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Capítulo 29
Forrest e Lyra aguardavam do lado de fora do quarto onde estava
Ethan no Centro Pokémon. O garoto estava internado há três semanas devido aos
acontecimentos ocorridos na Torre do Sino. O silêncio entre os dois era
constrangedor. Lyra, concentrada em seu PokéGear, não puxava assunto e Forrest estava
tão sem graça que havia perdido a habilidade de falar.
Vez em quando, o moreno olhava a garota com um olhar de súplica,
tentando fazer com que Lyra dissesse o que estava acontecendo. Afinal, ela
estava tratando-o diferente do que costumava.
Foi quando ela levantou-se abruptamente e dirigiu a palavra à
Forrest pela primeira vez.
— Chegou a nossa vez de entrar no quarto. — Disse sem fazer
contato visual. Forrest a seguiu.
A porta fora
aberta. Os dois entraram no quarto e viram Ethan e Amy sozinhos e o garoto
fazendo uma careta estranha. Forrest ficou com uma expressão de dúvida.
— Atrapalho
alguma coisa? — Perguntou.
— Não. Estava
vendo se o Ethan estava bem. E está muito bem. Até melhor do que era. — Sorriu
Amy.
Lyra olhou
para o garoto.
— Não morra,
Ethan. Você será meu oponente na Liga Pokémon, até lá, mantenha-se vivo.
Lyra saiu do quarto tão rápido quanto entrou. Forrest ficou
encarando a porta por onde ela saiu com a esperança de vê-la voltar.
Foi Amy quem tirou o rapaz do transe.
— Tá tudo bem, Forrest? — O moreno tomou um susto, surpreso pelo
choque de realidade.
— Ah... Estou. Estou sim. Acho.
Ethan sentou-se na cama e olhou para Amy, voltando a encarar
Forrest logo em seguida, com uma expressão visivelmente confusa.
Relacionamentos eram esquisitos. Principalmente quando você não
sabe o que esperar das outras pessoas.
Ao menos foi a mensagem que Amy deixou claro quando o trio deixou
o Centro Pokémon de Ecruteak, finalmente.
Ethan, Amy e Forrest continuavam seguindo em sua jornada Pokémon
após os eventos da Cidade de Ecruteak. O próximo destino é a Cidade de Olivine,
no litoral oeste da Região de Johto.
— Deixando as desilusões amorosas de lado, já pararam pra pensar
que eu estou no meio da minha jornada? Poxa, já estou com quatro insígnias! —
Sorria Ethan enquanto analisava os quatro pequenos emblemas brilhantes no
estojo negro.
— Pois é... Acho que você tá indo rápido demais. Calma aí,
grandão. Vamos aproveitar mais nossa viagem. — Disse Forrest.
— Concordo. Afinal, eu ando correndo tanto da Equipe Rocket que eu
nem tive tempo de curtir a paisagem... Sinto como se minhas pernas tremessem de
ansiedade. — Comentou Amy com um olhar sonhador.
Ethan e Forrest pararam de andar.
— Acho... Que o chão tá tremendo mesmo... — Disse Ethan.
Um grande buraco abriu-se no meio da Rota 38. Um imenso Pokémon
apareceu do meio da estrada e encarou com um olhar feroz os três garotos. Ele tinha uma corrente enorme de pedras cinzentas que formavam seu corpo e se tornavam menores conforme seguia para sua cauda. Havia uma ponta rochosa em sua cabeça e seu corpo era duro e muito sólido. Ethan
sacou a PokéAgenda.
—
“Onix, um Pokémon Serpente de Pedra. Ele se contorce através do solo. O
estrondo de sua escavação ecoa por um longo caminho. Ele fura o chão
rapidamente a 80 km/h torcendo seu corpo maciço e rochoso”. — Informou o
aparelho.
O grande Onix continuava fitando os três garotos que deram um
passo para trás.
— Não... Se... Mexam... — Cochichou Forrest.
Onix avançou e Ethan sentiu seu corpo sendo preso. O Pokémon
agarrou o menino com sua cauda de pedras maciças e o levou em direção ao rosto.
Amy e Forrest agarraram suas PokéBolas.
— Primeape, vai!
— Graveler, eu escolho você!
Primeape e Graveler encararam o poderoso oponente de forma séria.
Estavam aguardando as ordens dos treinadores, quando foram pegos de surpresa.
Ethan ria. Ria muito. Compulsivamente. O gigante Onix fazia
cocegas no garoto lambendo-o com sua língua árida.
— Para... Para... Para! Eu vou morrer! HAHAHAHAHAHA!!! — Exclamava
o garoto.
Forrest olhava a cena confuso.
— Aquele Onix está... Brincando?
Amy parecia surpresa.
— Que hora meio infortuna pra rir...
— Rocky, largue ele agora! — Soou uma voz.
Onix imediatamente colocou Ethan no chão com cuidado e uma
expressão de medo tomou seu rosto. Ele inutilmente tentou se esconder atrás de
Forrest e Amy, mas seu corpo era tão gigante que apenas parte do seu rosto
ficou oculto.
Um homem baixinho, ranzinza e narigudo, ainda que jovem, com chicotes
e rodas de hipnose, semelhantes aos vistos com hipnotizadores surgiu. Tinha
grossas sobrancelhas em cima de seus grandes olhos azuis e seu cabelo castanho
em forma de tigela balançava com o vento. Ele se aproximou com um olhar sério.
— Peço desculpas se meu Onix causou algum problema. Meu nome é
Ringo.
— Eu sou Ethan, e estes são Amy e Forrest. — Apresentou o garoto.
— Este é Rocky, o meu Onix. Estávamos no meio de um treinamento
quando ele fugiu. Pokémon malvado... — Ringo olhou para o Pokémon com seu olhar
ranzinza.
Onix tremia de medo. Forrest notou.
Ringo aproximou-se de Onix e o moreno se pôs na frente.
