho que agora podemos ir em direção à Goldenrod, não é? — Perguntou Ethan.
— Sim! Só tenho que fazer algo antes no Centro Pokémon. — Disse Amy.

Os garotos então desceram as escadas e saíram em direção aos computadores de transferência.

Amy discou um número e começou a chamar.

— Alô? — Uma voz chamou.
— Professor Carvalho? Sou eu, a Amy.
— Oh, Amy! Que bom vê-la. O que posso fazer por você?
— Quero depositar um Pokémon.
— Caraca, é o Professor Carvalho! Olá, professor! Lembra de mim? — Ethan pulou na frente de Amy.
— Ah, sim. Você é o Ethan, né? Como estão seus Pokémon?
— Estão bem. Cyndaquil evoluiu para Quilava. E eu tenho uma Butterfree também. Ah, e também consegui duas insígnias! — Disse Ethan contando nos dedos.
— Duas insígnias? Que ótimo! Vejo que continua prosseguindo em sua jornada.
— Ah, estou viajando com Amy, como deve ter percebido. — Disse Ethan.
— Sim, sim.
— E também, temos o Forrest pra fechar. — Ethan saiu da frente e Forrest sorriu para a tela.
— Oh, você é irmão do Brock, Líder do Ginásio da Cidade de Pewter, não é mesmo? — Perguntou Carvalho surpreso.
— Sim. Estou viajando com Ethan e Amy para me tornar um treinador poderoso e poder assumir o Ginásio de Pewter. — Disse Forrest.
— Isso é muito legal! Mas então, Amy, que Pokémon quer me enviar?
— Esse aqui. Cuide dele, O.K.?
— Pode deixar.

Amy colocou a PokéBola no transferidor e em pouco tempo foi enviada para Carvalho.

— Recebido. Mais alguma coisa?
— Não, só isso, obrigada.
— Disponha.

Amy sabia que Gyarados andava estressado. E enviá-lo para descansar no laboratório tornou a calhar demasiadamente.

Os garotos seguiam para a cidade de Goldenrod via um atalho pela Floresta Ilex. O que será que iria acontecer?

Red observava-os montado em Charizard.

— O que está aprontando, Amy? — Perguntava a si mesmo.




TO BE CONTINUED...






Notas do Autor (Capítulo 9 + Crônica da Lyra)



A pedidos, as crônicas dessa semana foram sobre a Lyra. Ela tem muitos fãs aqui no blog que sempre mandam cartas ameaçadoras pra minha casa porque ela não aparece frequentemente na história. Acabei por ceder à pressão e estrear ela no especial. Ela irá aparecer outras vezes nas crônicas, mas ela também tem que dar espaço para outros personagens. Prestem atenção na história principal. Ela dará dicas de quando ela vai aparecer. Hehehe.

SIM, A LYRA TEM PROBLEMAS. Perguntaram nos comentários: Por que toda fanfic tem que ter um personagem com algum tipo de doença como Psicose?

A resposta: Porque eu não sei. Sempre é legal ter essa motivação por trás de todo enredo. Não necessariamente a Lyra precisa de motivos pra fazer as coisas, mas como eu sei que vocês vão acabar me xingando pelo o que vai acontecer com ela, é bom vocês saberem desde já o que ela tem. Mas pensem pelo lado positivo: Vocês tem um segredo. Afinal, Ethan não sabe dessa doença. Assim como ele (ainda) não sabe (ou é estúpido demais por não ter sacado ainda) que a Amy é da Equipe Rocket. Espero que vocês saibam guardar segredos... ;)

Sem falar que o nome dos pais da menina foram revelados. Nada mais, nada menos do que Gold e Crystal. Sim, os mesmos protagonistas da segunda geração. Espero que vocês tenham realmente prestado bastante atenção nisso, já que está estritamente relacionado a um evento futuro da história. O que será?

E o Silver volta no próximo capítulo. A Equipe Rocket realmente não leva desaforo pra casa...
E, é claro, haverá a revelação do PERSONAGEM MISTERIOSO que apareceu no capítulo 8. Será que vocês acertaram?

Falando no Ethan, quem diria que ele já está em seu segundo desafio de Ginásio? Quem acha que ele vai ter desafios fáceis, eu já deixo vocês informados de que as próximas batalhas dele exigirão muito de sua capacidade como treinador. Fiquem atentos!

Aos fãs do Joey: Ele volta nos próximos capítulos.

