Posted by : Dento Apr 16, 2020




POKÉMON P.O.V. (Point Of View)

— Vocês têm certeza de que essa é a coisa certa a se fazer, né? — questionava Wobbuffet enquanto via seu treinador afastar-se cada vez mais.
— É necessário sim. Sei que é dolorido pra nós, mas precisamos fazer isso — respondeu Quilava.
— Aceitem que nosso mestre só quer saber da namorada e pronto. Nós apenas somos um empecilho na vida amorosa dele e vocês sabem disso. — Pupitar permanecia de costas, sem fazer qualquer tipo de contato visual com seus companheiros.

Ainda chovia. Cada gota de chuva caía com violência no chão, como se quisesse transpassar o calcário que formava o asfalto pelo qual aquelas criaturas caminhavam, e representasse a tristeza furiosa dos corações daqueles Pokémon, que viam seu agora ex-treinador se afastar para longe deles. Um turbilhão de pensamentos passava pela mente de cada um deles que não sabiam o que fariam dali em diante.

Foi Sandslash quem quebrou o silêncio.

— Eu não acho que a mestra Amy concorde com isso... E ainda acredito que ao notar o que o mestre Ethan fez, ela com certeza será uma das responsáveis por fazê-lo vir atrás de nós.

Wobbuffet concordou balançando a cabeça. Pupitar, no entanto, continuava irredutível.

— Vir atrás de nós... Vocês ainda têm coragem de pensar em voltar a serem treinados por ele? Onde vocês enfiaram o orgulho de vocês? Amigos, ou estamos juntos e crescemos juntos ou nós iremos parar no fundo do poço. E é para onde esse humano vai nos levar.

Sandslash aproximou-se do Pokémon.

— Se nós chegamos até aqui, foi porque nós estivemos juntos e crescemos juntos. Mas não foi sozinho, foi com o mestre Ethan. Apesar de todos os erros dele, nós nunca viramos as costas.
— Mas ele virou as costas pra nós. Quando eu mudei de forma, ele não pareceu ligar. Eu não queria ter evoluído, eu não me sinto confortável nesse corpo, entende? Eu me sinto preso, eu estou preso, Sandslash. E quando eu mais precisei do mestre a quem eu dediquei a minha vida, eu fui completamente ignorado por causa de uma humana... Você sabe o quanto isso doeu?
— Quando o mestre Forrest abandonou seus Pokémon, eles juraram lealdade e foram atrás dele — relembrou Wobbuffet.
— Mas o mestre Forrest pensou que não era digno de treinar Rocky e os outros, é uma situação completamente diferente. — Pupitar encarava seus companheiros esforçando-se para fazê-los entender seu ponto de vista. — Eu não acredito que nosso treinador goste da gente.

A equipe de Pokémon se entreolhou.

— E o que você sugere fazer? — perguntou Quilava.
— Vamos nos tornar mais fortes. Sozinhos — respondeu Pupitar.

Nidorino falou pela primeira vez.

— Estou de acordo. Apesar de que eu ainda acredito que o mestre possa vir a se redimir conosco.
— Eu não sei o que dizer, pessoal... Eu só quero participar de uma boa batalha assim que possível. — Magneton não parecia se incomodar nem com a chuva, nem com a situação.
— Precisamos nos manter juntos. E o nosso dever é ser leal ao nosso mestre, é pra isso que nascemos nesse planeta. — Sandslash olhava cada amigo no olho, falando de forma firme.
— E quando a lealdade não se mostra recíproca? Devemos seguir até o final do abismo e esperarmos ser jogados de lá? — Perguntou Pupitar de forma séria.
— Somos Pokémon, não é? Temos poderes que devemos usar para nos proteger em último caso — respondeu Sandslash.

Parece que pela primeira vez naquela discussão, todo o grupo concordava.

***

— Meu filho, você é um idiota! — Aquelas palavras ecoaram pelo corredor. Ethan sentia suas orelhas arderem, queimarem como se estivessem pegando fogo. — Como assim você abandonou seus Pokémon? Moleque, eu não te criei pra ser um frouxo!

A voz zangada de dona Marieta falava havia dez minutos ininterruptos pelo telefone.  Ethan apenas encolhia os ombros enquanto ouvia o sermão, sem chance de dar resposta. Quando sua mãe parou para respirar, o garoto achou uma brecha para se defender.

— Eu só não quero ser um treinador fracassado, mamãe.