— Se você é o treinador dele, por que o Onix está com medo de
você?
Ringo parou abruptamente.
— Ele não tem medo. — Disse
o homem forçando um sorriso.
Amy também notou algo estranho com Onix.
— Acho que meu amigo tem razão... Você maltrata esse Onix.
Ringo deu um passo para trás.
— Vocês não tem provas.
— Eu posso provar. — Disse Forrest aproximando-se do Onix.
O Pokémon colosso pareceu se incomodar quando o moreno se
aproximou. Não queria ser examinado.
Ethan aproximou-se de Onix.
— Confie na gente. Vai ficar tudo bem. — Sorriu o garoto.
Onix pareceu se acalmar ao ouvir aquilo. Forrest então analisou o
corpo do Pokémon, encontrando várias cicatrizes.
— Não é a toa que ele está com medo... Esse Pokémon está realmente
sendo maltratado por você. — Concluiu o moreno.
Ringo deu um sorriso sínico.
— Vocês crianças são idiotas... Este Pokémon tem medo de lutar.
— Como assim? — Perguntou Ethan.
— Ele não gosta de enfrentar outros Pokémon. É um grande inútil. —
Disse o homem.
Ethan se pôs a frente de Onix.
— Todos os Pokémon são fortes a sua maneira. Cabe ao treinador
compreender qual o melhor tipo de treinamento que ele usará. — Disse o garoto
com uma expressão séria.
Ringo sorriu.
— É meio engraçado você falar isso. Treinadores Pokémon fazem
exatamente o que eu faço. Torturam. Machucam. Ferem os Pokémon em batalhas. E
vocês realmente se acham melhores do que eu?
Ethan fechou os punhos com força.
Amy caminhou lentamente até Ringo.
— A diferença entre nós e você é que entendemos o que nossos
Pokémon querem. Quando eles não querem lutar, nós não os forçamos. Quando eles
querem descansar, nós os poupamos. Eles são seres vivos. Nós também. Entendemos
seus limites. Não os tratamos como escravos.
Ethan pôs uma das mãos sobre o ombro direito da garota, que o
olhou curiosa.
— Deixa eu mostrar pra ele na prática.
Ringo pareceu interessado.
— Você está me desafiando? Foi a pior coisa que você resolveu
fazer na vida.
O garoto pareceu não dar ouvidos, então se virou para Onix que
observava atentamente.
— Eu vou livrar você desse cara e então, você vem comigo, Rocky.
Eu vou tratar você como você merece.
O Onix ergueu a cabeça encarando Ethan e começou a chorar, abrindo
o maior berreiro no meio da Rota 38.
— Muito bem. Vou pegar leve, garoto. Electabuzz, é com você. —
Ringo arremessou sua PokéBola e um Pokémon humanoide com alguns traços felinos
apareceu. Ele era coberto de pelos amarelos com listras pretas e uma grande
faixa no peito com a forma de um relâmpago. Ele tinha uma longa cauda. Havia
três dedos com garras em seus pés, com dois na frente e um na parte de trás,
enquanto tinha cinco dedos em cada mão. Electabuzz tinha duas presas afiadas e
um par de antenas com extremidades bulbosas. Assim como Onix, Electabuzz tinha
cicatrizes por todo seu corpo.
— “Electabuzz, um Pokémon
Elétrico. É a forma evoluída de Elekid. Eletricidade corre ao longo da
superfície do seu corpo. Na escuridão, todo o seu corpo brilha um branco-azulado.
Seu corpo constantemente descarrega eletricidade. Se chegar perto, ele vai
fazer seu cabelo ficar em pé.” — Informou a PokéAgenda de Ethan.
— Larvitar, vamos mostrar como é que as coisas funcionam. — Ethan
liberou o pequeno Pokémon em campo, que encarava sério o grande oponente.
Forrest exclamou.
— Ethan, tem certeza? Você só treinou com ele com alguns Pokémon
selvagens... Vai enfrentar um oponente forte como Electabuzz? Poderia ter usado
o Sandshrew!
— Eu sei disso. Larvitar precisa de treinamento. Eu ando
utilizando demais o Sand, melhor deixar ele descansando. — Respondeu Ethan.
Ringo soltou uma risada.
— Hahaha! Como você acha que vai ganhar com esse Poké-miniatura?
Ethan devolveu o riso.
— Não se julga um livro pela capa. Larvitar, Sandstorm!
O pequeno Pokémon ergueu seus braços e instantaneamente o céu
começou a mudar de cor. Nuvens densas de poeira começaram a se formar e a ficar
mais próximas do chão. Uma tempestade de areia se formou e se espalhou por todo
o campo de batalha. O Pokémon então apontou seu chifre para Electabuzz e
dirigiu uma tempestade de areia em sua direção.
Electabuzz não conseguia visualizar o oponente.
— Eu descobri que a habilidade do meu Tar é Véu de Areia. Seus movimentos ficam mais rápidos quando Sandstorm tá na área. — Explicou Ethan.
— Por causa disso... Rock Slide,
Larvitar!
Larvitar saltou e jogou seu peso no chão, quebrando-o e fazendo
vários pedaços grandes de pedra subirem ao céu. A gravidade os fez cair em cima
de Electabuzz, que ainda tomava dano do Sandstorm.
Ringo sorriu de maneira masoquista.
— Você é um bom treinador, moleque... Agora é nossa vez de
brincar. Electabuzz, Low Kick!
Electabuzz pulou em direção à Larvitar e chutou o estômago do
pequeno com um de seus pés. Larvitar foi arremessado para longe.
— Larvitar! — Exclamou Ethan.
— Não é só de golpes elétricos que vive um Electabuzz. — Sorriu
Ringo maliciosamente.
Ethan exclamou. Milhares de ideias passavam por sua cabeça, mas
nenhuma delas parecia ser efetiva contra Electabuzz.
— Electabuzz, Low Kick
de novo.