Acho que é isso... Até a próxima semana!

See ya!

Capítulo 9



Após uma semana se recuperando no Centro Pokémon, Ethan, Forrest e sua nova amiga Amy ainda se encontram na Cidade de Azalea.  O próximo destino é o Ginásio da cidade, onde Ethan poderá conseguir sua próxima insígnia.

— É hoje! — Comemorou Ethan do refeitório do Centro Pokémon. Estava com a boca cheia de pão com presunto e mussarela.
— Você não tem modos? Não sabe engolir a comida antes de falar? — Disse Forrest.
— Cara, eu estou animado! Eu vou batalhar pela minha segunda insígnia da Liga Pokémon! Não tem como não ficar animado! — Disse Ethan botando mais um pedaço de pão na boca.
— Se você batalhar como o que eu te vi fazendo contra a Equipe Rocket, tenho certeza que você vai se sair bem, Ethan. — Disse Amy com um sorriso.
— Obrigado, Amy. Tenho certeza de que eu e meus Pokémon vamos arrasar. — Disse Ethan confiante.
— Confiança demais é bom, mas não ajuda. E outra, como eu já tinha te dito, as batalhas de Ginásio vão ficando mais difíceis a cada batalha travada. Então te cuida.
— Não se preocupe.

Um som fora ouvido. A voz da Enfermeira Joy ecoou pelo refeitório.

— Ethan, por favor, compareça ao saguão. Ethan, por favor, compareça ao saguão.
— Vamos?— Convidou Ethan aos amigos que rumaram ao saguão principal.

A Enfermeira Joy devolveu os Pokémon de Ethan, que estavam recuperados e prontos para a batalha.

— Obrigado. Sabe me informar onde fica o Ginásio de Azalea? — Perguntou Ethan pegando os Pokémon.
— Fica há duas quadras daqui. — Respondeu a simpática enfermeira.
— Obrigado! Vamos para o Ginásio! Yay! — Exclamou Ethan saindo correndo pelas portas recém-reformadas.
— Gente... — Disse Forrest.
— Deixa ele ser feliz. Qualé? — Sorriu Amy.

A Enfermeira Joy deu risada.

Caminhando um pouco pelas ruas da cidade, Ethan, Forrest e Amy logo localizaram o Ginásio da Cidade. Era uma grande cúpula verde, como uma estufa, com uma enorme placa escrita “Ginásio”.

— “Líder: Bugsy, a Enciclopédia Ambulante dos Pokémon Insetos”. — Leu Forrest na placa.
— Então esse Ginásio usa Pokémon do Tipo Inseto... — Disse Amy.
— Quilava é bem eficaz contra esse tipo de Pokémon, não é? — Perguntou Ethan.
— Sim. Mas como Falkner, você deve ter cuidado. Bugsy deve ser um Líder que sabe proteger seus Pokémon de suas fraquezas, como ataques do Tipo Fogo. — Disse Forrest.
— Quais são seus Pokémon até agora, Ethan? — Perguntou Amy.
— Quilava, Sandshrew e Butterfree. Por quê?
— São três ótimos Pokémon para enfrentar os Tipo Inseto. Mas eu sugiro que você não use o Quilava logo de cara, porque se ele perder, você tá ferrado, mesmo que Sandshrew e Butterfree deem conta do recado. — Disse Amy.
— Tem razão... Vou dar meu melhor. — Disse Ethan.
— Vamos entrar então. — Disse Forrest acompanhando Ethan e Amy entrando no Ginásio.

Dentro do Ginásio, árvores e muito verde faziam contraste com muitos Caterpie e Metapod. O Ginásio parecia uma floresta encolhida dentro de uma estufa gigante. Agora fazia sentido o formato do Ginásio por fora. O cheiro de grama fazia Ethan, Amy e Forrest relaxarem.

— Que Ginásio maneiro! — Exclamou Ethan.
— Como eu tinha dito, cada Ginásio é construído de uma forma para poder aumentar a habilidade e estratégia do Pokémon. E esse é o Ginásio mais bem construído que eu já vi! — Exclamou Forrest.
— Tantos Pokémon... — Suspirou Amy encantada.
— Olá. Posso ajuda-los? — Perguntou uma voz.

Ethan, Amy e Forrest se viraram e deram de cara com um garoto de cabelos roxos com uma roupa verde de escoteiro e uma gravata amarela. Uma bolsa marrom estava amarrada na lateral de sua cintura. Por algum motivo, estava segurando sobre o ombro um cabo de uma rede de caçar insetos.