Marieta friccionava de forma circular a ponte do nariz com o dedo indicador e polegar enquanto era possível ver uma veia pulsando em sua têmpora. Ela deu um suspiro profundo e virou para a tela, encarando o garoto.

— Meu filho, você não nasceu pra ser fracassado. Você pode ser o que você quiser, você sempre terá o meu apoio. Mas, sempre se preocupe em fazer as coisas direito. Não foi pra isso que você saiu de casa, e não foi pra isso que eu deixei você sair de casa. Se você quiser voltar pro colo da mamãe, não vai ter problema nenhum, mas lembre-se de fazer isso com consciência, com plena convicção. Abandonar seus Pokémon não é a melhor maneira de fazer isso e eu só não te dou uma surra porque Blackthorn ainda fica a alguns quilômetros de New Bark. Dê um jeito de pedir perdão aos melhores amigos que você tem e nunca mais, e repito, NUNCA MAIS faça uma burrada dessas de novo, você tá me entendendo? Não vai ter cidade que separe sua bunda do meu chinelo, moleque! Agora dá licença que o meu jantar está quase pronto. Beijos, te amo. Corrija sua cagada.

E desligou o telefone.

Ethan ainda ficou encarando a tela por alguns instantes antes de suspirar e levantar do banquinho almofadado onde estava. O garoto então se dirigiu para o lado de fora do Centro Pokémon e olhou para o céu, coberto de nuvens espessas que ainda derramavam gotas de chuva em seu rosto. A grossa garoa não impediu que Ethan caminhasse pelas ruas, mesmo com a ausência de um guarda-chuva. As pessoas que passavam por ele não pareciam se preocupar com isso, estando mais focadas em chegar às suas casas quentinhas e descansar de um dia tedioso e feio.

O principal pensamento do garoto era saber como ele reencontraria seus Pokémon. Ele nunca havia estado em Blackthorn antes, então, não conhecer a cidade era um fator que atrapalharia logo de cara. Também não poderia contar com a polícia, afinal, deveria ter alguma lei no Mundo Pokémon que mencionava ser crime abandonar uma equipe inteira e ele não gostaria de passar o resto de seus dias dentro de uma cela fria e suja. Se bem que Forrest também estaria com ele, não é? 

Forrest abandonou seus Pokémon também e não foi crucificado como Ethan está sendo. Como o mundo é injusto...

A chuva começou a cair mais forte. Ethan caminhava sem rumo nas ruas da cidade até ouvir seu nome sendo chamado por uma voz conhecida.

— Ethan! Que engraçado nos encontrarmos novamente!

E aquele timbre de voz fez o garoto, inconscientemente, se encolher entre os ombros e fazer uma careta.

Ao virar-se, deu de cara com Eusine, com um guarda-chuva, caminhando em sua direção. O garoto se aliviou ao ver que, ao menos daquela vez, ele não estava seminu — o que fez o garoto dar um suspiro de alivio.

— E aí, cara... Tudo bem?
— Eu que te pergunto. Você sabe que tá chovendo, né?
— Não fazia a menor ideia... — respondeu Ethan em um tom irônico.

Eusine pareceu não se importar e deu uma risadinha.

— Tenho um lugar pra nós. Se importa? — perguntou o homem estendendo o guarda-chuva para que o garoto pudesse se proteger.

Caminharam por alguns minutos em silêncio pelas ruas de Blackthorn, até que Eusine guiou Ethan para uma barraquinha amarela em uma das esquinas que aos poucos diminuía o fluxo do tráfego de veículos e pedestres. O cheiro de salsicha impregnava o ar e o vapor até que causava certo conforto no menino, que estava encharcado. O vendedor entregou dois cachorros-quentes para Eusine, que estendeu um para Ethan, que ergueu a sobrancelha de forma surpresa.

— Pega. Você deve estar com fome.
— Eu não trouxe dinheiro...
— Já paguei, relaxa.
— Como eu vou poder pagar você depois?
— Melhor comer antes que esfrie.

Ethan encarou Eusine por alguns segundos antes de finalmente ceder. Discutir com o rapaz era claramente lutar uma guerra em que sairia derrotado.

Os dois caminharam até a proteção de um toldo que fazia fachada de uma das lojas próximas e sentaram-se no chão. Calados, os dois terminaram de degustar o lanche e soltaram um suspiro de satisfação. Foi Eusine quem puxou assunto.