O Pokémon de Ringo avançou feroz contra o Larvitar, que estava no
chão.
— Tar, Evasiva! — Gritou Ethan.
Electabuzz avançava veloz, mas o Sandstorm ainda estava ativo. Larvitar esquivou e Electabuzz
atingiu o chão, caindo de cara.
— Larvitar, Bite!
Larvitar correu em direção ao Electabuzz no chão com a boca
aberta. Suas presas afiadas foram expostas e o pequeno mordeu o rabo de
Electabuzz.
A tempestade de areia no campo de batalha desapareceu com o vento
que soprava. Electabuzz deu um berro e começou a chacoalhar o corpo para fazer
com que Larvitar soltasse seu rabo. Quanto mais rápido Electabuzz se mexia,
mais forte Larvitar cravava sua mordida.
— Electabuzz, tire ele daí! Swift!
— Exclamou Ringo.
Electabuzz saltou no ar e sua cauda brilhou num tom de amarelo. Balançando
o rabo, várias estrelas amarelas com brilhos dourados saíram dela, entrando na
boca de Larvitar e explodindo. O Pokémon de Ethan caiu ao chão.
— Larvitar! — Exclamou Ethan.
Electabuzz pousou majestosamente no chão e soltou um berro,
provocando Larvitar. O pequeno apoiou-se sobre as patas dianteiras e encarou
Electabuzz com um olhar raivoso.
— Ainda tem força pra continuar? Mas que praguinha...
— Aprendi com o Forrest que Larvitar tem níveis de defesa muito
bons. Derrubar ele é difícil, principalmente quando o oponente é um tipo
elétrico. — Disse Ethan.
Forrest sorriu.
— E o fato de você não estar usando golpes elétricos não ajuda
muito. O dano que você causa em Larvitar não é o suficiente para cansá-lo. Sua
resistência é muito boa. — Disse o moreno.
Ringo fez uma expressão raivosa.
— Aaaargh! Vocês me irritam! Electabuzz, ThunderPunch!
O punho de Electabuzz envolveu-se em eletricidade. O grande
Pokémon atingiu o rosto de Larvitar, que não se moveu.
— No desespero, acho que você deve ter se esquecido de que ataques
elétricos não funcionam no Larvitar... Hehehe... — Sorriu Ethan. — Rock Slide!
Larvitar deu um sorriso sádico e encarou o grande Electabuzz.
Enfiou sua pata no chão, quebrando-o em pedaços que foram atirados em direção
do oponente, que foi jogado para longe, atingindo o chão nocauteado.
— Electabuzz! — Exclamou Ringo.
— Game over. — Sorriu Ethan.
Ringo retornou o Pokémon e em seu olhar estava nítido um ódio
profundo. O rapaz apontou o indicador para Onix, que observou toda a batalha.
— Espero que você seja um Pokémon inútil para o resto da vida.
Você não aproveitou a grande oportunidade que o Grande Ringo deu para você.
Ringo deu as costas e rumou para algum lugar desconhecido.
Ethan se virou para o Onix.
— Não ligue para o que ele falou. Você é um ótimo Pokémon, tenho
certeza disso.
Onix fez uma cara de desânimo. O garoto pegou uma PokéBola.
— O que me diz de se tornar o Pokémon mais forte do mundo?
Onix olhou receoso. Havia passado traumas o suficiente nas mãos de
Ringo. Não queria sofrer mais em mãos humanas.
Forrest aproximou-se de Ethan.
— Acho que ele ainda tem traumas de treinadores, cara... Vamos
tentar uma batalha contra ele antes de captura-lo.
— Hmm... Acho que é uma boa ideia... Mas eu não quero machuca-lo,
então... Flaaffy, eu escolho você! — Ethan arremessou a PokéBola.
Amy soltou uma exclamação.
— Você pirou? Ataques elétricos não têm efeito contra um Pokémon
do tipo Pedra como o Onix!
Ethan sorriu.
— Exatamente.
Flaaffy encarou o gigante oponente e correu para se esconder atrás
da perna de Ethan, morrendo de medo.
— Não se preocupe, Flaaffy. Confie em mim. Vamos pegar leve com
ele, okay? — Disse o garoto guardando a PokéBola vazia.
Onix encarou o garoto e o pequeno oponente.
— Vamos lá, Rocky. Eu te desafio! — Exclamou Ethan, apontando para
o Onix.
O Pokémon encarou Ethan. Timidamente, se pôs a frente.
— Flaaffy, vamos fazer o primeiro movimento. ThunderShock!
Faíscas amarelas apareceram ao redor das orelhas de Flaaffy. Ela
disparou uma rajada de eletricidade azul claro de seu corpo em Onix, que
desviou com maestria.
Ethan esperou Onix se movimentar, mas o mesmo não se moveu.
— Eu vou fazer você se mover, Rocky... Flaaffy, Tackle!
Flaaffy correu em direção de Onix, que desviava cada vez mais
rápido. Ele não tomava nenhum dano, apenas desviava de Flaaffy. Ele realmente
não queria machucar aquele Pokémon.
— Flaaffy, vamos fazer ele te encarar! Cottom Spore! — Bradou Ethan.
Flaaffy removeu pedaços de lã de seu corpo e atirou em Onix. As
bolas de algodão fixaram-se no corpo da semente de pedra, diminuindo sua
velocidade.
— ThunderShock! —
Exclamou Ethan.
Flaaffy disparou as faíscas azuis na direção de Onix, que ficou
devagar demais para esquivar, recebendo todo o golpe.
Estranhamente, Onix caiu no chão, exausto.
— Mas o quê?! Não era pro Onix tomar tanto dano assim! — Exclamou
Amy.
— Aliás, não era pra ele tomar dano algum... — Comentou Forrest.
— Que bizarro... — Disse Ethan.
Onix levantou-se e encarou Flaaffy. Ele realmente teria que se
defender.