— Olá. Estamos procurando o Líder do Ginásio. — Disse Amy.
— Estão falando com a pessoa certa. Prazer, eu sou Bugsy, Líder do Ginásio da Cidade de Azalea. — Falou dando um sorriso.

— Eu sou Amy.
— Eu sou Forrest.
— E eu sou o seu desafiante, Ethan. E te desafio para uma batalha de Ginásio!
— Gostei de você, Ethan. É enérgico. Vamos lutar! — Exclamou Bugsy.
— Perfeito! — Concordou Ethan.

Amy e Forrest sentaram-se na arquibancada do Ginásio, onde comiam berries das apricorns que estavam aos arredores. O juiz da batalha dirigiu-se a lateral do campo. O duelo começaria.

— Vai começar o desafio de Ethan, da Cidade de New Bark contra Bugsy, o Líder do Ginásio da Cidade de Azalea. Lembrando que apenas o desafiante pode trocar os Pokémon. A partida termina quando todos os três Pokémon do oponente estiverem nocauteados. Todos de acordo? — Bugsy e Ethan balançaram positivamente a cabeça. — Então comecem!
— Butterfree, eu escolho você! — Ethan lançou sua primeira PokéBola.
— Butterfree? Interessante... Sendo assim... Vai, Beedrill! — Bugsy atirou uma PokéBola no campo de batalha.
— Que Pokémon é esse? — Ethan perguntou sacando a PokéAgenda.
— “Beedrill, um Pokémon Abelha Venenosa. Junto com a família de Caterpie, esse Pokémon também demora pouco tempo para evoluir de seus estágios anteriores. Ele pode derrubar qualquer adversário com os seus poderosos ferrões venenosos. Às vezes ataca em enxames. O ferrão em sua cauda segrega o mais poderoso dos venenos”. — Registrou a PokéAgenda.
— Beedrill, hein? Vamo nessa, Butterfree! Confusion!

A pupilas de Butterfree desapareceram e um brilho emanou dos olhos da borboleta roxa. Ondas telecinéticas saíram e irritaram Beedrill que ficou incomodado e caiu no chão.

— Não desista, Beedrill! Mostre do que você é feito! Twineedle!

Beedrill voou para perto de Butterfree e começou a atacar com seus ferrões frontais. Butterfree tentava esquivar, mas Beedrill cada vez mais usava seus ferrões com mais agilidade.

— Butterfree, não desista! Prenda-o com String Shot! — Exclamou Ethan.

Butterfree continuou desviando, porém, lançou de sua boca um fio de seda em direção a Beedrill que ficou preso.

— Isso aí! — Comemorou Ethan.

Bugsy deu um sorriso baixo.

— Como se isso fosse nos impedir... Beedrill, Fury Attack! — Disse Bugsy.

Beedrill começou a se contorcer e a seda que o prendia se rasgou. Os seus ferrões estavam maiores.

— Caramba! Ele usou o Fury Attack para crescer os ferrões e rasgar a prisão feita de String Shot! Bugsy é um gênio! — Exclamou Forrest.
— Sim. E se Ethan não se cuidar, Beedrill vai ferrar com ele. — Analisou Amy.
— Mas que droga... — Disse Ethan baixinho.
— Faz muito tempo que eu não perco uma batalha, Ethan. É muito raro o meu Beedrill ser derrotado. Não é porque eu uso Pokémon tipo Inseto que qualquer Pokémon vai dar cabo deles. — Disse Bugsy.

Ethan encarava o Líder. Será que ele dava conta de vencê-lo?

— Retorne, Butterfree. — Disse o garoto retornando seu Pokémon.
— Vai desistir? — Perguntou Bugsy com um sorriso sarcástico.
— Desistir? Nem. Essa batalha mal começou. Vai, Quilava!

O Pokémon saiu da PokéBola animado. Parecia ansiosíssimo para batalhar.

— Quilava? Isso não me amedronta... Beedrill, Twineedle!

Ágil, Beedrill atacou Quilava que desviava majestosamente. Eles eram oponentes páreos um para o outro.

— Quilava, agora! Quick Attack! — Exclamou Ethan.

Quilava começou a cruzar o campo rapidamente. Beedrill não conseguia acompanhar o oponente muito bem e começou a ficar tonto. Quilava, percebendo, atingiu o Pokémon no estômago.