— Então, de barriga cheia, eu posso te perguntar: Por que você tava andando por aí na chuva? Deve ter sido alguma coisa bem complicada pra tirar você do sério assim.

Ethan encarou Eusine com curiosidade. Era estranho o homem querer saber sobre o que estava acontecendo na vida do garoto, afinal, eles mal se conheciam.

— Olha, Eusine... Sem querer ofender ou ser grosseiro, mas por que você se importa?
— Você me lembra muito um amigo meu. O jeito de andar, a franja despenteada... Mas principalmente seu boné, do mesmo modelo e marca que ele utilizava quando viajávamos juntos. Toda vez que eu te vejo, eu me lembro dele.

Houve um momento de silêncio antes de Ethan retomar a conversa.

— O que aconteceu com o seu amigo?
— Sabe que eu não sei? Deve ter morrido. Seria bom.

Ethan arregalou os olhos.

— Ué! Por quê?
— Não desejo o mal dele, mas é porque depois que terminamos nossa jornada Pokémon e eu passei a pesquisar ainda mais sobre o Suicune, ele desapareceu. Deve ter se mudado pra outra região do mundo, feito jornada lá. Ele nunca foi do tipo que aceitou ficar muito tempo parado, tava sempre procurando o que fazer, sempre a encontrar um novo desafio para se superar. Apesar do temperamento forte dele, eu sei que ele era uma boa pessoa. Sabe, garoto, sempre que puder, valorize os amigos que você tem. Quando ninguém estiver presente, tenha certeza que eles estarão lá.
— Sabe que você é a segunda pessoa a falar de amizade comigo hoje?
— Que pena, não gosto de chegar depois.
— Eu acho que sou um amigo muito ruim.

Eusine deu um sorrisinho.

— Por que acha isso?
— Eu abandonei meus Pokémon, por causa disso meu melhor amigo e minha namorada me odeiam.
— Por que você abandonou seus Pokémon?
— Porque eu sou um péssimo treinador. Eu mal consegui controlá-los na minha última batalha de Ginásio! Eu devia era nunca ter saído de casa.
— Voltar pra casa vai te fazer corrigir seus erros e se tornar uma pessoa, amigo, treinador e namorado melhor?
— Não. Por isso eu ia pra casa, assim eu me escondia debaixo da cama pra sempre.
— Fugir dos seus problemas não vai resolver nada. Eles ainda vão existir, e você vai continuar sendo fraco.
— Obrigado pelo apoio — disse o garoto com ironia.
— Ficar bravo não vai resolver nada também. Você sabe que eu tenho razão.

Ethan suspirou.

— Eu gostaria de dizer que você está errado...
—Sabe de uma coisa? Nós até que somos bem parecidos.

O garoto arregalou os olhos.

— Somos? Por quê?
— Porque nós dois, quando colocamos algo na cabeça, não tiramos de jeito nenhum. Eu, desde criança, sempre fui apaixonado pelo Suicune. Desde então, passei a acreditar que um dia irei capturá-lo e treiná-lo, ele será só meu. A lenda desta criatura não é fascinante por si só? Três Pokémon que morreram dentro da Torre Queimada, sendo ressuscitados pelo benevolente Ho-Oh, o grandioso pássaro dos céus, e que agora despertos com certeza estão à procura de um mestre que possa treiná-los e torná-los mais fortes, enquanto aguardam o retorno da criatura que os criou para que pudessem banir todo o mal do planeta. Você deve imaginar que todos aqueles que eu um dia conheci duvidaram deste meu sonho, não é?

Ethan riu.

— Admito que eu também sou bastante cético quanto a isso. Poxa vida, é um Pokémon Lendário! Nas vezes que o encontramos, você não pensou duas vezes em querer passar por cima de nós só para poder ter uma chance de batalhar contra ele!
— Exato garoto. Não leve para o lado pessoal, mas não é só você. Eu passaria por cima do mundo, se pudesse, só para conseguir capturar esse Pokémon. Suicune é meu sonho de vida, e eu, apesar de reconhecer certos exageros nesses longos vinte e cinco anos que o persigo não me arrependo nem um dia sequer de ter lutado para que isso pudesse se concretizar.

O garoto permaneceu em silêncio por alguns instantes, refletindo sobre o que Eusine estava dizendo. Apesar de Ethan o achar um completo lunático, ele até que era inteligente.