Ergueu-se majestosamente e atacou usando o Slam. Sua cauda atingiu o corpo de Flaaffy, arremessando-a para
longe.
— Não, Flaaffy! — Exclamou Ethan.
Onix rapidamente se dirigiu até o corpo de Flaaffy, que ainda
estava consciente. Abaixou até o Pokémon e o recolheu com sua cauda, como se
estivesse acalentando-o.
— Ele está... Fazendo a Flaaffy dormir...? — Perguntou Amy.
— Acho... Que está protegendo ela... — Disse Forrest.
Ethan, observando a cena, correu para a mochila e pegou uma Poção.
Correu até Flaaffy e utilizou o spray na pequena Pokémon, que pareceu se
recuperar logo.
O garoto encarou o Onix.
— Eu desisto da batalha. Eu não posso fazer você lutar contra mim.
— Ethan pegou a PokéBola de Flaaffy, retornando-a. — Obrigado, Flaaffy. Você
foi incrível.
Onix o olhou curioso.
— Desculpa, Rocky. Acho que eu exagerei tentando te mostrar que
você é forte, independente do que outras pessoas dizem pra você. Espero que
você encontre um treinador forte que te respeite e te mereça. E espero também
que nos reencontremos de novo.
Ethan levantou-se e se dirigiu até seus amigos.
— Vamos continuar a viagem, gente. A Cidade de Olivine fica logo
ali.
Forrest sorriu para Onix.
— Você é um Pokémon incrível. Adoraria ter você na minha equipe.
— Até qualquer dia, amigão. — Disse Amy com um sorriso caloroso.
Ethan, Amy e Forrest recolheram suas mochilas e pegaram a estrada.
Onix, no entanto, fez um buraco na terra, cavou o subsolo e surgiu
na frente dos garotos, pegando-os de surpresa.
Rocky olhou para Ethan e fez um aceno positivo com a cabeça.
— Eu acho que ele está te dando uma chance. — Disse Forrest.
— É, Ethan... Acho que dessa vez, você conseguiu. — Comentou Amy
sorrindo.
Ethan pegou uma PokéBola de dentro da bolsa e a apontou para Onix.
— Obrigado. Não pretendo decepcionar você. — Disse o garoto.
Onix apertou o botão central da PokéBola com a ponta de sua cauda,
sendo sugado pela cápsula por um raio vermelho. De lá, não fez questão nenhuma
de sair.
Ethan acabou fazendo mais um amigo. Dessa vez, um Onix
traumatizado por mãos humanas volta a confiar em um garoto que demonstrou com
palavras e atitudes ser diferente. O Mundo Pokémon está cheio de treinadores
que seguem diferentes filosofias de batalhas. Em um mundo competitivo, cada um
se fortalece a sua maneira, e isso desenvolve os mais diversos laços de
convivência entre humanos e Pokémon. Qual é o laço desenvolvido por você?
Notas do Autor (Capítulo 28)
Acho que agora podemos dizer que a temporada começou.
Giovanni foi assassinado por Amy. Silver é filho de Ariana.
Bem, são muitas informações e sei que, assim como eu, vocês estão bem confusos.
(Já não bastasse o fato de que Ethan e Lyra são irmãos).
Ah, e é claro, temos a talvez-nunca-será-resolvida treta entre Forrest e Lyra... Isso ainda vai dar muito pano pra manga.
Preparem-se. Ainda não acabaram-se os mistérios da segunda temporada do Aventuras em Johto. Outras surpresas aguardam a todos nós. =D
Como será que a Equipe Rocket irá agir sem Giovanni? Quem irá assumir seu lugar?
Muitas perguntas, poucas respostas.
Claro, vocês podem sempre dar suas opiniões e formular as suas teorias. Vai ser muito legal ver como o cérebro de vocês trabalha. XD
Enfim, é isso. Até o próximo capítulo! =D
See ya!
Capítulo 28
O sinal de recuperação do Centro Pokémon da Cidade de Ecruteak
anunciava que Sandshrew e Wobbuffet estavam em perfeitas condições de saúde.
— Seus Pokémon estão ótimos, Ethan. — Sorriu Joy.
— Obrigado, Enfermeira. — Agradeceu Ethan.
— O que vamos fazer agora? — Perguntou Amy.
— Vamos seguindo. Acho que é legal a gente chegar logo em Olivine
pra curtir a praia.... — Disse Ethan.
— Por mim, tudo bem. Mas vamos passar no PokéMart pra abastecer
nossos estoques de itens primeiro. Eles estão quase acabando.
— Tá de boa. Deixem só eu enviar Wobbuffet de volta pro
laboratório. Ele foi bem útil nessa batalha, mas eu preciso deixar espaços
vagos na equipe, né? — Comentou Ethan.
Amy e Forrest sorriram.
— Tá começando a ficar esperto. — Disse Amy.
— Vamos nessa então. — Emendou Forrest.
Ethan havia acabado de ganhar sua quarta insígnia da Liga Pokémon
e se preparava para seguir viagem com Amy e Forrest. No Centro Pokémon, os
garotos nem perceberam o barulho das hélices do helicóptero da Equipe Rocket,
que chegava naquele instante na cidade.
Giovanni parecia tenso. Suas mãos estavam entrelaçadas, com seus
polegares girando em torno dos próprios eixos.
Archer hesitou antes de quebrar o silêncio.
— Chefe, chegamos.
— Como estamos? — Perguntou Giovanni encarando-o.
— Esperando o seu comando. — Respondeu.
— Ótimo. Vamos direto ao plano. — Disse de forma seca.
Agentes confirmaram com a cabeça.
— Lembrem-se de não deixar ninguém nos atrapalhar. Caso alguém
tente, não hesitem em matar. — Avisou Giovanni.
— Certo!
Os moradores de Ecruteak assustaram-se com o enorme helicóptero
preto pousando no meio da praça da cidade. Capangas da Equipe Rocket chegavam
em vans e corriam para a Torre do Sino. Outros agentes aterrorizavam os
cidadãos fazendo-os correr para longe da Torre.