— Recomponha-se, Beedrill!
— Ember!

Chamas saíram da boca de Quilava atingindo Beedrill que ficou bem machucado.

— Beedrill!
— Ember!

Quilava novamente fez chamas saírem de sua boca que, ao atingirem Beedrill, o fez cair no chão nocauteado.

— Beedrill está fora de combate. A vitória é de Quilava! — Anunciou o Juiz.
— Isso! — Comemorou Ethan.
— Seu Quilava é muito rápido, Ethan. Fui pego de surpresa... Mas não se compara ao meu próximo Pokémon... Vai! — Bugsy lançou uma segunda PokéBola.

Um Pokémon azul parecido com uma barata gigante pousou no campo e encarou Quilava.

— “Heracross, um Pokémon de Único Chifre. Este poderoso Pokémon empurra seu chifre valioso na barriga dos inimigos e, em seguida, levanta e os joga. Geralmente é dócil, mas se ele é perturbado enquanto toma mel, ele persegue o intruso com seu chifre”. — Registrou a PokéAgenda de Ethan.
— Você é fantástico, Ethan. Me fez usar meu segundo Pokémon...
— Heracross? Hehe... Interessante... Vai, Quilava! Ember! —
— Isso não vai funcionar de novo. Heracross, Stone Edge!

Quilava fez chamas saírem de sua boca e foram em direção a Heracross. Porém, rochas e pedras de vários tamanhos materializaram-se no céu e começaram a cair. As chamas foram bloqueadas e Quilava fora atingido por algumas das pedras.

— Quilava! — Exclamou Ethan.
— Pokémon do Tipo Fogo são fracos contra ataques do Tipo Pedra... Eu realmente não esperava que Bugsy utilizasse um ataque desses! — Exclamou Forrest.
— Quilava realmente está ferrado... — Disse Amy.

As pedras do Stone Edge estavam espalhadas pelo campo e faziam uma fortaleza.

— Eu ando bem armado, Ethan. — Disse Bugsy.
— Você me pegou de surpresa, Bugsy. Eu não sabia que os Pokémon eram tão fantásticos assim a ponto de poder aprender golpes que não são de seu próprio tipo natural. Você me animou... — Ethan retornou Quilava que estava demasiadamente cansado. — Você pode ter me pegado no chão, mas será que é tão bom assim acima dele?

Butterfree foi lançada e parecia animada. Começou a sobrevoar o campo.

— Fez muito bem em retirar Quilava do campo. Ele não duraria muito... Mas isso não me impede de tirar Butterfree da jogada, não é mesmo? — Bugsy sorriu. — Megahorn nas pedras!

Heracross cruzou o campo e começou a atirar para cima as pedras remanescentes do campo de batalha para cima. Butterfree tentava desviar, mas com a velocidade dos arremessos, era atingida por muitas delas.

— Butterfree, Confusion!

Butterfree lançou o ataque, porém, não conseguia atingir Heracross que se escondia nas pedras que arremessava pra cima.

— Vai, Heracross, acabe com isso! Stone Edge!

Pedras e rochas começaram a cair novamente do céu. Butterfree tentava se esquivar, mas não conseguia. Foi atingida e caiu nocauteada no chão.

— Butterfree está fora de combate! A vitória é de Heracross! – Anunciou o Juiz.
— E respondendo sua pergunta: Sim, eu sou melhor no céu também. — Disse Bugsy.

Ethan retornava sua Butterfree derrotada. A batalha contra Bugsy realmente estava mais difícil do que imaginou que seria.

— E então? O que manda dessa vez? — Perguntou Bugsy.
— Vai, Sandshrew! — Disse Ethan arremessando a PokéBola no campo de batalha.
— Então Sandshrew veio finalmente, hein? Ataques como Stone Edge não vão funcionar contra ele! — Disse Forrest.
— Sim. Mas até agora, Bugsy lidou facilmente contra as fraquezas dos Pokémon dele... Dizer agora quem é que está com a vantagem é complicado... — Disse Amy.
— Sandshrew, Rapid Spin!

Sandshrew saiu girando rapidamente em torno do campo atingindo Heracross.

— Uau! Essa velocidade é superior do que a de Quilava! Sensacional! — Exclamou Bugsy.
— Sandshrew é meu primeiro Pokémon. Estamos juntos há muito tempo e tenho certeza que ele não vai me decepcionar. — Disse Ethan.
— Veremos... Heracross, Stone Edge!