— Posso te fazer uma pergunta? — Eusine questionou a Ethan.
— Pode.
— Você disse que abandonou seus Pokémon porque você não conseguiu vencer sua batalha no Ginásio... Sua equipe por acaso tem alguma culpa nisso ou a responsabilidade por não ter preparado seus companheiros da forma devida é toda e exclusivamente sua?
— Não necessariamente... Mas eu ouvi hoje na sauna que existe um certo tipo de treinamento Pokémon em Hoenn que o treinador abandona seu Pokémon quando ele perde. Eu acho que me levei pela frustração e acabei fazendo igual...
— O método Nuzlocke é a coisa mais ridícula que eu já ouvi na minha vida.

Ethan encarou Eusine como se tivesse levado um soco.

— Você conhece?
— Claro que sim! Eu tenho contatos na Liga Pokémon, garoto. Eu acho que quem segue o Método Nuzlocke é um fraco. Você ter que abandonar seu Pokémon por que ele perdeu uma vez? Isso é ridículo! Eu acredito que quando se perde uma batalha, não se perde a guerra. Você e sua equipe devem se fortalecer para que se possa vencer na revanche. Perder não é ruim, ruim é agir como um derrotado.

Ethan encarou a palma das próprias mãos antes de se levantar bruscamente e sair correndo. Eusine permaneceu sentado com seu sorrisinho de canto de boca.

— Esse garoto ainda vai pegar uma gripe se continuar insistindo em sair sem guarda-chuva...

***

As ruas da cidade de Blackthorn ficavam cada vez mais desertas. A cada passo que o garoto dava em direção ao Ginásio, ele olhava para os lados, procurando qualquer sinal visual de seus Pokémon, mas não havia um qualquer. O garoto arfava de cansaço, arqueou-se e repousou as mãos nos joelhos, enquanto sentia o suor escorrer pelo rosto e um calor invadir o interior de seu corpo. O clima úmido e frio que fazia na cidade até tentava aliviar a temperatura que o garoto sentia, mas a adrenalina não o permitia descansar. Ele ergueu-se e olhou para os lados mais uma vez, mas nenhum de seus Pokémon parecia estar próximo. Ouviu passos correndo em sua direção e deparou-se com jovens treinadores que mantinham na face um sorriso de satisfação. Enquanto Ethan recuperava o fôlego, não pôde deixar de ouvir a conversa que aqueles treinadores mantinham entre si de forma apressada.

— Cara, esses Pokémon selvagens da Rota 45... De onde será que eles surgiram?
— Nem sei, cara, mas se os boatos estiverem corretos, eles estão lá. Tem até Quilava! Nossa, imagina um Typhlosion no meu time? Eu vou arrasar na Liga Pokémon!

Ethan arregalou os olhos.

— Não pode ser...

E lutando contra a exaustão, o garoto correu tentando alcançar os dois treinadores que passaram por ele há poucos instantes.

***

A Rota 45 não se diferenciava muito da paisagem montanhosa que era predominante naquela parte da região de Johto. Ela era construída por entre uma cordilheira que separava o norte da região do sul, onde cidades costeiras como New Bark e Cherrygrove foram construídas e que eram destinos inevitáveis para os viajantes que prosseguiam por ela, afinal, o caminho em declive era o último passo para onde os treinadores Pokémon costumavam passar antes da Liga Pokémon, que acontecia no continente vizinho, Kanto.
Por outro lado, havia a entrada para a Caverna Escura, um caminho por dentro da montanha que levava à Violet em meio a encontros com Pokémon raros. Àquela hora da noite tais caminhos costumavam estar tranquilos, mas naquele dia em específico o movimento era grande. Treinadores e Pokémon vasculhavam cada canto da rota à procura de raríssimas criaturas que de uma hora para outra, apareceram nas redondezas. As águas do rio que fluíam da cidade de Blackthorn às margens dos caminhos sinuosos eram a única fonte sonora naquela área. O silêncio era total para que fossem localizados os Pokémon que os últimos boatos diziam que podiam ser encontrados ali.

— Encontrei! — exclamou um dos treinadores, apontando para Quilava, que tentava se esconder por entre a vegetação.

O grupo correu para onde o garoto apontava. O Pokémon de fogo fora acuado com os humanos em volta, sem ter para onde correr. Acendeu as chamas em suas costas como forma de ameaça, mas não pareceu assustar os treinadores. Um ThunderShock rasgou o céu, chamando a atenção de todos.