Do helicóptero, desceram Giovanni, Silver, Ariana, Proton, Archer
e Petrel.
— Então... Finalmente a primeira etapa do maior plano da Equipe
Rocket está sendo executada... — Disse Giovanni.
— Sim. Com sorte, obteremos a lendária Asa do Arco-Íris... — Disse
Ariana.
— Pare de pensar pequeno, Ariana... Se encontrarmos Ho-Oh lá em
cima, poderemos captura-lo e vende-lo por um preço bem alto no Mercado Negro. —
Sorriu Archer.
— Faturaremos infinitamente. — Sorriu Proton.
— Agradeçam pelo fato de encontrarmos apenas a Asa do Arco-Íris.
Já será um grande avanço na pesquisa. — Disse Silver.
— Silêncio. Não importa o que adquirirmos, o futuro da Equipe
Rocket está em bastante evidência. O mundo será nosso! — Bradou Giovanni.
Silver, Archer, Proton e Petrel seguiram para a entrada da Torre.
Ariana puxou Giovanni impedindo-o de acompanhar os outros.
— E se ela interferir? —
Perguntou sério.
Giovanni a encarou severo.
— Não faça nada. Sabemos que o Destino brinca conosco desde o
passado, Ariana. Você sabe muito bem disso. Se ela fizer algo, deixe fazer. Não toque nela até o plano estar
completamente concluído.
O poderoso chefão da Equipe Rocket sentiu mais pressão das mãos de
Ariana.
— Entendeu?
— Sim, mas...
— Isto é uma ordem. Também vai desafiar uma ordem minha? —
Perguntou sério.
Ariana tremeu.
— Ótimo. Não cometa os mesmos erros, Ariana. A juventude não está
mais de mãos dadas com você.
O líder dirigiu-se à entrada da Torre. Ariana respirou por um
momento e o seguiu.
***
As portas do Centro Pokémon se abriram. Ethan, Amy e Forrest terminavam
de organizar as coisas para sair do local quando deram de cara com Lyra.
— Lyra! O que faz aqui?! — Perguntou Ethan surpreso.
— Tentando ganhar minha quinta insígnia. — Respondeu a garota
indiferente.
— Caramba, incrível! Cinco insígnias?! — Questionou o rapaz
impressionado.
— É. A última foi na Cidade de Olivine. — Lyra dirigiu-se até o
balcão, ignorando aquele trio.
Forrest aproximou-se da garota com a intenção de beijá-la. Lyra
virou o rosto.
O moreno ficou sem graça e afastou-se.
As portas do hospital abriu-se novamente. Red aproximava-se com
Pikachu em um dos ombros chamando a atenção de todos. Amy fez uma cara de quem
não gostou da surpresa.
— Olá a todos. — Cumprimentou.
— Red? Você também está por aqui? — Questionou Ethan surpreso.
— O que você quer, Red? Veio encher outra vez? — Perguntou Amy de
forma agressiva
— Boa tarde para a senhorita também. Nem vim encher. Fiquei
sabendo que a Equipe Rocket está aprontando em Ecruteak e vim investigar. —
Falou o garoto.
— Equipe Rocket? — Perguntou Lyra.
— Sim. Uma organização criminosa que rouba Pokémon para vendê-los
no mercado negro por um preço muito alto. — Explicou Red.
— É... Eu ouvi falar deles na minha viagem... Eles são tão maus
assim? — Perguntou Lyra.
— É a maior facção existente atualmente. Eles roubam Pokémon e não
hesitam em matar para conseguir seu objetivo. — Disse Red.
Lyra arrepiou-se.
— Você disse que a Equipe Rocket está em Ecruteak? — Perguntou
Forrest interessado.
— Ah, sim. Eu tive uma impressão sobre isso e obtive a informação
posteriormente. Então, estou indo checar. Você não sabe de nada, não é, Amy? —
Perguntou Red sério.
— Não te interessa. O que eu fiz ou deixei de fazer não interessa a
ninguém. — Disse a garota, ríspida.
— Certo, certo, não vamos brigar. Vamos para Ecruteak. Se a Equipe
Rocket estiver mesmo lá, podemos ajudar você, Red. — Disse Forrest.
— Não tem problema eu ir com vocês, tem? — Perguntou Lyra.
Red encarou Amy.
— Não. Na verdade, quanto mais pessoas forem, melhor.
***
Red guiou o grupo para a Torre do Sino onde a Equipe Rocket
ocupava o topo. A polícia já cercava o local e tentava fazer os curiosos não se
aproximarem da entrada da torre. Oficial Jenny, com um alto-falante, tentava
fazer com que a Equipe Rocket se rendesse.
— Vocês estão cercados! Não têm para onde ir! Se retirem da torre
agora, Equipe Rocket! — Gritava ela.
Giovanni, de uma das janelas da Torre, visualizava a cena do alto.
— Eles acham mesmo que podem com a gente? — Perguntou Proton.
— Heheh, são muito idiotas mesmo... — Petrel deu uma risadinha.
Um dos capangas correu até Giovanni.
— Ei, chefe! Achamos a Asa do Arco-Íris! — Exclamou.
Giovanni o encarou sério.
— Onde?
— Está logo ali!
— E quanto à Ho-Oh? Algum sinal?
— Não. Não há nenhum sinal dele.
— Certo. Proton, Petrel, vocês já sabem o que fazer. — Giovanni
apontou para o fundo do grande salão de madeira onde estavam duas pessoas. —
Ariana, Archer, façam. Agora.
Petrel e Proton sacaram duas PokéBolas.
— Eu adoro meu trabalho. Weezing, Smokescreen! — Disse Proton com um sorrisinho lançando a PokéBola
pela janela.
— Golbat, Confusion Ray,
vai! — Foi a vez de Petrel liberar um Pokémon.