Heracross começou a fazer pedras e rochas caírem do céu novamente.

— Sandshrew, esquive com Rollout!

Sandshrew começou a girar e a desviar das pedras que caiam ao chão. Ethan observava o ataque de Heracross e teve uma ideia.

— Use Rapid Spin nas pedras, vai!
— O quê?! — Disseram Amy, Forrest e Bugsy simultaneamente surpresos.

Sandshrew girava cada vez mais rápido e atingiu a base de uma das pedras que estava no chão. Ela voou e atingiu uma pedra que acabava de ser lançada por Heracross quebrando-a em quatro pedaços. A física ajudou na composição do ataque. Os enormes fragmentos voltaram em direção a Heracross que foi atingido.

— Rollout!

Sandshrew saiu rolando e acabou levando consigo fragmentos de pedras que voavam conforme acelerava no chão do Ginásio. Heracross foi atingido bem no rosto e bateu a cabeça no chão. Uma das pedras que estava no chão do Ginásio acabou caindo bem no meio da testa do Pokémon que desmaiou.

— Heracross está fora de combate. A vitória é de Sandshrew! — Anunciou o Juiz.
— Impressionante! Uma ótima estratégia de batalha: Usar as rochas no chão para anular a defesa do oponente e utilizar como ataque... Como eu fiz com Butterfree... Muito bem, Ethan! Fazia tempos que eu não tinha uma batalha Pokémon tão emocionante assim... Finalmente alguém me fez usar meu último Pokémon... Vai, Scyther! — Bugsy lançou sua última PokéBola no campo.

Um Pokémon verde com sabres afiados no lugar de mãos apareceu. Ele parecia ser extremamente forte e experiente.

— “Scyther, um Pokémon Louva-A-Deus. Ele corta a grama com suas foices afiadas, movendo-se rápido demais para o olho humano poder acompanhar. Apenas um borrão aparece quando ele se move. Se ele se esconde na grama, sua coloração protetora o torna invisível”. — Registrou a PokéAgenda de Ethan.
— Esse Scyther está comigo há muito tempo, Ethan. Fundou este Ginásio comigo. Ele é praticamente imbatível. Você precisará de uma boa técnica para derrubá-lo. — Disse Bugsy.
— Ethan está completamente encrencado. Ataques do tipo Terra não funcionarão contra o Scyther. — Disse Forrest.
— Sandshrew está em ótima forma... Mas até quando vai aguentar? — Perguntou Amy.
— Sandshrew, Swift!
— Scyther, Vacuum Wave!

Sandshrew começou a girar o corpo para mandar um raio de estrelas, porém, Scyther girou os braços e uma aura começou a rodar Sandshrew. Ele começou a ficar preso no ar dentro da esfera transparente.

— Agora que seu Pokémon está preso, eu posso brincar um pouco... Scyther, Fury Cutter!

Scyther começou a atacar Sandshrew que estava preso. Os ataques o atingiam e ele não podia fazer nada para se defender.

— Sandshrew! — Exclamava Ethan.
— Continue assim, Scyther!
— Droga... Eu não posso tirar Sandshrew da batalha... Quilava é forte contra Scyther, mas ele está fraco. Se Quilava pudesse descansar só mais um pouco... — Pensava Ethan desesperado.
— Scyther, termine com isso! Wing Attack! — Disse Bugsy.
— Sandshrew! — Berrou Ethan.

Scyther voou e atingiu a esfera de vácuo que Sandshrew estava. Houve uma explosão e uma nuvem de fumaça subiu.

Sandshrew, machucado, pousou majestosamente no chão. Scyther continuava inteiro.

— Parece que Sandshrew conseguiu escapar da armadilha... Mas não por muito tempo... Quick Attack!
— Sandshrew, atinja-o com Scratch!

Scyther saiu avançando em direção à Sandshrew que foi atingido. Porém, Sandshrew se recuperou e arranhou a cara de Scyther.

— Vai! Rollout! — Disse Ethan.

Enquanto Scyther mantinha as lâminas no rosto por causa da dor, Sandshrew rolava e atingiu-o no estômago.

— Isso! — Comemorou Ethan.
— Vai, Scyther! Acabe com ele com Quick Attack!

Scyther recuperou-se rapidamente e atingiu Sandshrew em um ataque direto, fazendo-o voar e cair no chão nocauteado.