Faísca se aproximava lentamente. Apesar de sua expressão sempre se manter a mesma, com seus três olhos encarando os oponentes sem demonstrar qualquer tipo de emoção, correntes elétricas faiscavam dos imãs nos extremos de seu corpo — ele estava furioso. Sand, Wobbuffet e Imperador o acompanhavam caminhando em posição de ataque, prontos para defender Quilava de qualquer tentativa de ataque.

Um dos treinadores, porém, não pareceu temê-los.

— Aí galera, se combinar certinho, todo mundo aqui hoje vai descolar um Pokémon maneirão pra equipe... — sorriu maliciosamente, sacando uma PokéBola do bolso.

Em um piscar de olhos, uma dezena de Pokémon atacavam por todos os lados. Quilava e seus companheiros tentavam se defender da maneira que conseguiam, um tentando cobrir as desvantagens do outro. Os Pokémon disparavam seus golpes e se preocupavam apenas em não atingir uns aos outros em fogo amigo. Apesar da desvantagem numérica, os oponentes iam recebendo danos consideráveis em seus corpos, para angústia e raiva de seus treinadores.

— Granbull, faça picadinho desses imbecis! — bradou um dos treinadores.
— PAREM!!! — berrou a voz de Ethan.

Por alguns segundos, o tempo parou. Ao se virarem, os treinadores e seus Pokémon depararam-se com o garoto quase desmaiando e arfando de cansaço.

— Esses... São... Os meus... Pokémon!
— Aí otário, se quiser capturar eles, você vai ter que auxiliar na batalha como todo mundo, sacou? — comentou uma treinadora.

Ethan reuniu todo fôlego que ainda tinha e tentou ignorar a forte pontada que sentiu na região do diafragma e correu na direção da vegetação onde a aglomeração permanecia. Furou o bloqueio humano e parou de costas para Quilava, de frente para os treinadores, abrindo os braços para protegê-lo.

— Ninguém... Chega... Perto... — murmurava o garoto.
— Aí, maluco, o que você tá pensando? — um dos garotos vociferou de forma ameaçadora para Ethan. — Você quer morrer?

Quilava e os outros Pokémon da equipe encaravam Ethan incrédulos. Aquele garoto humano, poucas horas atrás, havia dispensado-os. Agora, estava ali, defendendo-os de outros treinadores que queriam capturá-los.

— Ei, eu te conheço! Você não é aquele moleque do Lago dos Magikarp? Você apareceu na TV! — exclamou uma das treinadoras.
— Pode crer! Você tava na treta contra os Rockets junto com a Elite 4 também, em Mahogany, semana passada! — lembrou outro garoto.
— Agora tudo faz sentido... Esses Pokémon são seus!

Ethan confirmou com a cabeça.

— Você abandonou eles? — Os questionamentos continuavam.
— Eu cometi um erro. Eu joguei nas costas deles uma responsabilidade que era só minha — respondeu o garoto de forma firme.

Um dos garotos aproximou-se de Ethan e cospiu em seu rosto.

— Você é um treinador repugnante! Seus Pokémon merecem coisa melhor do que um lixo como você, conosco com certeza eles serão devidamente treinados como merecem.

Ethan passou o antebraço direito no local da cospida e deu um sorriso sádico.

— Só por cima do meu cadáver.

O garoto socou o treinador com toda força que conseguiu reunir. Logo, os demais partiram para cima e se juntaram à pancadaria. Ethan era um só e começou a apanhar daquela dúzia de outros treinadores que o espancavam cheios de raiva, um deles o socou e o derrubou no chão na medida que outros dois começaram a chutá-lo nas costelas e suas partes baixas. A briga então se estendeu para os Pokémon que trocavam golpes entre si, uma confusão generalizada tomava conta da Rota 45.

Quilava correu para  tentar defender seu treinador, mas os demais Pokémon fizeram um cerco contra e o impediram de continuar. Sandslash tentou furar o bloqueio e acabou sendo agredido por um Hitmontop. Magneton tentou paralisá-los até que se acalmassem, mas a presença de um Donphan dificultava a situação.

Os arruaceiros que se declaravam como treinadores só pararam a investida quando puderam ouvir a sirene da polícia ressonar cada vez mais próxima. Eles pararam de agredir Ethan, largando-o sangrando e quase inconsciente no chão para desaparecerem dali antes que as autoridades chegassem e começassem a fazer perguntas com risco de os abdicar de seus títulos como treinadores.