Um Pokémon roxo com duas cabeças que soltava fumaça tóxica por
buracos em seu corpo começou a cair da Torre.
Uma espécie de Pokémon Morcego, com uma mandíbula enorme e uma língua gosmenta
que pendia para o lado de fora de sua boca voava na frente de Weezing soltando
um raio quase imperceptível a olho nu na multidão ao pé da Torre.
Jenny sentiu uma forte enxaqueca repentina. O Confusion Ray, misturado com o tóxico Smokescreen, a fez ficar tonta e, segundos depois, desmaiar. A
mesma coisa aconteceu com o público que fazia prontidão.
Enquanto Weezing e Golbat atacavam a cidade, o grupo liderado por
Red chegava à torre. Ao olharem para cima, viram os agentes Rockets monitorando
tudo das janelas e correram para a entrada do local.
— “Golbat, um Pokémon
Morcego. É a forma evoluída de Zubat. Por mais difícil de furar que a pele da
sua vítima seja, ele consegue perfurar com seus dentes afiados e suga todo o
sangue. Se ele tem muito sangue em seu estômago, ele acaba voando pesado e voa
desajeitadamente”.
— “Weezing,
um Pokémon Gás Venenoso. É a forma evoluída de Koffing. Se um dos Koffing
gêmeos infla, o outro esvazia. Ele constantemente mistura seus gases venenosos
no interior de seu corpo diluindo-os em níveis extremos”. — Informou a
PokéAgenda de Ethan.
— Com aqueles dois atacando. vai ser difícil invadir a Torre... —
Disse Red analisando.
Amy olhou para o helicóptero pousado nas proximidades. Ela sabia
que apenas um membro Rocket usava helicópteros para se locomover. E ele estava
dentro da Torre.
A garota saiu correndo sacando uma PokéBola da bolsa.
— Amy, não vá! — Gritou Ethan.
— Vai, Gyarados! Hyper Beam!
— Disse a garota sacando a PokéBola.
Gyarados soltou um poderoso raio da boca atingindo Golbat e
Weezing nocauteando-os. O raio atingiu uma das paredes da torre, demolindo-a e
fazendo-a tremer.
— “Dizem que durante as
guerras passadas, Gyarados apareceria e deixava ruínas e chamas em seu rastro.
Uma vez que ele aparece, ele age com violência. Permanece enfurecido até destruir
tudo à sua volta.” — Informou a PokéAgenda de Ethan.
— Que poder impressionante! — Exclamou Forrest.
Ethan saiu correndo atrás de Amy. Lyra o seguiu.
— Ethan! — Exclamou Forrest.
— Eu não posso deixá-la enfrentar a Equipe Rocket sozinha! Eu
tenho que ajudá-la! — Disse o garoto.
Visualizando toda aquela cena no topo da torre, Petrel, sorrindo,
deu a noticia.
— Ela chegou.
Giovanni o encarou e deu um sorriso de canto. Um sorriso sínico,
sem emoções.
— Peguem-na.
Ariana e Silver se retiraram dali.
Com Gyarados em sua cola, Amy percorria as escadas com um ódio que
queimava suas veias. Ela sabia que seria vingada por todo o sofrimento que sentira
na Equipe Rocket nos anos em que trabalhou forçadamente na organização.
Seus passos foram interrompidos por Archer e Ariana, que a
esperavam em um dos lances finais de escada que davam para o topo da torre.
— Ora, ora, ora... Há quanto tempo...? — Cumprimentou-a Archer.
— Vocês... O que querem aqui? — Perguntou a garota em fúria.
— O de sempre. Mas acho que você já sabe da história toda e tal.
Então apenas volte para a Equipe Rocket. Você sabe coisas demais e não seria
muito legal alguém com suas informações ficar solto por aí. — Disse Archer enquanto
examinava as próprias unhas.
— Cadê o Giovanni? — Questionou a garota.
— Seguro. Você não vai conseguir chegar até ele sem antes passar por
nós. — Respondeu Ariana olhando fixamente para os olhos azuis da garota.
— Amy! — Chamou a voz de Ethan.
O garoto, seguido de Lyra, alcançava o patamar de escadas onde a
conversa se desenrolava.
— Ethan! O que faz aqui? Por que me seguiu? — Amy ficava cada vez
mais irritada.
— Sinto muito, mas não acho que você seja capaz de chutar o
traseiro desses idiotas aí sozinha. Viemos auxiliar.
— Vocês não podem enfrenta-los! Saiam já daqui! — Aquelas palavras
saíram em um berro só.
— Eu não vou embora sem você, Amy. Flaaffy, vai! — Ethan jogou uma
PokéBola.
— Vai, Elekid! — Lyra também arremessou uma PokéBola.
— Tch. Eu não tenho tempo para brincadeiras. — Disse Amy voltando
seus olhos para cima.
A garota retornou Gyarados e pulou para frente. Archer e Ariana
não conseguiram pegá-la.
— Vocês vão se arrepender por nos atrapalhar... Arbok! — Ariana
arremessou uma PokéBola, sendo seguida por Archer.
***
Amy avançava cada vez mais rápido para os andares superiores. Era Giovanni
que a aguardava no topo da Torre.
Fazia muito tempo que eles não se encaravam. Os olhos azuis da
menina por um momento cruzaram com os olhos acinzentados e cansados do grande
líder da Equipe Rocket. O homem que fora um grande pesadelo para ela.
— Depois de tanto tempo... Estamos nós aqui. — Disse Giovanni, seco.
Ele aparentava estar mais nervoso do que ela. — Você sabe o motivo de eu estar
aqui.
— Sim, eu sei. E não estou afim de te devolver. — Respondeu a
menina, liberando Gyarados da PokéBola.