— Sandshrew está fora de combate! A vitória é de Scyther! — Anunciou o Juiz.
— Ethan tem apenas Quilava agora, que saiu bem machucado na batalha contra Heracross... — Disse Forrest.
— Mas Sandshrew conseguiu causar um bom estrago nessa última rodada. Espero que ele consiga... — Disse Amy.
— Vai, Quilava! — Disse Ethan lançando seu último Pokémon na arena.
— Seu último Pokémon contra o meu último Pokémon. Falta pouco para decidirmos o vencedor, não é? — Sorriu Bugsy. — Agility!
— Quick Attack!

Os dois Pokémon cruzaram veloz o campo de batalha. No entanto, Scyther ainda era mais ágil que Quilava, que ainda estava cansado e machucado.

— Nada mal, Ethan... Mas o que me diz disso? Wing Attack!
— Aguarde, Quilava!

Scyther vinha rasante para atingir Quilava com suas asas. Quilava aguardava atento as ordens de Ethan enquanto Scyther aproximava-se cada vez mais.

— Ember!

Brasas saíram da boca de Quilava e atingiram Scyther que ficou atordoado.

— Quick Attack!

Quilava pegou impulso e atingiu Scyther bem no estômago fazendo-o cair no chão nocauteado.

— Scyther está fora de combate. A vitória vai para Quilava. O vencedor é o desafiante Ethan! — Anunciou o Juiz.
— Conseguimos... — Disse Ethan baixinho.
— Retorne, Scyther. Você fez uma grandiosa batalha! — Exclamou Bugsy retornando seu Pokémon de volta para a PokéBola.
— Ele conseguiu! — Exclamou Forrest.
— Evitando receber dano, Ethan aguardou um contato direto de Scyther para poder usar um golpe Super Efetivo. Genial, Ethan! — Exclamou Amy.
— Muito bom, Ethan. Você sem dúvida é merecedor da Insígnia do Ginásio de Azalea: a Insígnia da Colmeia. — Disse Bugsy entregando para Ethan um emblema em forma de joaninha.




— Consegui... Eu finalmente consegui minha segunda insígnia da Liga Pokémon... — Disse pegando o objeto das mãos de Bugsy.
— Uma batalha fantástica! — Dizia Amy que se aproximava com Forrest.
— Sem dúvida. — Concordou Forrest.

Ethan estava emocionado.

— Se você quiser saber, o próximo Ginásio que você pode enfrentar é o da Cidade de Goldenrod, a próxima cidade. — Orientou Bugsy.
— Obrigado. Nós iremos direto para lá. — Disse Ethan.
— Recomendo passarmos no Centro Pokémon antes. Depois de uma batalha incrível dessas, acho que nossos Pokémon merecem um ótimo descanso. — Disse Bugsy.
— Claro, vamos lá! — Disse Ethan saindo com Bugsy, Amy e Forrest do Ginásio.

Após uma intensa batalha, Ethan finalmente consegue a Insígnia da Colmeia, prova da vitória no Ginásio de Azalea. Agora, seu próximo destino é a Cidade de Goldenrod. Quais novas aventuras aguardam Ethan, Amy e Forrest?

Silver estava aguardando na saída da cidade de Azalea.

— Dessa vez, Amy, você não escapa... — Disse com um sorriso maléfico.




TO BE CONTINUED...






Crônica 2



A Cidade de New Bark: A Cidade onde sopram os ventos do recomeço.

Recomeço...

Palavra engraçada.

Lyra já estava a muitos anos vivendo na Cidade de New Bark. Era sua cidade natal. No entanto, a odiava porque era muito parada. Nada acontecia em New Bark. Nenhum evento de grande importância. Nenhuma Liga Pokémon. Não havia nem mesmo um Ginásio!

Aquela cidade era realmente um porre.

Com uns sete anos, Lyra resolveu, por conta própria, ajudar seu tio, o Professor Elm, com os Pokémon. Vendo cada treinador que saia de New Bark para viajar por aí coletando Insígnias, percebeu que era isso que ela queria fazer. Sair da cidade, conhecer novas pessoas... Crescer.