— Isso ainda não acabou, seu bosta. A gente vai se ver de novo — disse um dos rapazes antes de chutar com força a cabeça do garoto, desmaiando-o em definitivo.


TO BE CONTINUED...

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  1. Hey Dento! Em vez de uma batalha de pokémon tu fez uma batalha entre humanos? Adorei! Mais uma vez impressionando com sua fanfic! Parabéns!

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    1. Yo, Shii!

      Pois é. Vez em quando a gente tem que dar uma inovada, então por que não fazer uma luta entre humanos? AHAUHAUEHAEUAHE Fico feliz que você se surpreenda com o que eu escrevo!

      Espero que você continue curtindo!

      See ya!

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  2. Oi Dento!

    Tal como eu desejava, tivemos um pouco do POV dos Pokémon de Ethan. Gostei da conversa entre eles. Percebemos exatamente o que sentem relativamente a toda esta confusão. Gostei do Pupitar mega revoltado e do Sandlash ainda com esperança que Ethan revoltasse. Faz sentido, tendo em conta a história de cada um.

    Ainda bem que a mãe de Ethan lhe deu na cabeça também. Foi bom termos Marieta de volta por um pouco!

    Gostei igualmente da participação de Eusine nesse capítulo. Fiquei curioso para saber mais sobre ele. Quem era esse companheiro que ele falou? E espera... 25 anos atrás de Suicune? Eu espero que ele consiga realmente apanhá-lo...

    E no final, temos o culminar de tudo. Ethan corre até à Route 45, onde os seus Pokémon são encurralados por um grupo de treinadores violentos. O rapaz inicia uma luta com toda a gente presente no local e acaba espancado, tentando proteger os seus Pokémon.

    Será que isso é suficiente para que eles voltem para o lado de Ethan? Quais são as consequências do ocorrido?

    Continue Dento!

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    1. Yo, Angie!

      Agora a gente começa a entender todos os lados envolvidos nessa história, inclusive a dos próprios Pokémon. Sempre disse que, por mais que seja uma história que envolva os Pokémon, muitas vezes eles são deixados de lado. Eu quis, ao menos, botar o posicionamento deles também.

      Sim! Até a Dona Marieta ressurgiu pra brigar com seu filho. O mundo se volta contra Ethan. EHAUEHAUEHUEAUHAUHA. Confesso que estava com saudades dela também, é bom saber que você também curtiu a volta dela.

      Junto com a Marieta, tivemos também Eusine, fazendo o que faz de mais importante: Caçar o Suicune, é só o que resta mesmo. HAEUAEHUAEHAUHAE. Depois de um tempo sumido, ele aparece aqui ajudando o roteiro a se mover. E, modéstia a parte, eu gosto de trazer personagens secundários que não costumam aparecer muito. Acredito que isso dá uma variedade na história, você não concentra o enredo apenas nos seus protagonistas... Que bom que você gosta!

      Pois é, cara! O Ethan tanto se fez de teimoso que o universo o fez quebrar a cara, literalmente. É muito triste tudo isso o que está acontecendo... Resta saber como isso tudo vai se desenrolar né?

      Espero que você continue se surpreendendo!

      See ya!

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  3. Esqueci de comentar no capítulo passado uma das presenças que mais me agradou: o inusitado Eusine. Isto eu já percebi que é um padrão seu, porque toda vez que eu falo que não estou gostando de um personagem você diz: "Ah, então é assim, desgraça?" kkkkkkk Aconteceu com o Forrest e outra vez você voltou a me surpreender, pois para mim o Eusine sempre foi o cara mais aleatório nessa jornada, mas agora retorna cumprindo seu papel melhor do que qualquer outro. Sem Forrest, sem Amy, sem mamãe, sem Pokémon por perto... quem sobra para contracenar? O cara que todo mundo chamava de louco, e de repente tem muito mais sabedoria para compartilhar do que os que se julgam os mais sábios. As duas cenas dele nesses dois capítulos foram uma mistura de cômico, bizarro e sensato. Não é como se o Ethan tivesse muito mais opções para ouvir kkkkkkk Mas e não é que o cara tem toda razão?