— Tem certeza? — Ele deu um sorriso sínico. — Você não tem força o
suficiente para me enfrentar. Você me lembra de seus pais... Aqueles vermes insolentes
que não tiveram coragem de enfrentar seu destino. Eles eram fracos. E olha só
que engraçado, tiveram uma filha fraca também. Medíocre. — Giovanni cuspiu no
chão. — Patético.
Lágrimas começaram a correr pelo rosto de Amy. Ela fechou o punho
com tanta força que suas unhas cortaram a pele de sua mão. Ela explodiu.
— QUEM É VOCÊ PARA FALAR DOS MEUS PAIS?! VOCÊ NÃO TEM ESSE
DIREITO! — Berrou.
— Eu sou o homem mais poderoso do mundo. — Giovanni aproximou-se
sorrateiramente da garota. — Modere bem seu tom de voz para falar comigo.
O homem esbofeteou o rosto da garota.
Amy caiu de joelhos na frente de Giovanni, que começou a andar em
direção a um outro helicóptero que estava parado no topo da Torre do Sino. Ao
fechar a porta, Giovanni pode ouvir Amy dando um berro tão agudo que arranhou a
garganta da menina.
O helicóptero decolou. Amy levantou-se e o observou com uma fúria
assustadora nos olhos.
— DRAGON RUSH! — Berrou
para Gyarados.
O Pokémon Dragão soltou um raio púrpuro da boca que atingiu o
helicóptero onde Giovanni estava, explodindo-o completamente.
A explosão foi tão forte que a torre toda tremeu. Lyra e Ethan já estavam
semi-nocauteados no chão, junto a Flaaffy e Elekid, que já estavam desmaiados.
Ariana e Archer venceram rapidamente a batalha e torturavam os garotos. A torre
começou a desmoronar e Ariana, com ajuda de Archer, corria para se salvar,
deixando Ethan e Lyra no chão, sem forças para se proteger dos escombros que
caiam sobre eles.
As chamas do lado de fora eram fortes. Ardiam como nunca. A Torre
do Sino sofria do mesmo castigo de sua irmã, séculos atrás. O helicóptero veio
ao chão e capangas da Equipe Rocket tentavam apagar o fogo que o consumia de
forma voraz. Havia um risco muito grande de haver uma nova explosão devido o
tanque de combustível da aeronave estar cheio.
Ariana e Archer chegaram do lado de fora da Torre. Membros da
Equipe Rocket berravam e tinham uma expressão de pavor no rosto. Ariana
dirigiu-se à Petrel que estava metros de distância do helicóptero, imóvel como
uma estátua vendo os destroços do helicóptero.
— Ele estava lá... — Disse apenas.
Ariana começou a chorar. Olhou para cima e viu o semblante de Amy
olhando para o estrago que havia causado.
— RETIRADA! — Berrou Silver, com seus olhos inchados e vermelhos.
Os membros da Equipe Rocket não queriam sair de perto do
helicóptero onde Giovanni jazia morto.
— EU MANDEI RETIRAREM-SE! AGORA! — O ruivo berrou de novo.
Os Rocket entraram na van preta e os executivos no helicóptero que
estava na praça da cidade, partindo em seguida.
O helicóptero em chamas explodiu, fazendo a Torre do Sino, aos
poucos, vir ao chão. Giovanni, o grande líder da Equipe Rocket havia sido
assassinado. Amy estava vingada.
Ethan e Lyra, quase inconscientes, engasgavam-se com a fumaça
preta do incêndio da Torre. Amy permanecia no topo da mesma enquanto Forrest
encontrava-se perdido no meio da confusão, não estando ciente de que seus
amigos encontravam-se em perigo. Red havia desaparecido.
— Rhyhorn, agora! — O moreno pegou uma PokéBola e Rhyhorn foi
liberado. — Me ajude a procurar Amy, Lyra e Ethan dentro da Torre, está bem? —
Perguntou ao Pokémon que confirmou com a cabeça.
Forrest montou em Rhyhorn e cavalgou até a entrada do prédio em
chamas. Red estava nos céus, montado em Charizard, rumando para o topo da
Torre. Não demorou muito para que o garoto avistasse Amy, que pareceu se
assustar com a aproximação.
— O que você quer? Tá afim de morrer também? — Perguntou Amy
agressiva.
— O prédio está em chamas!
Você é louca de ficar aqui em cima!
— Red, eu não
ligo para o que você pensa.
— Nem para
seus amigos? — Perguntou de forma séria.
A expressão
de Amy mudou.
— Ethan e
Forrest! Como eles estão? Onde estão?
— Ethan está
dentro da torre, junto com Lyra. Forrest entrou nela para procurar vocês. —
Disse Red.
— Como é?! —
Exclamou a garota retornando Gyarados e voltando para a torre em chamas.
— Amy, o que
vai fazer? Você pirou?! — Exclamou Red correndo para segurar o braço da garota.
— Me solta!
Ethan e Forrest são importantes pra mim! Eles foram as únicas pessoas a se
importarem comigo, sendo que ninguém havia feito isso antes! Eu não posso
deixa-los morrer lá dentro por minha causa! — Gritou a garota se libertando e
deixando Red extasiado.
***
No
helicóptero, os administradores da Equipe Rocket rumavam para um local
desconhecido da Região de Johto. Havia um silêncio mórbido dentro do veículo.
— Como
prosseguiremos agora que nosso líder morreu? — Perguntou Ariana depois de muito
tempo, de uma forma quase inaudível.
— Você bem
sabe que meu pai queria que prosseguíssemos com o plano, não importa o que
acontecesse. — Respondeu Silver de forma fria.
— Não me
refiro a isso. Falo sobre a liderança da Equipe Rocket... Quem vai administrar
o grupo agora? — Tornou a questionar a ruiva.
Archer, que
outrora estava calado, resolveu falar.
— Bem, acho
que digo por todos quando falo que o posto de Líder da Equipe Rocket é
hereditário... E o mais velho é quem deve assumir o posto.
Silver olhou
indignado.
— Discordo!