Os pais de Lyra, Gold e Crystal, célebres treinadores Pokémon, cuja mulher era irmã de Elm, mudaram-se para a região de Sinnoh ainda quando ela era muito jovem. Resolveu morar então com seus tios. A esposa do Professor Elm faleceu a alguns anos de uma doença muito rara. Por causa disso, ele se tornou um homem amargurado. Demorou anos para que Elm começasse a retomar o gosto pela vida novamente. E tal fato aconteceu devido aos Pokémon. Por isso ele nunca saiu do laboratório, tendo Lyra como companheira frequente. A garota acabou se tornando uma espécie de filha para o solitário pesquisador, que a ensinou tudo o que sabia sobre Pokémon. Suas experiências, tipos, IVs, EVs, golpes super-efetivos, e tudo o mais. O cientista deu até mesmo o primeiro Pokémon de Lyra: Um pequeno Azurill — que com a dedicação da garota, acabou evoluindo em um bonito Marill. Elm foi um verdadeiro mestre para Lyra.

Há algumas semanas, a garota começou sua jornada Pokémon de uma forma bizarra. Um garoto estranho havia roubado o Totodile de seu tio.

“Um barulho de vidro quebrando foi ouvido ao longe. Os assistentes do professor foram direto ao local do barulho. Elm correu para o local também enquanto Ethan recolhia Totodile, Chikorita e Cyndaquil que estavam correndo apavorados na sala. Assim que os retornou, os garotos deixaram as PokéBolas dentro de uma cabine dentro do PC do Professor Elm e correram para ajudá-lo.

O misterioso garoto dos cabelos vermelhos então conseguiu pular a janela. O barulho do choque dos seus pés com o chão chamou a atenção da Ethan.

— Ethan? O que foi? — Perguntou Lyra ao colega.
— Não... Nada. Acho que estou ouvindo coisas demais... — Respondeu.

O jovem invasor percorreu o corredor até o fim e conseguiu encontrar o local onde Elm fazia suas pesquisas. Ele admirou a estátua dos guardiões e encontrou o local onde estavam guardadas as PokéBolas. Ele se deslocou para o PC, mas uma voz o interrompeu.

— O que está fazendo aí? — Perguntou a voz de Ethan.
— Opa... Parece que eu tenho companhia...
— O que está fazendo aí? — Ethan perguntou novamente ao garoto.
— Bem, particularmente nada. Estou imitando o que vocês garotos fazem, não é? Conseguindo um Pokémon inicial para enfim começar a minha jornada. — Respondeu o garoto.
— Acho que esse não é o método correto de você fazer isso.
— Eu não penso assim. — Disse o garoto pegando uma das PokéBolas que estavam armazenadas.
— Devolva! — Exclamou Ethan.
— Bem, eu não peguei emprestado para devolver. Gosto de ser direto. Estou roubando. Agora, se me der licença, tenho que partir. Sayonara.

O garoto passou correndo. Desaparecendo pelo corredor, Ethan só teve tempo de pegar outra das duas Pokébolas restantes para perseguir o invasor. Passando pelos corredores, ele se aproximava cada vez mais do rastro ruivo que estava a sua frente, derrubando os cientistas, vendo o caminho livre para fugir. Ethan se atrapalhou, tropeçando em um dos cientistas. Elm e Lyra ficaram assustados, mas Ethan se levantou e saiu pela porta do laboratório perseguindo seu alvo.”

Ah, Ethan... Sempre o herói. Ele saiu correndo atrás daquele ruivo e só foi encontrado horas depois pela polícia caído no chão da Rota 29.
A relação com o rapaz vinha desde quando os dois eram crianças. Marieta chegou na Cidade de New Bark com Ethan recém-nascido. Veio atrás do pai daquele bebê, mas nunca o encontrou. Acabou se estabelecendo na pequena cidade. Se tornou vizinha do laboratório do Professor Elm, onde Lyra era criada — lembrando o fato de que Elm morava nos terrenos de seu laboratório, em um sobrado feito na parte de cima. Os dois garotos cresceram juntos, mas desde pequenos já demonstravam antipatia um pelo outro. Talvez tudo tenha começado quando Lyra uma vez, colhendo Apricorns pela Rota 29 e um bando de Pidgey selvagens atacou a garota. O pequeno Azurill tentou dar conta do recado (assim evoluindo) e conseguiu afugentar grande parte daqueles pássaros. A garota voltou desesperada para a Cidade de New Bark, mas percebera que havia esquecido sua cesta com as Apricorns. Viu Ethan chegar logo depois com o objeto, mas ela estava vazia. O jovem rapaz havia comido todas as frutas nela contidas.