    Pupitar e os Pokémon do Ethan tiveram um merecido desenvolvimento aqui, desde o momento em que o Pupitar se sentiu forçado até o apego do Sand com seu ex-treinador. Cara, mesmo que eles não tenham um especial dedicado só para eles, é muito bacana como você conseguiu que todos tivessem personalidades bem definidas, algo que combina inclusive com os métodos do Ethan. Está claro que todo mundo ficou ressentido com o abandono. Eles querem voltar e o Ethan os quer de volta, mas há uma parede invisível enorme que os separa. Será que ambos ainda são dignos um do outro? Porque não adiantaria nada voltar para que as coisas continuassem na mesma, e é disso que mais gosto nessa história toda deles terem sido liberados.

    Dona Marieta voltando só pra dar esporro no filho foi um dos diálogos mais fortes e sinceros que você fez aqui, e arrisco dizer que ela foi uma das mães que mais fez pelos seus filhos nas fics da Aliança, nem que seja na base da chinelada HAEUHUHAEHAE Pô cara, e que final maluco, treinador contra treinador saindo no soco, Pokémon tacando poder para todo lado e um desfecho que certamente deixará consequências... aqui termina as partes que sei e acompanhei o desenvolvimento, porque depois de deixar o Ethan à beira da morte, juro que estou imaginando que tipo de consequência isso deixará na vida dele. Normal, com certeza não vai ser. E ainda com contas a acertar. Esse arco está sendo de tirar o fôlego, ansioso pelo próximo. E #EthanNãoMorre. Grande abraço!

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    1. Yo, Canas!

      Pois é, cara. Quando a gente menos espera, sempre tem alguém que aparece pronto pra filosofar sem pedir licença antes. E é como dizia o Chorão: Só os loucos sabem.

      Pois é, cara. Eu acho que o orgulho é uma das coisas mais terríveis que existe. Sentir orgulho é positivo, mas quando se deixa esse orgulho ser mais forte do que o perdão, aí as coisas se complicam... Nenhum orgulho é maior do que perdoar, cara, pra mim é o mais nobre dos atos... Quando você reconhece que errou, ou quando você vê que realmente as pessoas acabaram se arrependendo pelo erro que elas cometeram e você por limpar essa mágoa do coração. É um esforço dos dois lados e é, em minha opinião, uma das coisas mais sinceras que a gente pode fazer para com o outro. Agora resta saber se isso vai ser aplicado aqui e quando...


      Falando em perdão, temos aqui dona Marieta novamente se importando tanto com seu filho que, mesmo longe, faz questão de colocar ordem na casa e pedir, justamente, para que Ethan vá conseguir o perdão daqueles que acabou magoando. Uma vez, conversando sobre o amor, você mencionou que eu costumo abordá-lo de uma maneira mais sensível em AeJ... Talvez seja porque eu tendo a ver o amor de uma maneira assim, mais simples... Acho que amar é colocar o outro acima de você mesmo. Claro que a gente sempre tem o conceito do "amor-próprio", e que eu também acredito que a gente só aprende a amar alguém quando começa a se amar primeiro, mas acho que existem algumas coisas a se fazer antes de começar a se amar. E isso é justamente entender como o amor está espalhado no mundo ao nosso redor, entender o amor como uma coisa maior que não está necessariamente ligado a um casal que se ama apaixonadamente, mas na relação entre o amor que existe entre dois amigos, entre um pai e um filho, entre um treinador e seu Pokémon... É legal ver como eu estou conseguindo amadurecer isso e refletir melhor a cada novo capítulo que eu escrevo. Muito obrigado por sempre me fazer enxergar essas coisas, mesmo que às vezes você nem perceba isso. Aventuras em Johto só existe porque eu sou muito seu fã e só tenho a agradecer por ter você na minha vida como um dos melhores amigos que eu tenho.

      E já que estamos falando de amor: Te amo, carai! É nóis!

      Espero que continue AMANDO o AeJ.

      See ya!

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  4. Oia o pau quebrando, eta poha!

    Briguem desgraçados briguem!

    Kkkkkkk ótimo cap dento!
    Manda mais!

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    1. Yo, Anan!

      Olha a porrada comendo solta. Alguém por favor corre pra afastar antes que machuque de verdade! HEAUAEUEHAUHE

      Espero que você continue se surpreendendo!

      See ya!

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  5. Um cap cheio de sentimentos, e violência.
    Não sei se tenho mais pena do Ethan ou dos Pokémon dele agora.
    Só te peço pra que deixe a equipe junta, não importa o que aconteça... (Vai que alguém é capturado por um treinador aleatório?)

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