Se for assim, a Equipe Rocket não deveria ter líder! O “filho perdido” não está
aqui! — Exclamou.
— Silver,
todos aqui sabemos que você não quer assumir que você é fraco se comparado ao
verdadeiro sucessor. — Disse Petrel encarando o ruivo com um sorriso sínico.
— Como é?! —
Vociferou o ruivo.
— Ele está
certo. — Disse Ariana.
Silver a
encarou com um olhar furioso.
— Como você
pode dizer isso? Só por que você teve a burrice de engravidar e não soube como educar
a criança? Como pode me comparar a ela, mãe?
— Questionou Silver deixando aquelas palavras pesarem naquele ambiente.
Houvera uma
hesitação dos membros.
— Há quanto
tempo que eu não te escuto me chamando de “mãe”, Silver? — Perguntou a mulher.
Silver
demorou para responder. No fim, não conseguiu encontrar palavras.
— Se quiser
tornar-se Líder da Equipe Rocket, faça por merecer. — Ariana desferiu um tapa
no rosto do rapaz, fazendo-o fechar a cara.
***
Na torre em
chamas, Forrest tentava reanimar Ethan e Lyra enquanto inalava grandes
quantidades de fumaça tóxica.
— Mas que
droga... — e tossia. — Eu não vou conseguir... — e tossia novamente. — Rhyhorn,
Stomp na parede, vai!
O Rhyhorn de
Forrest demoliu uma das paredes já enfraquecidas pelo fogo com um pontapé
violento.
O ar limpo do
lado de fora ajudou a vazar a fumaça no local. Amy apareceu com Red no patamar
de escadas perto de onde Forrest tentava carregar Lyra.
— Amy, você
tá bem? Não está ferida? — Perguntou o garoto à amiga.
— Tô bem,
Forrest. Como está o Ethan? Ele tá machucado? — Perguntou em tom de
preocupação.
— Eu não
sei... Temos que leva-lo para o Centro Pokémon. Me ajude a coloca-lo no Rhyhorn
junto com a Lyra, por favor! — Pediu o garoto.
— Deixe-me te
ajudar também! — Disse Red correndo para ajudar a colocar Ethan e Lyra,
desmaiados, nas costas de Rhyhorn.
***
Quase três
semanas se passaram desde a morte de Giovanni e o incêndio na Torre do Sino.
Ethan e Lyra ficaram sendo tratados no Centro Pokémon até saírem da unidade de
tratamento intensivo, já que inalaram muita fumaça tóxica.
No último dia
no hospital, Amy, com alguns curativos pelo rosto e corpo, via o entardecer.
Red aproximou-se.
— Podemos
conversar? — Perguntou o garoto.
Amy o encarou
desconfiada.
— Não vai
aprontar nada?
— Eu venho em
paz. — Disse ele.
— E o que
você quer?
— Pedir
desculpas.
Amy o encarou
incrédula.
— Pelo quê?
— Por ter
tido uma impressão errada sobre você.
Amy ficou
vermelha.
— N... Não
precisa se preocupar...
— Você matou
Giovanni. Se realmente fosse uma agente da Equipe Rocket, não faria tal ato. —
Disse Red.
Amy pareceu
incomodada.
— Sou uma
assassina... — O peso das palavras que saíram da boca da garota pareceu enorme.
— Uma
assassina procurada pela maior máfia do mundo. Eu não queria estar na sua pele.
— Disse Red sorrindo.
Amy acabou
sorrindo.
— Você é um
idiota.
— Amigos? —
Perguntou Red abrindo os braços.
— Colegas. —
Respondeu a garota indiferente.
Ethan abriu
os olhos. Estava escutando cochichos da varanda. Ao olhar para o lugar, viu Amy
abraçada com Red. Um frio na barriga e um sentimento de desespero surgiram em
seu corpo.
— Com
licença? — Chamou o garoto.
Red e Amy se
soltaram. Amy ficou meio embaraçada.
— Olá, Ethan.
Como se sente? — Perguntou Red.
—
Psicologicamente abalado. — Respondeu ríspido.
— Está
sentindo dores?
— No coração.
E um pouco na cabeça também.
—Certo. Vou
deixar vocês a sós. Bom saber que você está bem. Eu fiquei preocupado... Enfim,
com licença. — Falou o rapaz pegando o boné que estava em cima de uma das camas
desocupadas e se retirando do quarto.
Amy fez
menção de sair também.
— Aonde você
vai? Atrás dele? Só porque ele é top, bonitão e tem um chapéu de marca? — Questionou
Ethan zangado.
Amy o encarou
séria.
— Eu entrei
em uma torre em chamas pra te tirar de um incêndio e é assim que você me agradece?
Ethan ficou
rubro.
— É que...
Eu... Eh... — Gaguejou.
— Você está
com ciúmes de mim? — Perguntou a garota intrigada.
Ethan
esbugalhou os olhos. Seu estômago deu um salto mortal dentro de sua barriga. As
palavras fugiram da boca.
Amy ficou vermelha,
mas conseguiu disfarçar.
— Imaginei. —
Sorriu ela.
A porta fora
aberta. Forrest e Lyra entraram no quarto. Ao ver Ethan e Amy sozinhos e o
garoto fazendo uma careta estranha, Forrest ficou com uma expressão de dúvida.
— Atrapalho
alguma coisa? — Perguntou.
— Não. Estava
vendo se o Ethan estava bem. E está muito bem. Até melhor do que era. — Sorriu
Amy.
Lyra olhou
para o garoto.
— Não morra,
Ethan. Você será meu oponente na Liga Pokémon, até lá, mantenha-se vivo.
Red e Amy
conseguiram deixar suas desavenças de lado e tornaram-se aliados. A Equipe
Rocket, mesmo sem Giovanni, ainda prossegue em seu audacioso plano de dominação
mundial. A jornada ainda continuará e novos caminhos se revelarão em sua
caminhada.
TO BE
CONTINUED...