Foi aí que um ódio imenso começou a crescer no coração da pequena Lyra. Ela o encheu de porradas e nunca mais confiou nele outra vez. Já Ethan, nunca entendeu o motivo de ter apanhado, portanto, desenvolveu uma relação extremamente traumática e antipática pela menina. E não existe nenhuma possibilidade dos dois se desculparem totalmente por causa disso. Eles apenas se respeitam como treinadores nos dias de hoje, nada mais.

Foi por causa de Ethan que Lyra tomou a iniciativa de sair em viagem. Ela não podia, em hipótese alguma, deixar por ser derrotada por aquele moleque idiota. Ela seria melhor que ele.

A perseguição à Silver foi o gás que Ethan precisou para sair como treinador. Ele havia prometido recuperar o Totodile roubado do Professor Elm.

“Titio... Acho que vou seguir viagem, como o Ethan...”, a garota anunciou, tímida.

Elm não pareceu surpreso. Pelo contrário. Deixou um silêncio prevalecer durante alguns segundos, até levantar de sua cadeira e se dirigir a uma das estantes, retirando um objeto rubro de lá. Ainda em silêncio, andou em direção à sobrinha, estendendo as mãos. A garota soltou um suspiro. Era uma PokéAgenda, igualzinha a que o mesmo havia dado, junto com o Professor Carvalho, à Ethan horas antes. Elm também presenteou a garota com o último Pokémon inicial restante: Chikorita. Afinal, se Ethan tinha saído da cidade com dois Pokémon (o recém-adquirido Cyndaquil, do mesmo laboratório e o Sandshrew de sua mãe), ela também tinha esse direito.

“Eu sabia que estava na hora da minha garotinha crescer”. O homem deu um sorriso jovial ao dizer essas palavras.

E então foi assim que a garota deu seus primeiros passos rumo ao treinamento Pokémon. Estava livre de todo o seu passado. Estava livre dos seus problemas. Estava livre de New Bark.

Seu primeiro Pokémon capturado foi um Sentret. Juntos, eles passaram pela rota 29 capturando todos os Pokémon que viam. Pidgey. Caterpie. Weedle. Sua PokéAgenda começava a ficar cheia de informações. Chegando em Cherrygrove, deu uma boa olhada na praia da cidade. A vista do mar no Centro Pokémon era linda.

Seguiu viagem. Acabou por dormir na Rota 30. No dia seguinte, chegava à Cidade de Violet. Sabia que tinha um Ginásio ali. Tratou de treinar. Foi em direção à Torre Brotinho, mas ficou sabendo que estava fechada porque um treinador de New Bark havia nocauteado todos os Pokémon daquela torre, então os monges estavam recusando batalhas por ora.

Não havia outra escolha. Resolveu seguir para o Ginásio da cidade.

Falkner a recebera muito bem. Explicou as regras da disputa: Dois contra dois. Se a garota vencesse, poderia ganhar a Insígnia de Zephyr. O líder era novo, mas já havia dado sua primeira Insígnia a um garoto genial chamado “Ethan”, que havia proporcionado uma batalha de grandes surpresas. Lyra ficou estática ao saber que seu rival estava na sua frente por uma Insígnia.

A batalha havia iniciado. O Hoothoot de Falkner era forte. Mega, a Chikorita tomou a frente, mas logo fora derrotada pelos golpes aéreos. Estava 1x0 para o Líder de Ginásio.

Lyra usou agora Ota, o Sentret.

Quick Attack, Ota!”.

O esquilinho era rápido. Muito rápido. Hoothoot acabou sendo derrotado, empatando a disputa.

Falkner agora usava seu Pokémon mais forte: Pidgeotto. A grande criatura acabou causando medo no pequeno Ota. “Fury Swipes” tentava atingir o oponente, mas o grande Pidgeotto era veloz. Apenas um Whrilwind foi suficiente para derrubá-lo.

Lyra saíra frustrada do Ginásio. Não podia existir alguém mais forte do que ela.

Ela se sentia inútil.

Algo dentro dela a provocava. Dizia que ela era um lixo. Todos eram melhores que ela.

Mas não! Não! Ela era mais forte que aquelas vozes!

Ela iria tentar de novo! Iria tentar até vencer. Não importava o quanto tentasse, ela iria conseguir ser alguém.

Em seu laboratório em New Bark, seu tio Elm conversava consigo mesmo, ciente da decisão que havia feito em deixar sua sobrinha partir em uma jornada sozinha.

“Espero que a psicose dela não a atormente enquanto ela estiver viajando...”, pensava o Professor sozinho em sua sala.

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